É nesse cenário que fala Alessandra Korap Munduruku, liderança do povo Munduruku e vencedora do Prêmio Goldman de Meio Ambiente 2023, que denuncia as ameaças, invasões e violações que se repetem no Pará, estado que sediará a COP30.
A floresta amazônica está em guerra. Não uma guerra declarada, mas um conflito diário, sangrento e silencioso, travado contra o crime organizado, o garimpo ilegal e as corporações que avançam sobre terras indígenas. É nesse cenário que fala Alessandra Korap Munduruku, liderança do povo Munduruku e vencedora do Prêmio Goldman de Meio Ambiente 2023, que denuncia as ameaças, invasões e violações que se repetem no Pará, estado que sediará a COP30.
Autodefesa diante da omissão do Estado
Na primeira semana de julho, mulheres, homens e crianças Munduruku organizaram mais uma expedição pelo Território Sawre Ba’pim, no médio Tapajós. Reconhecida pela Funai, mas sem demarcação concluída, a terra foi novamente alvo de invasões. Em três pontos, havia sinais claros de garimpo ilegal. As lideranças registraram imagens, mapearam coordenadas e denunciaram ao Ministério Público Federal, Funai e ICMBio. “Estamos fazendo o trabalho que o Estado brasileiro se recusa a cumprir”, afirma Alessandra.
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Garimpo: porta de entrada do crime organizado
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Segundo a liderança, o garimpo ilegal não destrói apenas a floresta: ele leva mercúrio que contamina os rios e peixes, abre caminho para pistoleiros, tráfico de armas, drogas e prostituição. “Não existe Amazônia intocada quando o crime organizado se instala. Essa dinâmica destrói não só o chão da floresta, mas a tranquilidade de quem vive nela.”
Ameaças e perseguições
Alessandra já enfrentou gigantes como a Anglo American, que desistiu de explorar em terras Munduruku. Mas também sofreu invasões em sua casa, teve documentos roubados, energia cortada sem explicação e vive sob vigilância e ameaças constantes. Seu filho pequeno resumiu o medo vivido pelas famílias: “Mãe, eu não quero que eles te matem.”
Mulheres na linha de frente
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Diante da violência, as mulheres Munduruku assumiram protagonismo. Organizam expedições, fazem vigilância, realizam autodemarcação e se colocam lado a lado dos homens para proteger o território. “O crime quer dominar a terra, mas também quer calar nossa voz. Por isso, nós, mulheres Munduruku, não ficamos mais atrás.”
Entre crime e falsas promessas
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O povo Munduruku enfrenta duas ameaças:
• Redes criminosas ligadas ao garimpo, pesca e extração de madeira;
• Grandes corporações que se apropriam ilegalmente de áreas e tentam legitimar seus projetos por meio de licenciamento ambiental feito sob medida.
Há indícios de que parte dessas empresas lava ouro e madeira de origem criminosa, alimentando a mesma cadeia de destruição
Amazônia: vitrine para fora, inferno para dentro
Alessandra denuncia que o crime se camufla na ausência do Estado e na conivência de políticos:
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Fotos: Reprodução/Google
“O crime organizado se misturou à mineração, ao corte ilegal de madeira, ao tráfico de drogas e à grilagem de terra. Lava dinheiro, movimenta milhões e destrói a floresta.”
Voz que não será silenciada
A mensagem de Alessandra é clara: não existe floresta em pé sem território protegido. A luta é pela vida, pela segurança das comunidades e pelo futuro climático do planeta. “Não adianta vir à COP30 em Belém fazer discurso de floresta viva enquanto continuam comprando ouro sujo, soja de terra roubada, gado e madeira ilegal. Quem lucra com isso empurra o crime para dentro da nossa casa. Quem defende de verdade somos nós, com o corpo, na mata.”
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