30 de Abril de 2026

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Mulher na Política - 07/11/2025

Soraya Thronicke: 'Bolsonaro me enganou, mas eu permiti'

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

Senadora, que se elegeu em 2018 apoiada pelo ex-presidente, hoje diz que foi vítima do gabinete do ódio, se deixou enganar por Bolsonaro e elogia o governo Lula: 'Nós estamos com bons índices'

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) surgiu na política em meio às manifestações contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015. Advogada e empresária — dona de um motel em Campo Grande (MS) —, a senadora se juntou a grupos pró-impeachment que surgiram naquela época, com forte discurso anti-corrupção.

 

Nascida em Dourados (MS), ela ficou mais conhecida na capital sul-mato-grossense em meados de 2016 e 2017, quando ajuizou ações populares contra o grupo JBS e o então governador do Estado, Reinaldo Azambuja (na época no PSDB), por um suposto esquema de pagamento de propinas. Na mesma época, ela também apresentou um pedido de impeachment contra o governador, que não foi exitoso.

 

Chegou a mandar prender o então prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (União Brasil), por descumprir uma liminar que obrigava a Prefeitura a disponibilizar professor especializado em educação especial para sua cliente, uma menina de 9 anos com Síndrome de Down. Oficializou-se na política ao se filiar ao partido Novo ainda em 2017. No ano seguinte, mudou para o PSL, então sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por onde se candidatou ao senado pelo Mato Grosso do Sul como "a senadora do Bolsonaro".

 

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Embora não performasse nas pesquisas eleitorais, aparecendo sempre com menos de 10% das intenções de voto e nunca entre os três primeiros candidatos, teve a força da legenda e acabou eleita com 16% dos votos válidos. Mas a relação da senadora com o capitão se rompeu, ainda sem uma razão específica para isso, logo depois, entre 2019 e 2020. "O não escutar a opinião, esse foi um dos problemas", disse ela, em entrevista à BBC News Brasil em seu gabinete em Brasília. "Outro problema foi nos incitar contra o STF [Supremo Tribunal Federal]. "Todos eles provocaram em nós o que continuam provocando em muita gente." Em 2022, seu partido se transformou no União Brasil, e Bolsonaro foi para o PL. Soraya Thronicke se lançou candidata à presidência, fazendo forte oposição ao ex-presidente, que tentava a reeleição.

 

 

 

Ganhou mais atenção durante os debates eleitorais daquele ano, ao chamar o presidente de "tchutchuca com outros homens" e "tigrão com outras mulheres", em defesa à jornalista Vera Magalhães, que havia sido ofendida por ele. E virou meme, ao perguntar ao candidato padre Kelmon Luis Souza (PL), se ele não tinha "medo de ir para o inferno", e depois o chamando de "padre de festa junina".

 

Em junho de 2023, anunciou sua migração para o Podemos, partido pelo qual ela diz que tentará se reeleger no próximo ano. Antes "candidata de Bolsonaro", hoje ela afirma que "se deixou enganar" por ele, e corrige quando é chamada de uma política de direita: "Sou centro-direita." Diz acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem "chances" de ser reeleito devido aos "bons índices" do governo, ao passo que o bolsonarismo é uma "seita".

 

 

 

"Eu fui vítima do gabinete do ódio [termo para designar um grupo dentro do Palácio do Planalto durante a gestão Bolsonaro que supostamente disseminava mensagens difamatórias contra adversários de Bolsonaro]", disse. "Eu já era antes de romper com eles. Eles são kamikazes, por isso que eu chamo de seita. Na seita você tem que seguir o líder e não pensar."BBC News Brasil - A senhora foi relatora da CPI das bets, que terminou com a maioria votando pela rejeição do seu relatório que pedia o indiciamento de 16 pessoas, dentre ela duas influenciadoras bem conhecidas, a Virgínia Fonseca e Deolane Bezerra. Na época, a senhora chegou a falar que "não era pizzaiola", e que não ia acabar em pizza. Por que então sua posição saiu derrotada?

 

 

 

Thronicke - Eu entendo que foi uma posição política dos colegas e não técnica sobre o relatório. Eu tive muita dificuldade durante todo o decorrer da CPI e não acabou em pizza, por mais que o relatório tenha sido derrotado, foi por um voto. E foi a segunda vez, num período de dez anos, que um relatório de uma CPI é derrotado. E o que eu entendo? [Há] interesses de parlamentares membros da CPI na questão das bets. Houve um lobby muito forte e muita gente cedeu.

 

BBC News Brasil - A senhora acha que as bets controlam o Congresso hoje?

 

 

 

Soraya Thronicke - Não, porque não me controlou, não deu conta de me segurar, não controla muitos de nós. Mas que exerce um poder sobre muitos, isso eu acredito sim. E diante de tudo que nós investigamos, a gente sabe que há parlamentares envolvidos com bets. Eles se assustaram quando a CPI aconteceu, quando eu consegui, em menos de 24 horas, assinaturas a mais do que o necessário [para a abertura da CPI]. E pessoas que não assinaram viraram membros e trabalharam o tempo todo contra.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Eu não consegui investigar a gama de… que necessitava o caso, justamente por conta desse boicote que eu sofri. E também não consegui a prorrogação da CPI, que era necessário. Então, eu considero que foi uma questão política, mas não acabou em pizza, porque foram apurados crimes e indícios fortíssimos. Diante desse relatório, obviamente eu tenho que tomar uma atitude porque estou diante de crimes. Eu entreguei o relatório para a Polícia Federal, para a PGR [Procuradoria Geral da República] e também para o Poder Executivo, o próprio ministro [da Fazenda] Fernando Haddad.

 
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Uma vez lá, se engavetar, se não investigarem, se não fizerem nada, a pizzaria é em outro lugar, é outro poder. Mas a minha parte eu fiz, porque mesmo derrotado, nada impede de ir adiante tudo que foi levantado. E essa derrota para mim, na verdade, foi uma grande vitória, porque foi a derrota que fez com que aparecesse. Foi um susto para a imprensa, foi um susto aqui dentro. E aqui dentro todo mundo sabe por que derrotado. 

 

Fonte: com informações Correio Braziliense

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