30 de Abril de 2026

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Segurança Pública - 04/12/2025

PF investiga ligação de Castro com proteção ao Comando Vermelho na Alerj

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Foto: Reprodução/Google

Governador exonerou secretário logo após operação para que ele retomasse vaga de deputado que estava com o suplente TH Joias

Um despacho do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), está na mira da Polícia Federal (PF) e é considerado a primeira digital do chefe do Executivo fluminense na investigação sobre os tentáculos do Comando Vermelho (CV) dentro do Palácio Guanabara.

 

O ato, assinado por Castro de última hora, obrigou a publicação de uma edição extraordinária do Diário Oficial do Estado em 3 de setembro deste ano, na tarde do dia em que o ex-deputado TH Joias, Thiego Raimundo dos Santos Silva, havia sido preso pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro, compra de armas e drones e relações suspeitas, pessoais, com os chefes da facção no Estado.

 

Na ocasião, o governador exonerava às pressas o então secretário estadual de Esporte e Lazer, Rafael Picciani (MDB), filho e principal herdeiro político do falecido político Jorge Picciani, que foi preso pela PF quando era presidente da Alerj, assim como Rodrigo Bacellar, atual presidente da Casa, preso nesta quarta-feira, 3. O Estadão procurou o governo do Rio de Janeiro e a Alerj e aguarda retorno.

 

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A manobra, segundo fontes ligadas à investigação ouvidas pelo Estadão, tinha como objetivo forçar diplomaticamente a saída do cargo de TH Joias, evitando assim que a Alerj fosse obrigada a votar a manutenção ou relaxamento da prisão, como mandam as regras no Estado.

 

A explicação é essa: TH Joias era o segundo suplente do partido. Com a morte do deputado Otoni de Paula Pai, em maio do ano passado, uma vaga foi criada no Parlamento. O primeiro suplente, Rafael Picciani, no entanto, decidiu não assumir o cargo e migrou para o secretariado de Castro, abrindo caminho para TH assumir. Com a volta de Picciani, o deputado preso automaticamente perderia seu assento na Casa – assim, não haveria motivo para avaliar sua prisão. O movimento, feito em uma articulação relâmpago entre as autoridades, é visto como uma tentativa de driblar um processo político que poderia expor a Casa de duas maneiras, a depender do resultado da votação, que tinha 45 dias para ocorrer.

 

A primeira forma seria ir em frente com uma medida impopular: tirar da prisão um parlamentar que já havia sido preso por tráfico anteriormente e que, naquele momento, era suspeito de ter ligação direta com a cúpula do CV. A outra opção, caso a prisão fosse mantida, poderia ter impactos mais desastrosos e terminar com o rompimento com o braço do CV dentro do Legislativo, passando um recado de destruição de pontes com os líderes do tráfico.

 

No dia de toda a movimentação, Castro ainda foi às redes sociais falar sobre a manobra, hoje vista como suspeita pela PF. “Por minha determinação, o deputado estadual Rafael Picciani está retomando seu mandato na Assembleia Legislativa. Ele substitui o deputado estadual TH Joias, preso hoje em ação conjunta das polícias Civil e Federal e do Ministério Público”, publicou o governador, que aparece ao lado de TH em várias fotos divulgadas na internet.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Na decisão que determinou a prisão de Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, nesta quarta-feira, 3, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dO despacho do governador é classificado como uma “célere manobra regimental” que, como efeito imediato, tinha como objetivo fazer um “controle de danos” tirando o parlamentar do posto, “visando desvincular a imagem da Alerj do investigado TH Joias, que, como é de conhecimento público, era aliado político e presença constante em eventos institucionais dos Poderes Executivo e Legislativo”.

 
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Em um segundo momento, dizem os investigadores, a estratégia implementada com essa “ação obstrutiva” seria obter “a manutenção do vínculo desses agentes políticos com o Comando Vermelho, facção responsável pelo maior controle territorial do Estado do Rio de Janeiro, o que se traduz em milhões de votos no pleito eleitoral que se avizinha”.

 

Por fim, Moraes determinou ao governo do Rio o fornecimento de todas as informações de acesso aos sistemas online oficiais em que tramitaram documentos referentes à exoneração de Picciani do cargo de secretário de Estado, “com horário, usuário responsável, logs de acesso e demais dados disponíveis”. O ministro do STF mandou ainda que a Imprensa Oficial do Estado forneça os dados e horários referentes ao pedido para a criação da edição extraordinária do dia 3 de setembro de 2024.á a entender que todo o trâmite, endossado e assinado por Castro, tenha relação com a necessidade de garantir votos para as eleições de 2026. 

 

Fonte: com informações IstoÉ

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