Embora países desenvolvidos como Dinamarca e Suécia também apresentem cargas tributárias elevadas, a principal diferença é o retorno de qualidade proporcionado à população.
Por Nicolas Fragata - O sistema tributário brasileiro é frequentemente criticado por sua complexidade e pelo peso significativo que impõe aos contribuintes. Com uma carga tributária bruta equivalente a 32,43% do PIB em 2017, o Brasil posiciona-se acima da média dos países emergentes e próximo à média dos países da OCDE. Entretanto, o que torna essa carga tão pesada é um conjunto de fatores que incluem a alta demanda por recursos públicos, a ineficiência na gestão estatal e a estrutura regressiva do sistema tributário.
Veja também
.jpeg)
 17_57_01_6a494e31.jpg)
Investimento público que faz a diferença: UTI reformada e equipada para oferecer o melhor
cuidado à saúde da população (Foto: Rogerio Santana/Governo do Rio de Janeiro)
Um dos principais motivos para a alta carga tributária é a elevada demanda por recursos públicos. O Brasil, como um país de dimensões continentais e desafios históricos, precisa financiar áreas essenciais como saúde, educação, segurança e infraestrutura, além de combater a pobreza e desigualdade social. Esses investimentos são indispensáveis, mas muitas vezes a gestão ineficaz dos recursos arrecadados impede que eles se traduzam em serviços de qualidade. A corrupção, a burocracia e a baixa produtividade no setor público consomem grande parte desses recursos, criando a necessidade de maior tributação para compensar as perdas.
 17_58_32_bf65112e.jpg)
Obras paralisadas desde a década de 80: um reflexo da má gestão que impede o acesso a uma
saúde de qualidade (Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)
Outro ponto crítico é a estrutura do sistema tributário brasileiro, que foca principalmente na tributação sobre o consumo, com impostos como ICMS, PIS e COFINS. Essa abordagem regressiva faz com que as pessoas de menor renda paguem proporcionalmente mais impostos, já que bens e serviços essenciais acabam sendo fortemente tributados. Isso contrasta com sistemas mais progressivos, onde a tributação recai mais sobre renda e patrimônio, equilibrando melhor a distribuição do peso tributário entre ricos e pobres.
Além disso, parte significativa da arrecadação é direcionada ao pagamento de juros e amortização da dívida pública, o que reduz os recursos disponíveis para investimentos diretos no bem-estar da população. Em 2023, os gastos com juros representaram aproximadamente 7% do PIB, agravando ainda mais a percepção de que os impostos pagos não retornam em benefícios palpáveis para a sociedade.
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.