30 de Abril de 2026

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Direitos da Mulher - 12/12/2025

Mulheres sem véu: prisão de organizadores de maratona no Irã reacende debate sobre repressão, direitos e resistência feminina

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Foto: Reprodução/Google

A participação feminina em competições esportivas públicas não é proibida, mas somente se cumprirem as regras vestimentárias estabelecidas pelo governo, o que inclui o uso obrigatório do véu e roupas consideradas ?modestas?.

A prisão dos organizadores de uma maratona no Irã, após a participação de mulheres correndo sem o véu obrigatório, voltou a expor a rigidez do governo iraniano em relação ao controle do corpo feminino e às manifestações consideradas “contrárias aos valores da República Islâmica”. O caso ganhou destaque internacional e foi abordado por veículos de imprensa, como no telejornal exibido na imagem, que salientou o impacto político e social do episódio.

 

Durante uma maratona organizada na cidade de Shiraz, diversas mulheres decidiram participar sem o hijab — ação que, no país, é considerada crime. A participação feminina em competições esportivas públicas não é proibida, mas somente se cumprirem as regras vestimentárias estabelecidas pelo governo, o que inclui o uso obrigatório do véu e roupas consideradas “modestas”.

 

Imagens do evento circularam rapidamente nas redes sociais, gerando comoção entre internautas iranianos e estrangeiros. Em resposta, as autoridades prenderam os responsáveis pela organização da corrida, alegando “violação das normas públicas” e “incentivo à indecência”. Alguns participantes também foram convocados para prestar esclarecimentos.

 

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Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã mantém o uso do véu como uma obrigação legal para todas as mulheres, iranianas ou estrangeiras. Em 2022, a morte da jovem Mahsa Amini, após ser detida pela “Polícia da Moral”, desencadeou uma onda histórica de protestos, com mulheres queimando seus véus nas ruas e reivindicando liberdade de escolha.

 

Apesar da repercussão mundial e das pressões diplomáticas, o governo iraniano endureceu sua postura. Em 2024 e 2025, o país aprovou novas medidas de vigilância, ampliou o uso de câmeras para identificar mulheres sem véu e aumentou o número de detenções relacionadas ao descumprimento das regras.

 

A maratona como símbolo de resistência

 

Eventos esportivos com participação feminina têm se transformado em palco de resistência silenciosa. Correr sem véu — algo comum no resto do mundo — se torna um gesto político dentro do Irã, especialmente quando realizado de forma coletiva, à vista de toda a sociedade.

 

O reflexo do machismo institucional

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O caso da maratona escancara um sistema que controla o corpo feminino como parte de um projeto político e religioso. No jornal televisivo da imagem, o comentarista destaca que a questão não se trata apenas do véu, mas de um mecanismo mais amplo de dominação e silenciamento.

 
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Mesmo sob forte repressão, as mulheres iranianas continuam protagonizando atos de oposição, grandes e pequenos. A maratona é apenas mais um episódio que deve continuar repercutindo nos próximos dias, especialmente se houver novas prisões ou declarações oficiais.
A prisão dos organizadores da maratona no Irã representa mais um capítulo na longa disputa entre a autonomia feminina e o controle estatal. Cada gesto — como correr sem véu — transforma-se em uma mensagem de coragem que ecoa para além das fronteiras do país. Enquanto o governo insiste em reprimir, as mulheres insistem em existir plenamente.
 

 

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