Estado chegou a 989 profissionais, mas associação de municípios aponta necessidade de dobrar o número para atender a demanda do interior
Desde a recriação, em 2023, o programa Mais Médicos ampliou em 169% a presença de profissionais no Amazonas. O estado é um dos que mais sofre para levar médicos ao interior, devido às distâncias e à baixa infraestrutura. Apesar do avanço, a avaliação é de que o número precisa dobrar para que todos os municípios tenham o quadro ideal.
Em 2022, durante o programa Médicos pelo Brasil, eram 377 profissionais atuando no Amazonas. Em 2023, o número mais que dobrou até chegar a 918. Em 2024, o total chegou a 957 médicos, consolidando o terceiro ano consecutivo de crescimento. Já em 2025, o número alcançou 989 profissionais.
O presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM), Anderson Sousa, atribuiu o crescimento do número de médicos ao retorno de investimentos do governo federal no programa, que, segundo ele, ficou parado no governo anterior. “O governo Bolsonaro tirou o Mais Médicos, que era aquele programa que o presidente Lula criou, e a Dilma manteve. Esse programa retornou e é muito importante. A questão de ter o pessoal trabalhando, dando essa assistência aos municípios, foi retirada na época. Na retirada dele, os municípios ficaram acéfalos”, disse.
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Ele destacou que as oportunidades funcionam como uma via de mão dupla: atendem tanto os médicos, que precisam de oportunidades, quanto os municípios, que enfrentam dificuldades para manter esses profissionais atuando em áreas mais distantes.
“Antes, a gente tinha 500 médicos e chegamos a 600 médicos no interior. Na época que o presidente Lula criou o programa, a gente precisava muito dos médicos cubanos, porque não tínhamos tantos médicos no Brasil. Agora, temos muitos médicos e poucas oportunidades. E agora, quando se abre o edital para fazer o cadastramento, todo o interior dos estados, no Brasil inteiro, cadastra os médicos generalistas, no caso clínico geral, que é diferente dos especialistas, que também têm seu programa específico”, informou.
O presidente da associação afirmou que, com os novos programas, os municípios estão em busca de contratações de especialistas também, para tornar o interior mais preparado. “Um exemplo é o Careiro Castanho, que abriu cadastramento para especialistas. A prefeitura criou o programa para médico especialista e está esperando a verba, pois, até o momento, está pagando com os próprios recursos”. Apesar do crescimento, Sousa explicou que é preciso de mais mil médicos, ou seja, dobrar o atual número (989) para suprir a necessidade dos municípios.
“Em Tapauá, tinha vaga para três equipes e já está preenchido, mas o ideal, por conta das distâncias geográficas, seria 10 equipes. Rio Preto tem vagas para 12, tem 10 preenchidas, mas deveria ser 20”, informou. Segundo a associação, cada médico é enviado ao interior em equipe, composta por dentista, enfermeiro, gerência e outros profissionais da saúde. Com as novas regras do governo federal, esses municípios também passaram a receber recursos para contratações, o que explica o crescimento das equipes.
Especialistas ainda fazem falta

O secretário de Saúde de Caapiranga (a 185 quilômetros de Manaus), José Orclanio Souza, informou que a cidade está entre as beneficiadas e voltou a contar com um quadro mais completo de médicos. “O Mais Médicos começou aqui em 2014, com os médicos cubanos que vieram. Depois, teve uma mudança de governo e ficou um tempo parado. Agora que o novo governo assumiu, o programa retornou. Com isso, nós temos cinco novos médicos. Três deles trabalham na sede do município e os outros dois trabalham na zona rural”, contou.
Para ele, o Mais Médicos tem um papel essencial em garantir o funcionamento da saúde do interior de forma efetiva. “Esse retorno do Mais Médicos, acredito que não só em Caapiranga, mas em todo o interior do Amazonas, como no Brasil todo, foi um projeto de grande importância na área da saúde. Fortaleceu a saúde do município. Hoje, temos um quadro de médicos muito bom, com profissionais excelentes, graças a esse programa”, informou.

Fotos: Reprodução/Google
Na quinta-feira (15), Caapiranga recebeu uma visita in loco de representantes do Ministério da Saúde para conhecer a realidade e também verificar o funcionamento das Unidades Básicas de Saúde. O secretário ressaltou que a saúde pode se desenvolver ainda mais caso o programa para especialistas se estenda a todos os municípios do interior, evitando que a população gaste com transporte até a capital para realizar consultas com especialistas. “O Mais Médicos vai se estender para o Mais Especialistas. Estão colocando nos municípios da região metropolitana, Itacoatiara, Parintins e Manaus. Então, possivelmente, eles vão estender também para o interior e, se tiver, isso vai melhorar muito a vida das pessoas do interior, que não vão precisar se deslocar para longe para ter acesso a especialidades”, destacou Sousa.
O secretário de Saúde de Boca do Acre, Manuel Barbosa, afirmou que o retorno do programa repara um problema que a maioria dos municípios distantes enfrenta: a falta de profissionais na área. “Eu acompanhei isso desde o início, a falta de médico, a dificuldade de levar médico para o interior do nosso estado, e eu lhe garanto que o programa Mais Médicos veio realmente para cobrir essa lacuna. Essa falta de médicos era muito vista, principalmente nas regiões de difícil acesso”. Barbosa informou que agora o desafio é expandir a presença de especialistas no interior. “Atualmente, em Boca do Acre, paga-se cerca de R$ 80 mil por um cirurgião, R$ 40 mil por um pediatra e, para manter um anestesista por 30 dias, o valor varia de R$ 150 mil a R$ 180 mil. Além disso, a maioria dos profissionais está concentrada nos grandes centros e nas capitais”, ressaltou o gestor.
Fonte: com informações Acrítica
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