19 de Junho de 2026

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Direitos da Mulher - 20/06/2032

Váleria Falta editar ******Rios de Luta III: O desafio de fazer a Lei Maria da Penha navegar na Imensidão Amazônica

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Por Maria Santana Souza - Portal Mulher Amazônica - Manaus, Amazonas.

 

Na Amazônia, o tempo e as distâncias são ditados pelas águas. Diferente de outras regiões do Brasil, onde as estradas cortam o território por via terrestre, a nossa malha rodoviária são os rios. Para uma mulher em situação de violência, um pedido de socorro pode significar dias de viagem de barco até a delegacia ou o tribunal mais próximo. É nessa realidade de isolamento geográfico e difícil acesso que os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) revelam seu maior desafio e, ao mesmo tempo, sua força mais transformadora.

 

Os índices de violência contra a mulher na região Norte continuam alarmantes. O machismo estrutural se camufla na densidade da floresta e na falta de infraestrutura do Estado, gerando subnotificação e impunidade no interior. Apesar desse cenário hostil, a chegada da Lei Maria da Penha trouxe ferramentas jurídicas cruciais que começaram a quebrar esse ciclo de isolamento, forçando o poder público a criar soluções logísticas tão específicas quanto a nossa própria geografia.

 

A Logística do Socorro: Quando a Proteção Vem de Barco

 

A principal vitória da Lei Maria da Penha nas regiões ribeirinhas, indígenas e quilombolas foi a descentralização do socorro. Em territórios onde o deslocamento terrestre é inexistente, as Medidas Protetivas de Urgência precisaram aprender a navegar.

 

Entre os avanços que atenuam a violência nessas áreas isoladas, destacam-se:

 

Patrulhas Maria da Penha Fluviais: Lanchas rápidas e embarcações policiais que levam o atendimento especializado diretamente às comunidades ribeirinhas remotas.

 

Afastamento Imediato pelo Policial: Uma alteração crucial na lei que permitiu que o próprio policial ou delegado determine o afastamento imediato do agressor do lar, caso o município não tenha um juiz residente — uma realidade comum em mais da metade dos municípios amazônicos.

 

Polos Jurídicos Itinerantes: A realização de mutirões do Poder Judiciário e da Defensoria Pública que viajam semanas pelos rios para julgar processos e acolher vítimas no interior profunda.

 

A Tecnologia Rompendo o Isolamento

Outro fator essencial para frear os índices de violência nas cidades mais distantes foi a modernização do acesso. Ferramentas como o registro de boletim de ocorrência online e as audiências por videoconferência permitiram que mulheres em municípios isolados pudessem acionar a justiça sem precisar arcar com o custo — muitas vezes proibitivo — de passagens de barco para as capitais.

 

A Lei Maria da Penha acendeu refletores sobre realidades invisíveis. Ela validou o trabalho de lideranças comunitárias e parteiras tradicionais que, hoje, atuam como pontes e informantes da rede de proteção, denunciando abusos que antes eram silenciados pela distância e pela floresta.

 

O Compromisso do Portal Mulher Amazônica

 

Nós, do Portal Mulher Amazônica, reafirmamos que o combate à violência de gênero no Norte precisa de investimentos proporcionais ao tamanho do nosso território. A lei atenuou a dor de milhares de mulheres, mas a eficácia plena só virá quando o transporte público fluvial for seguro e quando houver internet de qualidade para denúncias em cada comunidade ribeirinha. Seguiremos navegando por essa causa, ecoando as vozes que as distâncias tentam calar. 

 

Maria Santana Souza - Portal Mulher Amazônica - Manaus, Amazonas.

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