01 de Maio de 2026

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Direitos da Mulher - 15/10/2025

Volta ao trabalho após o parto expõe lacunas no apoio à saúde mental das mães

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Foto: Reprodução/Google

Período traz mudanças hormonais, emocionais e físicas que tornam a volta ao trabalho um desafio silencioso para muitas mulheres

Voltar ao trabalho depois do parto não é apenas trocar o pijama pela roupa do escritório. É enfrentar um turbilhão de emoções, expectativas e barreiras muitas vezes invisíveis, especialmente quando associado à DPP (depressão pós-parto). Para muitas mulheres, o retorno profissional é tão desafiador quanto a própria gestação, impactando a saúde mental, a autoestima e, consequentemente, o desempenho.

 

Segundo dados da Fiocruz de 2024, cerca de 25% das mães de recém-nascidos no Brasil são diagnosticadas com DPP, um quadro que se manifesta por tristeza profunda, insônia, alterações no apetite, falta de energia e sentimentos de culpa ou inutilidade. Estudos internacionais indicam que 10% a 15% das mulheres apresentam dificuldades em estabelecer vínculo com o bebê, o que intensifica o impacto emocional durante o retorno ao trabalho.

 

A psicóloga Larissa Fonseca, doutoranda da Unifesp e especialista em saúde materna, explica: “Muitas mulheres acham que a licença termina quando o bebê nasce. Mas o pós-parto é o início de uma reorganização física e emocional, e esse processo continua muito depois do retorno ao trabalho”.

 

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A DPP não surge isoladamente. A falta de apoio social, seja da família ou de uma rede comunitária, aumenta significativamente o risco de sintomas depressivos. Condições de trabalho pouco acolhedoras, como jornadas extensas, falta de reconhecimento e pressão constante, também podem intensificar o quadro.

 

 

 

“O estresse corporativo se soma à sobrecarga doméstica, criando um ciclo de culpa, cansaço e baixa autoestima. Muitas mulheres se sentem incapazes de dar conta de tudo, tanto no trabalho quanto em casa”, reforça Larissa. Além disso, cerca de 50% dos casos de DPP não são diagnosticados devido a vergonha, falta de informação e pressão interna. O resultado é um ciclo de culpa, medo de falhar e sobrecarga, que pode levar ao afastamento temporário ou definitivo do mercado de trabalho, se não for diagnosticado e tratado de forma efetiva.

 

O papel das empresas

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Dados da Fundação Getúlio Vargas mostram que 48% das mulheres perdem o emprego até 12 meses após a licença-maternidade, evidenciando a falta de preparo para acolher mães nesse período de transição. Muitas ainda ignoram necessidades básicas, como pausas para amamentação, horários flexíveis ou acompanhamento psicológico.

 
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“O retorno ao trabalho não pode ser visto apenas como um processo burocrático. Um ambiente acolhedor transforma a mãe em uma profissional mais madura, resiliente e organizada, beneficiando tanto a mulher quanto a empresa”, aponta. As empresas têm um papel central na reintegração das mães ao mercado de trabalho. Ambientes flexíveis, programas de apoio psicológico e políticas adequadas de licença-maternidade podem facilitar a transição e reduzir riscos associados à depressão pós-parto. “Não existe um ponto final para a maternidade. Cada fase exige adaptações e, sem apoio, a mulher pode se sentir constantemente desestabilizada”. 

 

Fonte: com informações Revista IstoÉ

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