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Mulher em pauta - 15/12/2025

Primeira mulher CEO do futebol, Roberta Fernandes fala sobre trajetória no Fluminense

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Foto: Reprodução/Google

Ao assumir uma das cadeiras mais altas do clube, a advogada abriu caminhos em espaços predominantemente masculinos

Diretora jurídica no Fluminense e a primeira mulher a assumir o cargo de CEO em uma instituição no futebol brasileiro, Roberta Fernandes construiu uma trajetória marcada pela quebra de barreiras em um ambiente historicamente masculino. “Assumir oficialmente a direção foi um dos grandes marcos da minha carreira”, conta.

 

Ao longo de três anos, ela liderou o clube acumulando também as responsabilidades jurídicas, até deixar uma das cadeiras após a gravidez. “De 2014 a 2017 eu respirava o clube 24 horas por dia. Realmente encontrei meu lugar ali e normalizei a minha presença”, afirma. Mas a relação de Roberta com o Fluminense começou muito antes da sua carreira no direito. A combinação de três cores fez o seu coração bater mais forte ainda menina, quando pisou pela primeira vez no Maracanã ao lado do pai para assistir a um clássico carioca: Flamengo x Fluminense. Mesmo cercada pela torcida rubro-negra, Roberta se encantou pelo tricolor verde, grená e branco.

 

Tomada por um amor imediato, ela viu o Fluminense vencer de virada e ainda hoje guarda cada detalhe daquele dia. “Meu pai, flamenguista roxo, precisou aceitar que eu estava apaixonada e que seria uma tricolor”, lembra. Desde então, Roberta seguiu acompanhando o time de perto, sempre com carinho e, claro, vestindo a camisa tricolor. “Eu ia às Laranjeiras para assistir aos treinos e aos jogos. Para minha sorte, tive um grupo de amigas tricolores, que me acompanhavam em tudo também”, conta.

 

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E assim, viu de perto capítulos marcantes da história do clube, entre eles, o gol de barriga de Renato Gaúcho, que completou 30 anos em 2025. Frequentou os treinos do Marcão, então jogador, que anos depois assumiu os cargos de auxiliar técnico e técnico da equipe. “Fui a melhor espectadora, porque jogadora, realmente, eu não poderia ser mesmo se quisesse muito”, afirma.

 

Longe dos gramados

 

Sem habilidade com a bola nos pés, Roberta iniciou sua trajetória profissional longe dos gramados. Foi nas passarelas que ela deu os seus primeiros passos como modelo. “Aos 12 anos, impulsionada pela minha amiga Lisandra Souto, comecei a viver esse universo.” O sonho inicial era atuar em novelas, mas uma negativa em um teste abriu espaço para um novo caminho. “Fiquei muito triste, mas logo surgiu a oportunidade de desfilar para uma marca de alta costura, especializada em casamentos, e eu amei”, diz.

 

Roberta viajou a trabalho conhecendo marcas e lugares ao longo da adolescência. Mas, ao concluir o ensino médio, percebeu que desejava encontrar uma profissão que fizesse diferença na sociedade. “Eu sempre quis deixar um legado, ou melhor, fazer algo que realmente fosse impactante na vida de outras pessoas.” Ela escolheu cursar direito, enquanto buscava entender de que forma poderia unir propósito e impacto social. “Fiz o curso conciliando com a minha carreira de modelo e também consegui logo no início da faculdade uma bolsa integral para estagiar no Procon”, detalha.

 

Durante essa fase de estudante, Roberta passou uma temporada na Califórnia para fazer uma qualificação e lá encontrou um amor. “Em meio a toda essa rotina, ainda vivi um relacionamento que depois virou à distância”, explica. Ao concluir a faculdade, ela precisou decidir se ficaria em definitivo no país ou se mudaria para a América do Norte. Mas o resultado de um exame médico fez Roberta permanecer no Rio de Janeiro. “A decisão de ficar impactou no fim do meu relacionamento e, para me ajudar a seguir em frente, me enfiei nos livros.”

 

A manchete de jornal

 

Até que uma notícia estampada no jornal impresso transformou seus objetivos. “Era uma matéria sobre as dívidas dos clubes de futebol, e aquilo despertou em mim uma vontade enorme de entender como funcionava o departamento jurídico de um clube.” Por meses, Roberta se dedicou a pesquisar os processos envolvendo o Fluminense nos tribunais, analisando cada detalhe para elaborar uma estratégia jurídica realista. Ela também desenvolveu uma hipótese de segurança preventiva, uma medida de proteção que pretendia apresentar à diretoria do clube. “Comecei a estruturar tudo na minha cabeça, sem conhecer ninguém no Fluminense”, relembra.

 
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Roberta marcou um horário com o vice-presidente jurídico do clube, que mantinha um escritório no centro da cidade, como se fosse uma cliente comum. “Fui com a cara e a coragem, o currículo na mão e um relatório completo com todos os processos do clube, além, claro, da minha vontade de trabalhar no time do meu coração.” 

 

Fonte: com informações IstoÉ

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