?Portugal está a envelhecer. E as pessoas de hoje não são as de há 50 anos: têm mais saúde, vitalidade, formação, e não podem ser descartadas?, afirma Marcelino.
O envelhecimento da população portuguesa impõe um novo paradigma ao mercado de trabalho. Em vez de tratar a faixa etária dos 50+ como um grupo à margem da produtividade, é hora de reconhecê-la como uma peça central para o futuro econômico e social do país. A jornalista e especialista em desenvolvimento humano, Anabela Marcelino, destacou em suas redes sociais a urgência de repensar o papel das pessoas com mais de 50 anos no ambiente profissional. E não se trata apenas de inclusão: trata-se de sobrevivência econômica.
“Portugal está a envelhecer. E as pessoas de hoje não são as de há 50 anos: têm mais saúde, vitalidade, formação, e não podem ser descartadas”, afirma Marcelino. Em sua reflexão, Anabela recorre ao exemplo do Japão — uma nação desenvolvida, tecnologicamente avançada e com uma das populações mais envelhecidas do mundo. No país asiático, a velhice é sinônimo de sabedoria, respeito e dignidade. Desde cedo, as crianças aprendem que os mais velhos devem ser honrados, e isso se traduz em políticas públicas, cultura organizacional e práticas sociais.
A valorização da experiência acumulada transforma os idosos em ativos sociais e econômicos, e não em passivos. A longevidade produtiva é incentivada pelo Estado e acolhida pelas empresas. Um contraste com a realidade portuguesa, onde muitas vezes, pessoas a partir dos 50 anos já são tratadas como “inaproveitáveis”.
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Anabela faz um alerta direto: uma pessoa de 40, 50 ou 60 anos não é idosa — embora o mercado, muitas vezes, trate essa faixa como descartável. A consequência disso é dupla: por um lado, o país perde força de trabalho qualificada e experiente; por outro, amplia-se o contingente de pessoas fora do mercado, com impactos na Previdência e no consumo.
A solução, segundo ela, deve ser conjunta e estratégica. De um lado, é preciso que os governantes criem incentivos claros à formação continuada dos 50+, com bolsas de estudo, acesso ampliado às universidades e programas específicos para o desenvolvimento de competências digitais, técnicas e empreendedoras.

Fotos: Reprodução/Google
Do outro, as empresas precisam investir em seus quadros seniores, abrindo espaço para o crescimento interno e o aproveitamento da bagagem acumulada. Modelos de mentoria, requalificação e jornadas flexíveis são algumas das ferramentas possíveis para esse processo. A mensagem final é para os próprios profissionais com mais de 50 anos. “Saiam da vossa zona de conforto”, pede Anabela. Segundo ela, não basta esperar oportunidades — é preciso buscá-las, estar aberto à aprendizagem, adaptar-se às mudanças e mostrar ao mercado que envelhecer não significa estagnar.
Se bem estruturado, esse movimento pode impulsionar a economia, atrair investimentos, elevar salários e criar condições de trabalho mais dignas para todas as gerações. O debate proposto por Anabela Marcelino vai além de um apelo inspirador: trata-se de uma exigência estrutural. Portugal precisa urgentemente abraçar a longevidade ativa como um dos pilares de sua sustentabilidade social e econômica.
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