01 de Maio de 2026

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Mulher em pauta - 20/10/2025

No comando da Sumirê, Renata Minami conduz modernização de um legado familiar

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Foto: Reprodução/Google

Pertencente à segunda geração da família fundadora, a executiva lidera a profissionalização da empresa, com foco em governança, digitalização e expansão

Gerir uma empresa quaternária e familiar foi um dos grandes desafios da carreira de Renata Minami. Pertencente à segunda geração da família que fundou a Sumirê, uma das mais tradicionais perfumarias do país, ela é a diretora-executiva do grupo que ultrapassa 70 lojas e emprega mais de 1,5 mil pessoas. Sua atuação combina o impulso por inovação com o compromisso de manter a essência de um negócio que nasceu da confiança entre famílias e se transformou, ao longo de quatro décadas, em um sistema cooperativo de gestão e expansão.

 

A primeira loja da Sumirê foi fundada em Jacareí, cidade do interior de São Paulo, em 1984, por Akio Koga. Na época, o estilo loja ainda não era difundido no Brasil: um mercado que vendia produtos de banho e higiene, produtos cosméticos e maquiagem e produtos para cabeleireiros profissionais. A expansão da marca aconteceu dentro da própria família Koga, que inaugurou outras lojas ao longo das décadas. Esse crescimento orgânico levou a uma descentralização: as novas lojas deixaram de estar apenas sob o controle direto do fundador e foram geridas por diferentes núcleos familiares, todos japoneses. Hoje, a rede possui 20 famílias envolvidas no empreendimento e 48 acionistas.

 

Foi nesse ambiente familiar e coletivo que Renata cresceu. Filha de Wilson Minami, um dos integrantes da segunda geração da rede, ela acompanhou de perto a rotina das lojas, mas também observou os desafios de conciliar tradição, sucessão e crescimento. No interior, a convivência com pessoas de diferentes origens e realidades ajudou a moldar sua percepção sobre o valor das relações. “Estudei em escola pública, onde o filho do dono da fábrica estudava com o filho do pedreiro. Acho que isso me ensinou muito sobre diversidade e respeito”, recorda.

 

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Ao decidir cursar Administração, já sabia que queria estudar em São Paulo para conquistar espaço no mercado corporativo, apesar de se distanciar dos negócios da família. Ingressou na ESPM e, durante a graduação, fez intercâmbio nos Estados Unidos, onde trabalhou como camareira e hostess. “Foi um aprendizado enorme. Eu entendi o valor de cada função e o quanto o trabalho coletivo sustenta qualquer empresa”, conta.

 

De volta ao Brasil, Renata iniciou carreira na multinacional Procter & Gamble antes de aceitar o convite do pai para integrar a Sumirê, em 2009. Mesmo ciente das expectativas, quis começar do início: passou pelo caixa, estoque e atendimento, antes de assumir funções gerenciais. “Queria provar para mim mesma e para os outros que estava ali por mérito, não por sobrenome”, diz. A experiência prática foi decisiva para compreender os desafios operacionais e a rotina de loja, base para as mudanças que viriam depois.

 

Em seguida, mudou-se para Salvador para abrir uma filial e assumiu a gerência da unidade. Longe da sede e da família, encarou a experiência como uma prova de fogo. “Foi quando percebi que gostava de liderar, de montar equipe, de resolver problemas”, lembra. A vivência reforçou a percepção de que a rede precisava se preparar para o futuro. Renata passou a incentivar a participação dos familiares em feiras internacionais de varejo e liderou um processo de transformação que culminou na contratação de uma consultoria especializada em empresas familiares.

 

Quando a tradição exige inovação

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Sob a direção de Renata, a Sumirê lançou seu e-commerce em 2021, após quase um ano de estruturação. O projeto, desenvolvido em meio à pandemia, marcou o início da digitalização da empresa e rapidamente se tornou um dos principais canais de venda do grupo. A experiência consolidou a importância de preparar a companhia para uma nova fase, mais integrada, profissional e conectada às transformações do varejo.Com o apoio do pai, Renata conduziu a transição para uma gestão corporativa, processo que envolveu mediação entre os diferentes núcleos familiares e culminou, em 2024, na criação de um conselho de administração. A formalização dessa instância de governança representou um marco para a Sumirê, garantindo maior coesão entre os 48 acionistas e estabelecendo as bases para o crescimento sustentável da marca.

 

No mesmo período, a executiva deu início ao desenvolvimento de marcas próprias, com o objetivo de oferecer produtos de qualidade e valor acessível, controlando de perto o processo produtivo. Em dois anos, a Sumirê apresentou quatro linhas: Muah (maquiagem e cuidados femininos), Minná (acessórios pessoais), Meráki (cuidados capilares) e Kodomo (linha infantil). O portfólio já reúne mais de 300 itens e continua em expansão.

 

A relação com fornecedores também foi redesenhada. No início, alguns parceiros viram as marcas próprias como concorrência, mas a estratégia de Renata foi transformar esses fornecedores em aliados. Muitos deles passaram a produzir para as novas linhas da rede, em um modelo colaborativo de desenvolvimento e compartilhamento de riscos. “Não é um prestador de serviço, é um parceiro. A gente cresce junto”, explica.

 
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Atenta às tendências do mercado de beleza, Renata acompanha temas como sustentabilidade, cosméticos naturais e consumo híbrido. Para ela, o desafio é traduzir as mudanças globais para o contexto brasileiro, adaptando ritmo e oferta ao perfil do público, majoritariamente feminino e das classes B e C. Entre os planos para os próximos anos estão a abertura de novas lojas, a construção de um centro de distribuição próprio e a ampliação do portfólio para categorias de bem-estar e longevidade. “O foco é crescer mantendo a essência do negócio familiar, mas com estrutura e mentalidade de empresa moderna”, resume. 

 

Fonte: com informações IstoÉ

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