06 de Maio de 2026

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Especial Mulher - 10/01/2025

O que o presidente Lula pode ganhar (e perder) com Gleisi na Esplanada

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Foto: Reprodução/Google

Deputada deve deixar a presidência do PT na metade do ano e está cotada para duas pastas em meio às trocas previstas nos ministérios

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já começou a pavimentar a reforma ministerial para a segunda metade do seu governo, mas ainda deverá esperar mais alguns meses para completar as trocas no Palácio do Planalto. Para conseguir agradar “gregos e troianos”, Lula terá que alocar nomes de partidos aliados e até a presidente de sua própria legenda, a deputada federal Gleisi Hoffmann.

 

Gleisi tende a ser a única que não será nomeada neste começo de ano. Ela ainda está no comando do PT até a metade do ano e, mesmo pressionada, não dá sinais de que deve deixar a cadeira antes do prazo. O favorito para presidir o partido no próximo biênio é o ex-prefeito de Araraquara Edinho Silva, que chegou a ser cotado para um ministério palaciano, mas precisou recuar em troca da eleição na legenda.

 

Além de forte aliada de Lula, Gleisi é vista como a responsável por tirar o partido dos frangalhos provocados pela operação Lava Jato. Sob seu comando, o PT retornou à presidência da República e conseguiu aumentar o número de prefeituras em relação às eleições de 2020. O fracasso ficou nas capitais, com o partido ganhando apenas em Fortaleza (CE).

 

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O nome da deputada já era especulado no Palácio do Planalto ainda no governo de transição. Lula queria a parlamentar em algum ministério a todo custo, mas ela mesma recusou o cargo para se manter no comando do PT. Com a saída dela da presidência petista, não haveria obstáculos para que, enfim, ela fosse colocada em algum ministério.

 

O nome de Gleisi foi ventilado para a Secretaria-Geral da Presidência da República, hoje ocupada por Márcio Macedo. O ministro é questionado por interlocutores próximos a Lula, principalmente pela falta de articulação com os movimentos sociais, como os atos esvaziados do Dia do Trabalhador no ano passado.

 

Entretanto, a presidente do PT vai disputar a vaga com Paulo Pimenta, que deixou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) em prol de Sidônio Palmeira. Pimenta também é cotado para assumir um cargo na liderança do governo na Câmara dos Deputados.

 

 

 

Para abraçar Gleisi no Planalto, Lula também cogita alterar o Ministério do Desenvolvimento Social, uma das pastas com maior valor orçamentário e responsável pelo Bolsa Família, além de outros programas sociais. Neste último caso, a medida só seria tomada no futuro.Para efetivar a reforma ministerial, Lula terá que ser cirúrgico em suas decisões. A principal estratégia está em disponibilizar ministérios importantes para seus principais aliados, mas garantir os espaços necessários para outros partidos e até membros do PT visando às eleições de 2026. Esse é o ponto que deve afetar Gleisi Hoffmann.

 

Especialistas ouvidos pelo site IstoÉ acreditam que o destino da deputada será a Secretaria-Geral da Presidência. A parlamentar tem um perfil mais estratégico e poderia ajudar Lula com temas relevantes dentro do Palácio do Planalto.

 

“Eu, particularmente, acredito que é mais fácil, pelo próprio perfil da Gleisi Hoffmann, ela assumir a Secretaria-Geral da Presidência da República. Dentre os demais ministros do quadro do PT especificamente, ela é absolutamente simbólica, com a posição mais firme, mais radical na defesa do partido, dos interesses, das correntes do partido e também do próprio presidente Lula, inclusive dentro dos momentos mais difíceis”, avalia Robson Carvalho, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB).

 

 

 

“A Gleisi Hoffmann seria um nome de interlocução com esses diversos canais internos ao governo e seria o nome da escuta direta e pessoal do presidente da República”, completa. Ele avalia que Gleisi se sairia melhor no comando da pasta que Paulo Pimenta, enquanto o ex-ministro da Secom se daria melhor chefiando a liderança do governo na Câmara dos Deputados. Robson acredita que esse cenário facilitaria as articulações do governo e atenderia todos os lados.

 

“Acho que o Paulo Pimenta será mais importante na articulação do governo na Câmara dos Deputados. Ele tem boa interlocução e pode ajudar a reduzir a fragilidade do governo entre os deputados. A Gleisi no Planalto pode reforçar a equipe próxima de Lula e fortalecer o governo”. A opinião vai de encontro com a do cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo (FGV-EAESP) Eduardo Grin. Ele também acredita que Gleisi deverá seguir para a SGPR, mas aponta uma estratégia política por trás da escolha.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Na avaliação dele, tirar Wellington Dias do Desenvolvimento Social seria uma sinalização de desvalorização dos eleitores nordestinos, podendo prejudicar a campanha à reeleição do governador Rafael Fonteles (PT) no estado. “A saída de Wellington Dias acho que significaria um desprestígio com o Nordeste. Pensa no seu terceiro governo consecutivo, no Piauí, e tem chances reais de que o Rafael Fonteles seja eleito no primeiro turno no ano que vem nas eleições. O Desenvolvimento Social é um cartão de visita do PT, acho difícil tirar o atual ministro de lá”, afirma.

 
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“Dentro desse cenário todo, acredito que Lula vai colocar a Gleisi perto dele. Ela, por ser uma pessoa que o Lula confia muito, vai trabalhar diretamente vinculada a ele no Palácio do Planalto. Lula tem muita confiança naquilo que a Gleisi pode fazer”, ressalta. 

 

Fonte: com informações Recvista IstoÉ

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