Única mulher do país na equipe oficial, ela registrou a 47ª edição do Rally Dakar, realizada na Arábia Saudita
No meio da poeira, do calor extremo e das paisagens desérticas, Victoria Kimie encontrou o seu lugar. Fotógrafa esportiva, ela se tornou a primeira brasileira a integrar a equipe oficial do Rally Dakar, acompanhando de perto uma das competições mais exigentes do automobilismo mundial. Victoria embarcou em direção à Arábia Saudita para cobrir a 47ª edição da competição, realizada em 2025. Durante a prova, registrou cenas que marcaram a disputa.
“Gosto muito de fotografar a emoção do momento, ao ponto da pessoa olhar a foto e falar: ‘Nossa, que horas essa foto foi tirada?’ e lembra exatamente do que estava sentindo naquele instante”, afirma.Para isso, a fotógrafa passou horas aguardando a passagem dos carros em pontos estratégicos do percurso. A rotina exigiu preparo físico e resistência para enfrentar deslocamentos longos, calor intenso e terrenos instáveis. É toda uma vivência, uma experiência. É muito mais do que ir lá, fazer a foto e voltar para casa. Tem muita coisa envolvida, houve dias em que rodamos 900 quilômetros. É cansativo, mas gratificante”, destaca.
Além de Victoria, participaram profissionais de diferentes nacionalidades, entre homens e mulheres. Ela não é a única mulher na equipe, mas é a primeira brasileira a ocupar o posto, um marco pessoal e profissional. “São cerca de três anos na fotografia, algo totalmente recente, me sinto muito privilegiada por participar de eventos assim, não imaginava alcançar [esse lugar] tão cedo. É supreendente”, diz.
Veja também

Médica é a primeira mulher indicada à patente de general na história do Exército
Os primeiros cliques
.jpeg)
Foto: Reprodução/Google
Natural de São Paulo, Victoria enxergou na fotografia uma maneira de aproveitar os dias comuns. “Registrar momentos em família, com as minhas filhas, era uma das minhas atividades mais prazerosas”, conta. Consultora do mercado financeiro, abriu mão da carreira para se dedicar à criação das filhas, uma escolha comum a muitas mulheres. “Elas eram pequenas e precisavam da minha atenção, então foi algo natural para nós”, diz.
Mas o fim do casamento, depois de sete anos, trouxe uma mudança. Fora do mercado de trabalho há algum tempo, ela não queria voltar à antiga profissão. Ainda assim, também não pensava na fotografia como fonte de renda.A oportunidade apareceu em uma quadra de futevôlei. “Um dia, levei o celular e, em vez de jogar, fiz algumas fotos. Depois, uma amiga, que é professora, organizou um campeonato e me chamou para fotografar e postar nas redes sociais.” Foi nesse evento que Victoria conheceu o fotógrafo esportivo Bruno Ruas e ouviu dele que tinha talento para a fotografia. “Ele me deu o maior incentivo. Mas, na época, com tantos acontecimentos na minha vida, eu ouvi e deixei de lado”, afirma.
Insistente, o fotógrafo não desistiu e seguiu chamando Victoria para novos trabalhos. “O Bruno me colocou debaixo do braço e me ensinou tudo. Comprei uma câmera que passou por vários profissionais, inclusive por ele, uma 7D, que vale ouro para nós”, detalha. Victoria foi aprendendo e também se encantando com tudo o que encontrava pelo caminho. “Ele foi me jogando em umas fogueiras para ver se eu aguentava o baque. Com isso, fui ganhando casca e experiência”, conta. Aos poucos, os trabalhos começaram a aparecer, e a fotógrafa passou a direcionar a atuação. “Comecei fazendo fotos de atletas em jogos, mas também fazia fotos de arquitetura, por meio de uma amiga arquiteta”, afirma.
Fonte: com informações IstoÉ
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.