Açúcar de cana e milho lideram pauta de exportação para Caracas, enquanto fertilizantes e metanol são os principais itens na mão oposta; governo e mercado veem baixo risco para balança comercial
Enquanto o Brasil fornece uma diversidade de produtos alimentícios para a Venezuela, o país vende aos brasileiros sobretudo insumos para a indústria e para o setor de energia, apontam dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O país que teve o seu presidente capturado pelos Estados Unidos representou apenas 0,24% das exportações brasileiras e 0,12% das importações em 2025.
“Nós tivemos em 2025 uma exportação para Venezuela de US$ 838 milhões. Não chega a US$ 1 bilhão”, destacou o vice-presidente e chefe do MDIC, Geraldo Alckmin, em entrevista na terça-feira, 6. “A corrente de comércio com Venezuela é de 1,2 bilhão de dólares. É a 52º no ranking de exportações brasileiras”, destacou Alckmin. Ao todo, a corrente de comércio internacional brasileira somou US$ 629 bi em 2025.
Desde 2023, o Brasil registra uma redução significativa do comércio bilateral com a Venezuela, culminando em mínimos históricos entre 2019 e 2020. Após uma leve recuperação entre 2021 e 2024, o intercâmbio comercial permaneceu ainda distante dos picos históricos. Em 2025, os dados mostram uma nova retração no fluxo.
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Veja os itens mais exportados para a Venezuela

Nomenclatura padrão utilizada no Mercosul Valor (US$)
1 Outros açúcares de cana 87.086.300
2 Milho em grão, exceto para semeadura 68.432.596
3 Arroz com casca (arroz paddy), não parboilizado 63.666.825
4 Outros açúcares de cana, beterraba, sacarose quimicamente pura, sol. 54.431.456
5 Outras preparações alimentícias de farinhas, etc, cacau < 40% 49.797.741
6 Outras preparações para elaboração de bebidas 47.775.452
7 Automóveis com motor explosão, 1500 < cm3 <= 3000, até 6 passageiros 22.788.472
8 Margarina, exceto a margarina líquida 16.790.802
9 Óleo de soja, refinado, em recipientes com capacidade inferior ou igual a 5 litros 16.223.440
10 Automóveis com motor explosão, de cilindrada superior a 1.000 cm3, mas não superior a 1.500 cm3… 14.816.119
Os dados foram extraídos da Comex Stat (sigla para Comércio Exterior Estatística), o sistema oficial do governo brasileiro que compila dados do MDIC. O ranking foi organizado a partir do valor total exportado.
Veja os itens mais importados da Venezuela

Nomenclatura padrão utilizada no Mercosul Valor (US$)
1 Ureia, mesmo em solução aquosa, com teor de nitrogênio (azoto) superior a 45% 155.796.444
2 Alumínio não ligado, em formas brutas 86.172.024
3 Metanol (álcool metílico) 50.748.551
4 Misturas betuminosas à base de asfalto ou de betume naturais, de betume de petróleo, de alcatrão mineral ou de breu de alcatrão mineral 16.583.578
5 Outros negros de carbono 13.793.522
6 Coque de petróleo não calcinado 8.372.150
7 Ligas de alumínio, em formas brutas 7.064.205
8 Fios de alumínio não ligado, com a maior dimensão da seção transversal superior a 7 mm, com um teor de alumínio ≥ 99,45 % 2.609.192
9 Desperdícios e resíduos, de alumínio 1.664.330
10 Outros minérios de molibdênio, ustulados, seus concentrados 1.038.652
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Fotos: Reprodução
Especialistas do mercado financeiro ouvidos pela IstoÉ Dinheiro concordam com o vice-presidente sobre o baixo impacto da crise venezuelana na balança comercial brasileira. Apontam que uma interrupção total do fluxo comercial entre os países é improvável e que, ainda que ocorresse, o impacto seria facilmente superado. "Uma interrupção total é improvável. O cenário mais provável é fragmentação seletiva do comércio, com aumento de fricções financeiras e logísticas, queda parcial de volumes e redirecionamento de rotas”, comenta o analista Gerson Brilhante, da Levante Inside Corp.
“A interrupção afetaria principalmente cadeias de energia e insumos industriais (derivados de petróleo, química básica, fertilizantes e alumínio), elevando custos regionais sem impacto relevante sobre a oferta global”. Analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima aponta setores do agronegócio, indústria química, construção civil, siderurgia e segmentos de energia como os mais afetados. “Apesar desse risco, o cenário atual sugere mais um ambiente de cautela do que uma ruptura iminente”, analisa. “Para a economia brasileira como um todo, o efeito tende a ser concentrado e setorial, sem caráter sistêmico.”
“O risco precisa ser monitorado, especialmente por setores que trabalham com margens apertadas e elevada dependência de insumos importados, mas, neste momento, o cenário mais provável é o de continuidade com eventuais ajustes, e não de colapso completo das relações comerciais”, acrescenta Lima.
Fonte: Com informações Revista IstoÉ
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