30 de Abril de 2026

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Geral - 11/11/2025

Pai mata filho autista para se livrar da pensão alimentícia: até onde o ser humano pode chegar?

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Foto: Reprodução/Google

A confissão foi confirmada pela Polícia Civil da Paraíba, por meio do delegado Bruno Germano, em entrevista à CBN João Pessoa.

Um crime brutal abalou o país nesta semana. Davi Piazza Pinto, pai do menino Arthur Davi Velasquez, de 11 anos, diagnosticado com autismo e deficiência visual, confessou ter assassinado o próprio filho para se livrar do pagamento da pensão alimentícia, no valor de aproximadamente R$ 1,8 mil mensais.

 

A confissão foi confirmada pela Polícia Civil da Paraíba, por meio do delegado Bruno Germano, em entrevista à CBN João Pessoa. O crime ocorreu após o homem levar o menino para passar alguns dias com ele em João Pessoa (PB). Segundo as investigações, a criança foi morta por asfixia, e o corpo foi encontrado em uma área de matagal no bairro Colinas do Sul. Davi foi preso em Florianópolis (SC), onde morava, e confessou o assassinato em depoimento à Polícia Civil. Ele alegou estar endividado e afirmou que o valor da pensão pesava em seu orçamento. “Ele disse que estava desesperado e que via o filho como uma obrigação financeira”, relatou o delegado.

 

A mãe do menino, Aline Lorena, relatou em entrevista ao G1 que preparou tudo para a estadia do filho com o pai — roupas, alimentos e cuidados adaptados à condição do menino. “Meu filho era alegre, amoroso, confiava no pai. Nunca imaginei que ele pudesse fazer isso”, disse, emocionada.

 

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Motivação fútil e o colapso da empatia

 

 

O caso expõe uma faceta sombria da sociedade contemporânea: o colapso da empatia diante das pressões econômicas e emocionais. A vida de uma criança com deficiência foi tirada não por impulso, mas por cálculo frio — uma tentativa de “alívio” financeiro. Especialistas em psicologia forense destacam que crimes como esse revelam um esvaziamento moral em que o outro — mesmo um filho — passa a ser reduzido a um custo. A justificativa financeira dada por Davi, considerada “totalmente fútil” pela Polícia Civil, é um retrato alarmante da deterioração de valores fundamentais como o amor, o cuidado e a responsabilidade parental.

 

Em um contexto de crescente desumanização, o caso levanta uma questão perturbadora: até onde o ser humano está disposto a ir para escapar de seus deveres morais e afetivos?

 

Responsabilidade legal e ética

 

 

No Brasil, a pensão alimentícia é um dever legal previsto no Código Civil e garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O não pagamento pode levar à prisão civil do devedor, penhora de bens ou bloqueio de contas. No entanto, o crime cometido por Davi ultrapassa qualquer fronteira jurídica — trata-se de uma violação irreparável do princípio da proteção integral da infância e da dignidade humana.

 

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a pensão alimentícia não é uma punição, mas uma obrigação moral e social para garantir o bem-estar da criança. O caso, portanto, não apenas choca pela brutalidade, mas revela o quanto a compaixão e o senso de humanidade precisam ser urgentemente resgatados.

 

Reflexão final: o preço da indiferença

 

Fotos: Reprodução/Internet

 

Quando uma vida é sacrificada para “economizar” um valor financeiro, a sociedade precisa olhar para dentro de si.
Estamos diante de um crime que não se resume às páginas policiais — ele é um espelho doloroso de como a fragilidade moral pode ultrapassar os limites da razão.

 
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Um menino de 11 anos, autista e cego, dependia da proteção de quem mais deveria amá-lo. No entanto, encontrou nas mãos do próprio pai a sentença final. A pergunta que permanece é devastadora: o que ainda nos resta de humanidade quando um valor em reais vale mais do que uma vida?

 

Fontes:
Direito News – Pai de menino autista matou o próprio filho para deixar de pagar pensão alimentícia, diz polícia
 

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