04 de Maio de 2026

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Especial Mulher - 29/05/2025

Senador Plínio Valério e a misoginia institucional: análise de uma fala que desrespeita a mulher na Política

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

A frase carrega camadas profundas de misoginia institucional e desrespeito à autoridade feminina.

Por Maria Santana Souza - Comentário direcionado à ministra Marina Silva revela traços de discriminação de gênero, violência simbólica e deslegitimação da presença feminina em espaços de decisão.

 

Durante sessão no Senado Federal, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) dirigiu-se à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, com uma fala que gerou indignação nas redes sociais e entre especialistas em gênero e política: “Ministra Marina, que bom reencontrá-la! E, ao olhar para a senhora, eu estou vendo uma ministra, eu não estou falando com uma mulher. Porque a mulher merece respeito; a ministra, não”.

 

A frase carrega camadas profundas de misoginia institucional e desrespeito à autoridade feminina. Segundo especialistas, o comentário estabelece uma distinção inaceitável entre “mulher” e “ministra”, como se o exercício de uma função pública retirasse da mulher sua dignidade. Ao iniciar com um tom aparentemente cordial (“que bom reencontrá-la”), o senador usa a estratégia clássica de suavizar uma fala agressiva. Isso é comum em discursos discriminatórios mais sutis, que tentam escapar da responsabilização direta.

 

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Ao negar respeito à ministra, ele não apenas desrespeita Marina Silva, mas também deslegitima o cargo que ela ocupa. É uma afronta à institucionalidade e ao Estado Democrático de Direito, pois a crítica a um agente público não pode ser feita em termos pessoais ou desrespeitosos — e, nesse caso, claramente sexistas.

 

Para a pesquisadora Debora Diniz, a violência simbólica contra mulheres em cargos de poder é uma forma recorrente de manter a desigualdade de gênero nos espaços de decisão. “Trata-se de uma estratégia para fragilizar as lideranças femininas”, afirma.

 

 

A fala do senador também vai contra os princípios do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência Política de Gênero, criado pelo TSE e Ministério da Mulher, que visa garantir a integridade e o respeito às mulheres na política fonte: https://www.gov.br/mulher/pt-br/violenciapoliticadegenero) .

 

 

 

Além disso, a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará), da qual o Brasil é signatário, reconhece a violência simbólica como forma de agressão que deve ser combatida (fonte: https://www.oas.org/pt/cim/docs/ConvenioBelemDoPara.PDF .

 

Fotos: Reprodução/Google

 

 
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Organizações da sociedade civil, como a ONG Elas no Poder (https://elasnopoder.org.br), vêm denunciando reiteradamente como a linguagem política ainda reflete estruturas patriarcais e machistas. A repercussão do caso expõe um desafio persistente: mulheres seguem sendo julgadas por estarem em cargos de comando, enquanto homens raramente são questionados por sua presença nesses espaços. A crítica política é legítima, mas deve ser feita sem discriminação de gênero.
 

 

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