Nascido em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, filho de imigrantes italianos, Bergoglio estudou química antes de ingressar na Companhia de Jesus.
Em 2013, a fumaça branca anunciou uma surpresa histórica. O cardeal Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, foi eleito Papa, tornando-se o primeiro pontífice das Américas, o primeiro jesuíta e o primeiro não europeu em mais de mil anos a assumir o trono de Pedro.
Nascido em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, filho de imigrantes italianos, Bergoglio estudou química antes de ingressar na Companhia de Jesus. Como jesuíta, destacou-se pela simplicidade, pela defesa dos pobres e pelo compromisso com a justiça social. Foi ordenado sacerdote em 1969, tornou-se bispo em 1992 e cardeal em 2001.
Ao ser eleito Papa, escolheu o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, símbolo da humildade, da paz e da preocupação com os mais marginalizados. Desde então, tem transformado a imagem do papado com gestos simbólicos, como lavar os pés de presidiários, visitar campos de refugiados e falar abertamente sobre temas sociais, ambientais e até eclesiais.
Veja também

Páscoa: entenda quais são as origens e significados da data
Páscoa: entenda a transição de ovos decorados para ovos de chocolate
A confirmação da morte e o fim de um reinado
Quando um Papa morre, um dos rituais mais antigos e simbólicos da Igreja Católica se põe em marcha. Milhões de fiéis talvez vejam apenas uma fumaça no céu de Roma, mas por trás daquele sinal está um processo repleto de tradição, segredos e poder. O primeiro a saber oficialmente da morte do Papa é o Camerlengo, uma figura-chave no Vaticano. É ele quem se aproxima do corpo, pronuncia o nome de batismo do Pontífice por três vezes e, diante do silêncio inevitável, declara sua morte. Em seguida, os aposentos papais são lacrados, e o famoso anel do pescador, símbolo do poder papal, é quebrado — um gesto que simboliza o fim de um reinado e impede o uso fraudulento do selo papal.
Durante nove dias de luto, missas e homenagens se espalham pelo mundo. Um bilhão e quatrocentos milhões de católicos vivem um tempo de oração e expectativa. Enquanto isso, dentro dos muros do Vaticano, prepara-se o Conclave, reunião secreta dos cardeais com o objetivo de eleger o novo sucessor de São Pedro.
Segredo absoluto: o Conclave
O Conclave acontece na Capela Sistina, local sagrado e isolado de qualquer contato externo. Os cardeais, a portas fechadas, votam em cédulas de papel, rodadas após rodada, até que um nome atinja dois terços dos votos. Pode levar dias, semanas — e, na história, até anos. A eleição mais longa, entre 1268 e 1271, durou quase três anos.
Embora qualquer homem batizado no catolicismo possa, em teoria, ser eleito Papa, na prática são os cardeais que disputam esse posto. E eles, historicamente, favorecem candidatos italianos: dos 266 Papas até hoje, 217 nasceram na Itália.
O sinal ao mundo: a fumaça branca

Do lado de fora, fiéis observam a pequena chaminé da Capela Sistina. A cada rodada de votos, os papéis são queimados. A fumaça preta indica que nenhum nome foi escolhido. Mas quando sobe a fumaça branca, o mundo inteiro celebra: Habemus Papam — temos um Papa.
A morte de um Papa não é apenas o fim de uma era — é o início de um processo milenar que une o sagrado e o estratégico. Um ritual secreto que ecoa pelas praças do Vaticano e pelas telas do mundo inteiro. E quando a próxima fumaça branca subir ao céu romano, uma nova história começará a ser escrita — guiada por fé, tradição e a esperança de um bilhão de corações católicos.
A morte do Papa Francisco encerra um capítulo marcante na história da Igreja Católica. Seu pontificado foi pautado por gestos concretos de humildade, palavras firmes em defesa dos mais vulneráveis e uma abertura inédita para os desafios contemporâneos da humanidade.

Fotos: Reprodução/Google
Francisco não apenas habitou o trono de Pedro — ele caminhou entre o povo, tocou as feridas sociais do nosso tempo e fez ecoar, com coragem, a compaixão evangélica nas periferias do mundo e da alma humana. Sua opção preferencial pelos pobres, seu apelo à ecologia integral e seu olhar misericordioso diante das fragilidades humanas marcaram profundamente a espiritualidade e a ação pastoral da Igreja no século XXI.
Mais do que documentos ou discursos, Francisco deixará como herança um estilo de ser Igreja: próximo, acolhedor, despojado e comprometido com a dignidade de cada pessoa. Um pastor que desafiou a indiferença global e inspirou um catolicismo que cuida, escuta e se reconcilia com a criação.
Ao partir, deixa ao mundo um testemunho vivo de que é possível exercer autoridade com ternura, e guiar milhões com a força do amor e da coerência. Seu legado transcende fronteiras, religiões e ideologias — porque foi, acima de tudo, humano. E, sob as cúpulas do Vaticano e os olhos do mundo, ecoará por muito tempo o nome do Papa que quis ser chamado simplesmente de Francisco.
Portal Mulher Amazônica
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.