03 de Maio de 2026

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Educação - 25/08/2025

País precisa dar prioridade política à alfabetização, diz especialista

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Foto: Reprodução/Google

Apesar de ser considerado "velho", problema não foi superado

O futuro da educação brasileira passa, inevitavelmente, pela alfabetização. Até o fim de 2025, o governo federal espera que 64% dos estudantes do 2º ano do ensino fundamental estejam plenamente alfabetizados — uma meta considerada modesta diante do desafio nacional e das desigualdades regionais. A expectativa é que, até 2030, esse índice chegue a 80%, garantindo que a grande maioria das crianças saiba ler e escrever na idade certa.

 

Mas especialistas alertam: o país ainda não deu a devida prioridade política a esse tema. Para Denis Mizne, CEO da Fundação Lemann, a alfabetização precisa ocupar o centro da agenda nacional. “Esse assunto é tratado como velho, mas o problema nunca foi superado. Sem aprender a ler, a criança não aprende mais nada. A alfabetização é a base de tudo”, afirmou em entrevista.

 

O alerta vem acompanhado de dados preocupantes. Em 2024, a meta era alfabetizar 60% das crianças, mas o país “passou raspando”: apenas 59,2% dos 2 milhões de alunos avaliados em 42 mil escolas atingiram o nível esperado. Se o Rio Grande do Sul não tivesse sofrido as enchentes que comprometeram a aprendizagem, o Brasil teria ultrapassado o índice. Ainda assim, quase metade das crianças brasileiras não consegue ler nem compreender frases simples no tempo adequado — um atraso que compromete todo o ciclo escolar.


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O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, lançado em 2023 pelo MEC, já conta com a adesão de todos os estados e de 99% dos municípios. Trata-se da maior articulação já feita em torno da alfabetização no Brasil. A iniciativa prevê recursos para formação de professores e apoio a estudantes com maior dificuldade, mas parte do dinheiro ainda não é usada de forma eficiente, segundo Mizne. “Há recursos disponíveis, mas é preciso executar bem. Também precisamos buscar as crianças mais vulneráveis, aquelas que mais correm risco de ficar para trás”, reforça.

 

A experiência de municípios pobres, como Sobral (CE), mostra que é possível mudar a realidade. Em apenas uma década, Sobral saltou de posições intermediárias para o topo do ranking nacional de educação, tornando-se referência mundial. A chave foi simples, mas decisiva: prioridade política, foco em resultados, acompanhamento permanente e valorização do aprendizado real. Hoje, o Ceará inspira outras redes a acreditarem que alfabetizar a quase totalidade das crianças é possível, independentemente do nível socioeconômico.

 

As consequências de não enfrentar esse desafio são graves. Crianças que não aprendem a ler no início da escolarização acumulam frustrações, têm baixo desempenho e, muitas vezes, abandonam os estudos nos anos seguintes. Para o país, isso significa perpetuar desigualdades, reduzir a produtividade e comprometer o desenvolvimento econômico e social.


Fotos: Reprodução/Google

 

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Apesar dos avanços recentes, o Brasil ainda tem 40% das suas crianças sem a alfabetização plena na idade certa. Para Mizne, não há espaço para ilusões: “Não existe milagre na educação. Ignorar os primeiros anos é cavar um buraco que nunca se recupera. A alfabetização precisa ser uma prioridade de Estado, e não apenas de governo.”


Fonte: com informações da Agência Brasil

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