A programação do evento, que começou às 9h, incluiu palestras e discussões sobre desafios e oportunidades no cuidado da população idosa
A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Amazonas (OAB/AM), por meio da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa, promoveu um importante evento sobre o envelhecimento, abordando a senescência (envelhecimento normal) e a senilidade (envelhecimento patológico) como partes naturais do processo humano. O encontro destacou a necessidade de atenção às vulnerabilidades enfrentadas pelos idosos, como a exposição a situações de violência e a perda de capacidade funcional.
A programação do evento, que começou às 9h, incluiu palestras e discussões sobre desafios e oportunidades no cuidado da população idosa, enfatizando a importância de conselhos nacionais e políticas sociais voltadas ao bem-estar dessa população. O Dr. Rafael Castelo Branco, presidente do Conselho Nacional do Idoso, trouxe à tona esses aspectos durante a primeira palestra.
O Reitor da Universidade da Terceira Idade (FUNATI), Dr. Euler Ribeiro, tratou de pilares fundamentais para o envelhecimento saudável, abordando adversidades e estratégias para melhorar a qualidade de vida na terceira idade. Sua palestra reforçou a importância da promoção de saúde e cuidados especializados.
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Desembargadora Mirza Telma
Durante a tarde, o Dr. Marcelo Pinheiro, defensor público, e a Dra. Andrea Nascimento, delegada dos idosos, destacaram temas de cidadania digital, marcos legais e institucionais voltados à proteção da pessoa idosa. O evento também contou com uma homenagem especial aos advogados com mais de 60 anos que contribuíram significativamente para a OAB/AM, além de uma atração musical e um coffee break que encerrou as atividades.
Dra. Yacy Derzi, presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB Amazonas, destacou a importância do I Workshop Envelhecimento: A Sabedoria em Foco para uma Longevidade Digna e Respeitosa como uma iniciativa essencial para fortalecer a conscientização sobre os direitos e desafios enfrentados pelos idosos, além de incentivar políticas inclusivas e oferecer apoio contínuo a essa importante parcela da população. O evento contou com a condução impecável da professora Arlete Anchieta, Conselheira Titular do CONSEA pela Sociedade Civil Organizada (Movimento Negro – FOPAAM), que, com maestria, atuou como cerimonialista, garantindo o andamento harmonioso do workshop.

Dra. Yacy Derzi, presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB /AM
A Desembargadora Mirza Telma de Oliveira Cunha, presente no evento, destacou a importância dos projetos que estão sendo desenvolvidos pelo Tribunal de Justiça, com foco em palestras educativas e ações de conscientização, além da criação da Cartilha do Idoso. Ela enfatizou que o aspecto mais importante é a atenção, o respeito e a consideração que todos devemos ter para com os nossos idosos.
Dra. Mirza Telma ressaltou o papel crucial da sociedade em garantir que os idosos sejam tratados com a dignidade que merecem, através de iniciativas que promovam a inclusão e o respeito. "É muito triste ver que, após uma vida inteira de luta e trabalho, o idoso é frequentemente relegado ao abandono e ao descaso. Precisamos reconhecer que essas pessoas, que nos antecederam, foram as responsáveis por abrir as portas e criar as oportunidades que hoje desfrutamos. Elas merecem ser tratadas com dignidade, respeito, amor e carinho. O idoso não é um peso para a sociedade; ele é alguém que nos amou, cuidou de nós, e agora é o momento de retribuirmos esse cuidado. Precisamos entender que eles não são um fardo, mas sim parte essencial de nossas vidas e merecem ser valorizados em cada etapa de suas jornadas."
Durante a palestra da Dra. Andrea Nascimento, delegada da Delegacia do Idoso, foi enfatizado a realidade alarmante enfrentada diariamente: denúncias frequentes de violência, fome, pobreza e negligência por parte dos próprios familiares. Ela destacou que, muitas vezes, os idosos desconhecem seus próprios direitos, o que agrava ainda mais sua vulnerabilidade. A delegada ressaltou a importância crucial da existência de uma delegacia específica para a pessoa idosa, que serve como um canal essencial para garantir proteção e justiça para essa população que muitas vezes é ignorada ou deixada de lado.

Arlete Anchieta, Conselheira Titular do CONSEA pela Sociedade Civil
Organizada (Movimento Negro – FOPAAM)
No evento, a Dra. Andrea também apresentou uma estatística impressionante, revelando que, até 15 de outubro de 2024, foram registrados mais de 3.400 boletins de ocorrência envolvendo situações relacionadas a idosos, além de mais de 1.900 denúncias anônimas e outros tipos de relatos. Esses números são um claro indicativo da seriedade e da urgência da questão, reforçando a necessidade de ações mais efetivas e políticas públicas voltadas para a proteção da pessoa idosa. A delegada chamou a atenção para o papel indispensável de uma delegacia especializada como um ponto de apoio para que os idosos possam ter seus direitos assegurados de maneira eficiente e digna.
Na palestra sobre cidadania digital, o defensor público Dr. Marcelo Pinheiro destacou a vulnerabilidade dos idosos no mundo digital, que, em vez de democratizar o acesso, muitas vezes agrava a exclusão. Ele mencionou que as vulnerabilidades não são apenas econômicas, mas sociais e emocionais, agravadas pela rápida digitalização da sociedade. Com a chegada de tecnologias como a Inteligência Artificial, muitos idosos se sentem isolados e desconectados, enfrentando novos desafios, como golpes digitais e manipulação comportamental.

Dra. Andrea Nascimento, delegada da Delegacia do Idoso
Dr. Marcelo alertou que, embora a introdução de tecnologias seja inevitável, é fundamental que o Estado e a sociedade promovam a inclusão digital segura para os idosos. Ele também destacou a urgência de políticas públicas voltadas à proteção dos direitos da pessoa idosa, que já enfrenta marginalização em diversos níveis.
Além disso, o defensor sublinhou o impacto das tecnologias na criminalidade, que se torna cada vez mais impessoal e sofisticada, expondo os idosos a novos tipos de fraudes. Ele concluiu enfatizando que a sociedade deve adotar uma postura ativa para garantir que os direitos dos idosos sejam respeitados no mundo digital, e que a inclusão digital seja segura e responsável.
A introdução de tecnologias no cotidiano dos idosos precisa ser acompanhada de iniciativas que promovam o uso seguro e responsável dessas ferramentas, minimizando os riscos de isolamento e exposição a crimes cibernéticos. Caso contrário, como alertou o defensor, o sistema judiciário e as instituições de proteção, como a Defensoria Pública, poderão enfrentar uma demanda cada vez maior de casos envolvendo a vulnerabilidade digital dos idosos.
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Dr. Marcelo Pinheiro, defensor público
Essa discussão levanta a importância de debates contínuos sobre o papel das novas tecnologias na vida da pessoa idosa e a necessidade de garantir que o avanço tecnológico caminhe lado a lado com a inclusão e a segurança de todos os cidadãos, especialmente os mais vulneráveis. Segundo ele, mais de 4.500 golpes são aplicados por hora no país, e uma parte significativa das vítimas são pessoas idosas. Contudo, 80% das denúncias que chegam às autoridades não são feitas pelos próprios idosos.
Eventos como esse são um marco para a nossa sociedade. Não apenas trazem à tona a urgência de cuidarmos dos nossos idosos, mas também nos fazem lembrar do legado de sabedoria, história e amor que eles nos deixam. Promover o respeito e a dignidade para a pessoa idosa não é uma escolha, mas uma responsabilidade de todos nós. Eles são os pilares que sustentaram o que somos hoje, e é nosso dever garantir que vivam com a dignidade que merecem, sem medo de serem esquecidos ou desvalorizados.
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Maria Santana, idealizadora do Portal Mulher Amazônica e apresentadora do Ela Podcast destacou a essência do evento, que não apenas discute o envelhecimento, mas também enaltece a importância da gratidão e do respeito àqueles que pavimentaram o caminho para as gerações futuras. “Este workshop é um passo importante, mas deve ser apenas o começo de uma grande jornada de conscientização e ação”, concluiu Maria Santana.
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