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Comportamento - 07/07/2024

O IMPACTO DAS FAKE NEWS: Como o viés de confirmação e os algoritmos das redes sociais alimentam a desinformação

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Foto: Reprodução/Google

Isso quer dizer que tendemos a acreditar em certas fake news apenas porque elas estão de acordo com nossa opinião.

Uma das principais respostas a essa pergunta vem da psicologia e se chama “viés de confirmação”, um termo proposto pelo psicólogo inglês Peter Wason na década de 1960. O viés de confirmação significa que procuramos informações que confirmem nossas crenças e descartamos aquelas que as contradizem. Além disso, o funcionamento das redes sociais intensifica a polarização entre as pessoas.


Isso quer dizer que tendemos a acreditar em certas fake news apenas porque elas estão de acordo com nossa opinião. “Você vai ter vieses políticos, de saúde e de todo tipo. Na medida em que você desenvolve uma opinião, isso faz com que você se torne muito ligado a ela”, explica o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP.

 

“Vamos imaginar que estamos conversando e você fala sobre o time de futebol 'A', mas eu sou torcedor do time 'B'. Eu vou prestar muito mais atenção e valorizar o que diz respeito ao 'B' do que o contrário. Quando recebo informações que não sustentam meu sistema de interpretação, eu tento desqualificá-las.” Segundo Nabuco, nessas situações, usamos uma parte do cérebro voltada para a emoção, e não para a razão.

 

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“Eu vejo uma fake news que fala que algo muito ruim está acontecendo, que um candidato 'A' ou 'B' fez alguma coisa. Eu me sinto impelido a consumir aquilo, e, nesse momento, perco temporariamente meu juízo de valor”, diz o psicólogo.

 

O professor e pesquisador da UFMG Yurij Castelfranchi diz que as mensagens falsas trabalham com gatilhos. “Essas mensagens te deixam em alarme, em pânico, com nojo ou revoltado. Então você sente a necessidade de compartilhar. Se preocupa com as pessoas que você gosta e quer avisá-las sobre esse perigo. As fakes news são feitas de propósito para te dar o gatilho de querer contar para todo mundo”, diz.

 

Nabuco explica que essa reação é mais forte em pessoas com menor senso de pertencimento social, baixa autoestima ou que vivem em situações sociais desfavoráveis.“Por que um indivíduo consome fake news e outro não? Aquele que não consome talvez tenha um bom senso de autoeficácia e conhecimento. Ele pensa: 'Não, espera um pouco. Eu estou bem, está tudo bem. Isso que estou lendo é pouco provável que esteja acontecendo’”, diz Nabuco.

 

 

“Se você estiver com depressão ou passando por um período mais agudo e sofrendo de alguma ansiedade, você fica mais vulnerável. E, hoje, quem não está passando por algum tipo de mal-estar emocional? Para os criadores de fake news, isso é um prato cheio, pois torna o indivíduo muito mais apto a consumir esse tipo de informação.”

 

O professor Yurij Castelfranchi diz que, além das questões individuais, há também as questões coletivas. “Todo ser humano precisa se sentir parte de um grupo. Há uma série de mecanismos psicológicos e biológicos que fazem com que você precise sentir que as pessoas te olham com respeito, te admirem e que você tem uma ligação de solidariedade com elas.”

 

“Se seu grupo social odeia certas pessoas, você vai gostar de acreditar em mensagens que falem mal dessas pessoas, não só porque você as odeia, mas porque você quer se sentir junto com seu grupo. É o efeito manada.”

 

 

Segundo Cristiano Nabuco, o funcionamento das redes sociais colabora com o clima de polarização. “A internet colaborou significativamente, pois os algoritmos customizam a informação. Quando eu entro e clico no candidato 1, curto e comento, o algoritmo vê minha preferência e todos os outros comentários e amigos que pensam diferente são removidos do meu feed. Depois de navegar por alguns dias, eu vou jurar que o candidato 1 é o melhor”, afirma Nabuco.

 

“Se encontro alguém que apoia o candidato 2, aquilo vem com um ódio para mim. Como o mundo pode votar no 1 e você, limitada, não percebe que o 2 é um absurdo? Os algoritmos acabam criando esse tipo de resposta intensa onde o convívio pacífico deixa de existir.”

 

Castelfranchi concorda que os algoritmos colaboram com a polarização e capturam a atenção das pessoas. “Os algoritmos dessas plataformas tendem a te dar coisas cada vez mais exageradas para você ficar cada vez mais vidrado. Se você vê uma mensagem que foi impulsionada e tem um milhão de compartilhamentos, você pensa que ela deve ser boa.”

 

As fakes news não são apenas uma questão de desinformação, mas um fenômeno que explora profundamente os mecanismos psicológicos e sociais das pessoas. O viés de confirmação, que faz com que busquemos informações que reforçam nossas crenças e descartemos as que as contradizem, é um dos principais fatores que contribui para a crença e disseminação de notícias falsas.

 

Além disso, as redes sociais, com seus algoritmos que personalizam o conteúdo para reforçar nossas opiniões, intensificam a polarização e criam um ambiente propício para a proliferação de fake news. A combinação de emoções intensas e a necessidade de pertencimento social também desempenha um papel crucial na forma como consumimos e compartilhamos essas informações.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Para combater o impacto das fake news, é fundamental adotar práticas conscientes, como procurar opiniões e informações divergentes, reler e verificar as fontes das informações antes de compartilhar, e manter-se informado sobre os temas em questão. Essas medidas podem ajudar a proteger-se da desinformação e promover uma discussão mais saudável e informada.

 
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No final, a responsabilidade de combater as fakes news é de todos. Ao adotar uma abordagem crítica e informada, podemos não apenas evitar cair em armadilhas de desinformação, mas também contribuir para um ambiente digital mais responsável e menos polarizado.
 

 

Fonte: com informações do Portal Mulher Amazônica

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