País está há quase três anos sem ver novas empresas abrindo capital. Especialistas explicam os motivos da paralisia e por que a nova bolsa pode melhorar o acesso de empresas em fase de expansão ao mercado de capitais.
A cidade do Rio de Janeiro celebra o retorno de uma bolsa de valores após 20 anos, anunciada com entusiasmo pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) e por Claudio Pracownik, presidente da Americas Trading Group (ATG), a empresa responsável pela nova operação. Em tempos de escassez de IPOs (Ofertas Públicas de Ações) no Brasil, essa notícia traz uma faísca de esperança para o mercado financeiro.
Desde o último IPO brasileiro do Nubank, que abriu capital na Bolsa de Valores de Nova York em dezembro de 2021, o mercado de IPOs no Brasil enfrenta um período de estagnação. O ano de 2021 registrou um recorde com 46 ofertas públicas, mas desde então, a situação se complicou. A alta nos juros dos Estados Unidos atraiu investidores estrangeiros para títulos públicos norte-americanos, reduzindo o interesse em mercados emergentes como o Brasil. Em 2024, até 12 de julho, mais de R$ 30 bilhões foram retirados por investidores estrangeiros da B3, a bolsa brasileira.
Rafael Santos, sócio da EY Brasil e especialista em IPOs, ressalta que a incerteza econômica global, combinada com questões locais como juros, inflação e previsões econômicas frustradas, contribuíram para o cenário desafiador. A preocupação com o déficit público, agravada por declarações do presidente Lula sobre possíveis cortes de gastos e aumento de arrecadação, também impactou negativamente o mercado. A desvalorização do real para R$ 5,66 em junho, o maior patamar em dois anos e meio, refletiu esses temores.
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Apesar das turbulências, Felipe Thut, diretor do Bradesco BBI, acredita que a situação econômica brasileira não sofreu uma piora significativa. Ele destaca reformas em andamento, baixa taxa de desemprego e crescimento da renda como sinais positivos. No entanto, a pausa no ciclo de cortes de juros pelo Banco Central, motivada por expectativas de inflação, também afasta investidores de ativos de renda variável.
Especialistas preveem que o mercado de IPOs possa se aquecer novamente apenas no final de 2024 ou início de 2025, com uma melhora concreta no cenário econômico. A expectativa de cortes nos juros norte-americanos em setembro, segundo dados do CME Group, pode abrir espaço para a retomada dos cortes de juros no Brasil, incentivando o retorno dos investidores à bolsa de valores.

Fotos: Reprodução/Pexels
A nova bolsa do Rio, a ATS (American Trading Service), inicialmente permitirá a dupla negociação de ativos já listados na B3. Pracownik, da ATG, acredita que esse modelo aumentará a liquidez para as empresas, beneficiando acionistas e melhorando os preços das ações. A longo prazo, a ATS pretende listar novas empresas e criar um ecossistema para empresas de médio porte, com estímulos fiscais e redução de custos de listagem.
Para Chicão Bulhões, secretário municipal de desenvolvimento urbano e econômico do Rio, a nova bolsa trará competitividade, reduzindo custos e tornando o mercado de capitais mais acessível. Embora a ATS possa não resolver a escassez imediata de IPOs, ela representa um passo significativo para a maturidade do mercado financeiro brasileiro e um impulso para empresas em fase de expansão.
Com um cenário econômico global e local em constante evolução, a nova bolsa carioca surge como uma esperança de revitalização e crescimento para o mercado de capitais no Brasil, oferecendo novas oportunidades para investidores e empresas.
Fonte: com informações do g1
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