Kiev concordou com proposta dos Estados Unidos para pausar os combates por 30 dias, mas o Kremlin ainda não deu aval à proposta. Putin questionou pontos do texto e colocou suas próprias condições para que a trégua entre em vigor.
A guerra entre Rússia e Ucrânia pode estar perto de uma pausa histórica, mas a paz tem um preço alto. Três anos após o início da invasão, uma proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo de 30 dias ganhou apoio de Kiev, mas Moscou responde com exigências que podem tornar o acordo inviável.
Na quarta-feira, 12, um enviado americano desembarcou em Moscou para negociar um desfecho, mas Vladimir Putin não demorou a colocar suas condições na mesa. Entre elas, a mais polêmica: a Rússia só interromperá os combates se puder manter sob seu controle um quinto do território ucraniano, incluindo regiões estratégicas invadidas desde 2014. Além disso, exige que a Ucrânia abandone de vez seu sonho de ingressar na Otan e que tropas estrangeiras fiquem fora do território ucraniano.
O líder russo também questiona como seria monitorado um cessar-fogo ao longo dos mais de 2 mil quilômetros de fronteira e se a Ucrânia usaria a pausa para reforçar seu exército. Enquanto isso, tropas russas cercam soldados ucranianos na região de Kursk, elevando ainda mais a tensão no campo de batalha.
Veja também


A disputa territorial entre os dois países é um ponto de impasse há mais de uma década. Desde a anexação da Crimeia em 2014, a Rússia avança sobre territórios do leste da Ucrânia, e agora, com a guerra iniciada em 2022, Putin exige reconhecimento internacional dessas regiões como parte da Rússia. Por outro lado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, insiste que não aceitará ceder nenhuma parte do território de seu país.
No entanto, uma declaração recente de Donald Trump surpreendeu a comunidade internacional. O presidente dos EUA sugeriu que a negociação para a paz poderia incluir a cessação de territórios para a Rússia — até mesmo a usina nuclear de Zhaporizhzhia, a maior da Europa. "Não é um processo fácil", afirmou, deixando no ar a possibilidade de um acordo que favoreça Moscou.
A tensão também cresce entre a Rússia e os países europeus. Com o receio de que Trump enfraqueça a Otan, potências europeias discutem o envio de tropas de paz para garantir um eventual cessar-fogo. Moscou, no entanto, encara essa possibilidade como uma provocação e um risco de escalada ainda maior do conflito.

Fotos: Reprodução/Google
O futuro do cessar-fogo está por um fio. As exigências russas são duras, e a Ucrânia resiste. O mundo aguarda: haverá um acordo histórico ou a guerra está longe do fim?
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.