Embora sejam utilizados em pequenas quantidades, a ausência desses elementos pode paralisar setores inteiros da indústria moderna.
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de tecnologias que moldam a economia e a geopolítica do século XXI — desde smartphones, veículos elétricos e turbinas eólicas, até aviões de caça, submarinos e mísseis guiados. Embora sejam utilizados em pequenas quantidades, a ausência desses elementos pode paralisar setores inteiros da indústria moderna.
O maior poder da China neste cenário vem justamente do controle sobre a cadeia global de fornecimento. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), 70% da produção mundial vem de minas chinesas, com destaque para Bayan Obo, no norte do país, considerada a maior do mundo.
Apesar do nome, as terras raras não são tão raras — estão presentes em diferentes partes do planeta, mas em concentrações baixas, o que torna a extração economicamente viável apenas em poucos locais. Os elementos mais estratégicos incluem:
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• Neodímio (Nd) e Praseodímio (Pr) — usados na produção de ímãs permanentes extremamente potentes e duráveis, que mantêm suas propriedades magnéticas por décadas. Essenciais para motores de carros elétricos, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos de alta performance.
• Térbio (Tb) — utilizado para aprimorar a eficiência de ímãs e em telas de LED, com preço que pode ultrapassar 850 euros/kg (R$ 5.460).
• Dysprósio (Dy) — aumenta a resistência térmica dos ímãs, fundamental para equipamentos militares e de exploração em altas temperaturas.
Para efeito de comparação, enquanto o minério de ferro custa cerca de R$ 0,60/kg, o neodímio e o praseodímio chegam a 55 euros/kg (R$ 353).
O poder estratégico da China

A liderança chinesa no setor não se limita à mineração. O país também domina as etapas de refino e processamento, onde o minério bruto é transformado em compostos e ligas prontos para uso industrial. Mesmo países com reservas — como Austrália, Estados Unidos e Groenlândia — enviam parte de sua produção para ser refinada na China.
Essa posição estratégica já foi usada como arma geopolítica. Em 2010, durante uma disputa territorial com o Japão, Pequim reduziu temporariamente as exportações de terras raras, provocando aumentos bruscos nos preços e evidenciando a dependência global. Com a crescente demanda impulsionada pela transição energética e pela corrida tecnológica, outros países vêm tentando reduzir a dependência da China:
• Austrália: A mina de Mount Weld é uma das mais promissoras fora do território chinês.
• Estados Unidos: O complexo Mountain Pass, na Califórnia, busca retomar relevância.
• União Europeia: Investe em pesquisa para reciclagem e reuso dos elementos.
• Brasil: Possui reservas em estados como Goiás e Minas Gerais, e estudos indicam potencial competitivo, embora ainda faltem investimentos robustos na cadeia produtiva.
O futuro das terras raras

Fotos: Reprodução/Google
A demanda por esses minerais deve dobrar até 2035, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), impulsionada pela eletrificação de transportes, expansão da energia renovável e aumento do uso de dispositivos conectados.
No curto prazo, a China continuará sendo o ator central, mas disputas comerciais e pressões ambientais podem abrir espaço para novos produtores. Enquanto isso, neodímio, praseodímio, térbio e outros elementos discretos seguem sendo os trunfos invisíveis que sustentam a supremacia chinesa na era digital.
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