No Judiciário, no Executivo, na política, no controle social e nos órgãos de justiça, suas atuações têm impacto direto na vida da população e no fortalecimento da democracia.
Maria Santana Souza - Em um cenário nacional onde a representatividade feminina ainda avança de forma lenta, o Amazonas se destaca por reunir mulheres que ocupam posições estratégicas na máquina pública. No Judiciário, no Executivo, na política, no controle social e nos órgãos de justiça, suas atuações têm impacto direto na vida da população e no fortalecimento da democracia.
A seguir, um panorama atualizado das amazonenses que hoje exercem papéis decisivos no Estado e nos municípios, construindo trajetórias de influência, responsabilidade institucional e compromisso social.
Veja também

'Mulheres Vivas' mobiliza Manaus e alerta para urgência de combate à violência de gênero
Yara Amazônia Lins

Yara Amazônia Lins, presidente do TCE-AM
Com mais de cinquenta anos de serviço público, Yara Amazônia Lins consolidou sua marca como uma das figuras mais respeitadas do Tribunal de Contas do Amazonas. Ingressou no órgão em 1975 como taquígrafa, passou por diversas funções técnicas e, em 2014, tornou-se conselheira. Em 2018, assumiu pela primeira vez a presidência, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo.
Em 2025, foi reconduzida para o biênio 2026–2027, marcando um feito inédito ao se tornar a primeira presidente a assumir três mandatos à frente da Corte de Contas. Durante sua gestão, o TCE-AM vivenciou modernização estrutural, ampliação do uso de tecnologia, consolidação de um data center robusto, avanços em transparência e no caráter pedagógico da instituição. Sob sua liderança, o tribunal também implantou a Ouvidoria da Mulher, marco nacional entre os tribunais de contas, destinada a acolher denúncias, fortalecer políticas de equidade e incentivar a participação feminina. Além disso, Yara Lins iniciou um levantamento em todo o estado sobre a ocupação feminina em cargos públicos, reforçando sua convicção de que o controle externo deve incorporar sensibilidade social e de gênero.
TRE-AM: Justiça Eleitoral com protagonismo feminino

Da esquerda para a direita: as desembargadoras Nélia Caminha Jorge,
vice-presidente e corregedora, e Carla Reis, presidente do TRE do Amazonas.
O ano de 2025 marca uma virada para a Justiça Eleitoral amazonense. Pela primeira vez na história, o comando do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas é exercido simultaneamente por duas mulheres: Carla Maria Santos do Reis como presidente e Nélia Caminha Jorge como vice-presidente e corregedora.

A ouvidora da Mulher do Tribunal Regional Eleitoral
(TRE/AM), juíza Lídia de Abreu Carvalho
Pouco tempo depois, a posse da desembargadora Ida Maria Costa de Andrade como membro substituto levou o tribunal a contar com oito magistradas, consolidando uma composição majoritariamente feminina no pleno, acima da média nacional. A Ouvidoria da Mulher, sob condução da magistrada Lídia de Abreu Carvalho, fortaleceu as ações de prevenção à violência política de gênero, acolhimento de denúncias e aproximação do tribunal com a população feminina.
Leda Mara Nascimento Albuquerque

Leda Mara Albuquerque, procuradora-geral de Justiça do Estado do Amazonas
Exerce um papel central no Ministério Público do Amazonas como Procuradora-Geral de Justiça, integrando o seleto grupo de mulheres que comandam Ministérios Públicos estaduais no país. Sua atuação se destaca no combate à corrupção, na proteção de direitos coletivos, na articulação de políticas de direitos humanos e sociais, e na consolidação da presença feminina em espaços historicamente dominados por homens.
Sob sua liderança, o MPAM tem ampliado sua presença no interior, fortalecendo estruturas para atender comunidades remotas, e incorporado agendas urgentes como meio ambiente, direitos humanos, proteção social, crimes cibernéticos e justiça juvenil. Além disso, sua gestão contribui para o desenvolvimento de políticas públicas e investigações estruturadas alinhadas a padrões nacionais e internacionais, ao mesmo tempo que promove transparência, diálogo institucional e prestação de contas entre o Ministério Público, o Poder Legislativo e a sociedade. A liderança de Leda Mara Albuquerque simboliza não apenas avanço institucional, mas também uma mudança significativa no cenário de representatividade feminina nos espaços de comando da Justiça.
Carol Braz

Carol Braz, defensora pública e ativista dos direitos das mulheres
Defensora Pública e ativista dos direitos das mulheres. No campo da garantia de direitos e da proteção às mulheres, a defensora pública Carol Braz atua de forma incisiva. À frente do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública do Estado, fortalece políticas de enfrentamento à violência, coordena ações de conscientização e participa de mobilizações estaduais. Entre suas iniciativas recentes estão a apresentação do projeto “Órfãos do Feminicídio” no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ações voltadas à mulher na indústria e campanhas de enfrentamento à violência em municípios do interior.
A defensoria do Amazonas deu início à agenda do projeto Jornada da Mulher na Indústria — idealizado por Carol Braz — com o objetivo de alertar mulheres (e trabalhadores em geral) sobre violência de gênero, apresentar os direitos previstos na legislação (como os da Lei Maria da Penha) e informar onde buscar apoio ou denunciar. Carol coordenou o lançamento do projeto Sem Medo de Viver, uma iniciativa da sua coordenação no Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública, que consiste numa exposição de histórias de superação de mulheres vítimas de violência doméstica — com o intuito de mostrar que “há vida após a violência”. A ação incluiu apoio do fundo social local e um ensaio fotográfico das mulheres atendidas.
O “Jornada da Mulher na Indústria” tem foco não apenas na conscientização de mulheres, mas também no alcance de populações que talvez não tivessem acesso à rede de proteção — o que ajuda a expandir o alcance da defesa de direitos. Essas iniciativas reforçam o papel de Carol Braz no uso da Defensoria Pública para promover proteção, informação e apoio real a mulheres em situação de vulnerabilidade.
Jussara Pedrosa Celestino da Costa

Jussara Pedrosa Celestino da Costa, secretária de Justiça,
Direitos Humanos e Cidadania do Amazonas (Sejusc).
Secretária de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC-AM). Jussara Pedrosa Celestino da Costa, conduz políticas de direitos humanos, cidadania e proteção a populações vulneráveis, tendo recebido em 2025 a medalha Ruy Araújo da Assembleia Legislativa. Em 2025, sob sua gestão, o Estado do Amazonas instituiu o Comitê Gestor do Estado do Amazonas para a Erradicação do Sub-Registro Civil de Nascimento e Ampliação do Acesso à Documentação Básica — vinculado à SEJUSC — com o objetivo de garantir o acesso à documentação civil básica, um passo importante para assegurar cidadania e direitos fundamentais.
Ainda em 2025, foi convocada sob sua coordenação a V Conferência Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, marcada para agosto, com tema “Mais Democracia, Mais Igualdade e Mais Conquistas para Todas”. A iniciativa pretende reunir governo e sociedade civil para debater e formular políticas públicas para mulheres com perspectiva interseccional. No contexto de grandes eventos culturais, sua secretaria atuou em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) durante o Festival de Parintins 2025. Na ocasião, promoveram proteção de direitos humanos — incluindo foco em crianças, adolescentes, populações vulneráveis e a comunidade LGBTQIA+ — por meio de atendimento pelo canal de denúncias nacional (Disque 100), apoio institucional e articulação de políticas de prevenção.
Débora Érica da Silva

Débora Érica da Silva, secretária executiva
adjunta de Direitos Humanos (Sejusc)
A secretária executiva Débora Érica da Silva atua na gestão de programas de proteção social, ampliando o alcance de políticas públicas voltadas aos direitos humanos e cidadania. Na gestão da SEJUSC, ela coordena, supervisiona, articula e avalia a política estadual de direitos humanos, o que inclui a implementação de programas, projetos e serviços destinados à proteção de grupos em vulnerabilidade — mulheres, populações indígenas, pessoas com deficiência, pessoas idosas, população em situação de rua, entre outros. Débora Érica da Silva, no comando da área de Direitos Humanos da SEJUSC, tem papel-chave em 2025 na articulação e implementação de políticas de proteção social e de promoção da cidadania no Amazonas.
Syrlan Picanço Ribeiro de Lima

Syrlan Picanço Ribeiro de Lima, secretária executiva
de Políticas para Mulheres (Sejusc)
Como secretária executiva de Políticas para Mulheres, Syrlan Picanço Ribeiro de Lima lidera articulações importantes, como a 5ª Conferência Estadual de Políticas para Mulheres, reforçando a formulação de ações de equidade e autonomia feminina no estado. Em 2025, Syrlan Picanço coordenou a realização da 5ª Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres do Amazonas, promovida pela SEJUSC em parceria com o Cedim?AM (Conselho Estadual dos Direitos da Mulher). Essa conferência ocorreu nos dias 29 e 30 de agosto de 2025, na UFAM, reunindo delegadas municipais, representantes do poder público e da sociedade civil.
Segundo Syrlan Picanço, o objetivo da conferência é transformar demandas históricas e atuais das mulheres amazonenses em políticas públicas concretas — por meio de protocolos de prevenção à violência, capacitações de servidores, e programas de apoio à autonomia econômica, saúde integral e direitos das mulheres. Syrlan Picanço lidera o esforço institucional do Estado para retomar e estruturar políticas públicas com foco nas mulheres amazonenses — da prevenção da violência à promoção de autonomia e equidade, com participação social ampla e compromisso com diversidade territorial e social.
Yomara Lins

Yomara Lins, vereadora da Câmara Municipal de Manaus (CMM)
Segundo mandato como vereadora da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Durante sua primeira legislatura, tornou-se vice-presidente da Câmara Municipal para o biênio 2023-2024 — a segunda mulher a ocupar esse cargo na Casa Legislativa. Em 2023, também fez história ao assumir interinamente a Prefeitura de Manaus, tornando-se a primeira mulher a exercer esse papel, diante da ausência do prefeito, do vice e do presidente da Câmara.
Em 2025, Yomara Lins reafirmou seu compromisso com pautas de infraestrutura e segurança pública, fortalecendo uma atuação voltada às demandas mais urgentes das comunidades. Mantendo uma trajetória marcada pela proximidade com a população, ela ampliou iniciativas e articulações que priorizam melhorias estruturais, bem-estar social e o atendimento direto às necessidades dos bairros e municípios que representa.
Jacqueline Coelho Pinheiro

Professora Jacqueline Pinheiro, deputada estadual do Amazonas
Em seu quarto mandato como vereadora, Jacqueline consolidou uma trajetória marcada pela defesa da educação, dos direitos das mulheres, do desenvolvimento das zonas rural, rodoviária e ribeirinha, além de pautas de inclusão social. Em outubro de 2025, entretanto, foi anunciada sua saída da Câmara Municipal de Manaus para assumir, a partir do dia 14 daquele mês, o cargo de deputada estadual na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM).
Ao chegar à ALEAM, Jacqueline afirmou que continuará priorizando as mesmas causas que marcaram sua atuação municipal: educação, valorização dos professores, políticas públicas voltadas às comunidades rurais e ribeirinhas e a defesa dos direitos das mulheres. Antes da transição, enquanto vereadora, presidiu a Comissão da Mulher e integrou diversas frentes parlamentares — incluindo as voltadas à zona rural e ribeirinha, à população vivendo com HIV/AIDS e ISTs e à pauta da tuberculose — demonstrando forte compromisso com grupos vulneráveis e com políticas sociais estruturantes. Assim, 2025 representa um ponto de virada em sua carreira, marcando a passagem do legislativo municipal para o estadual, sem abrir mão de sua agenda histórica em defesa da educação, da inclusão social e das comunidades periféricas e rurais do Amazonas.
Alessandra Campelo

Alessandra Campelo, deputada estadual do Amazonas
No Legislativo amazonense, apesar da baixa representatividade numérica, a deputada estadual Alessandra Campelo representa uma das principais vozes contra a violência doméstica e o feminicídio. Como Procuradora Especial da Mulher na Assembleia Legislativa, propõe iniciativas concretas: o “Aluguel Social Maria da Penha” para garantir moradia digna a mulheres vítimas de violência; o “Serasa da Violência contra a Mulher”, que permite consulta pública de antecedentes criminais de possíveis agressores; legislação que exige a entrega de armas por servidores investigados por violência doméstica; e o pioneirismo na criação do Observatório da Violência Contra a Mulher no Amazonas, ferramenta para monitorar dados e orientar políticas públicas. Ela também promove reconhecimentos e homenagens a mulheres defensoras de direitos, fortalecendo a luta institucional contra o feminicídio.
Débora Menezes

Débora Menezes, deputada estadual do Amazonas
A deputada Débora Menezes, presidente da Comissão da Criança e do Adolescente, tem atuação firme na proteção da infância e no enfrentamento à violência, reforçando a importância de políticas sociais voltadas às famílias vulneráveis. Propostas de políticas públicas preventivas: em 2025, apresentou um projeto de lei para criar a Ronda Guardiã — uma patrulha focada em proteger crianças e adolescentes em situação de risco no Amazonas, com atuação em comunidades e escolas, para prevenir violência. Combate à adultização e exposição indevida de crianças/adolescentes em redes sociais: propôs lei para impedir práticas nocivas de exposição e proteger a infância e juventude no ambiente digital.
Maria Santana Souza

Maria Santana Souza, jornalista, idealizadora
do Portal Mulher Amazônica e Ela Podcast
No campo da comunicação, Maria Santana, idealizadora do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast, tem ampliado o alcance da voz feminina no estado. Suas reportagens, entrevistas e análises aprofundam debates e revelam a força das mulheres reais, especialmente das que sustentam famílias, mães solo, trabalhadoras e mulheres vulneráveis. Maria Santana destaca um dado essencial para entender a dinâmica social do estado: em Manaus, 53,59% dos domicílios são chefiados por mulheres. Para ela, essa realidade precisa orientar a formulação de políticas públicas, especialmente quando mulheres que chegam ao poder compreendem, por experiência própria, os desafios enfrentados por mães solo, provedoras principais e mulheres que acumulam responsabilidades familiares e profissionais. Em sua visão, quando mulheres ocupam cargos de decisão, as políticas têm maior capacidade de refletir necessidades reais da população feminina, transformando representatividade em impacto concreto.
A presença dessas lideranças femininas importa não apenas pela representatividade, mas porque produz transformações estruturais que ampliam a diversidade nas decisões públicas, fortalecem instituições com mais empatia e equilíbrio, inspiram meninas e jovens, constroem políticas mais justas para mulheres chefes de família, rompem ciclos de exclusão e contribuem para um estado mais democrático e inclusivo. Essas mulheres, distribuídas em diferentes esferas de poder, compõem hoje uma rede de autoridade feminina que está remodelando o Amazonas e abrindo caminhos duradouros para as próximas gerações. A presença dessas lideranças reforça que o Amazonas vive um momento singular na construção de políticas públicas mais humanas, inclusivas e representativas. Cada mulher aqui destacada demonstra que ocupar espaços de poder não é apenas uma questão de presença, mas de transformar realidades, abrir caminhos e fortalecer a democracia a partir de escolhas corajosas e gestões comprometidas com o interesse público.
Com esta reportagem, o Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast, junto de sua equipe editorial, reafirmam sua missão de dar visibilidade às vozes femininas que movem o Estado. Ao registrar essas trajetórias, o portal cumpre seu papel jornalístico de informar com profundidade, valorizar conquistas e inspirar novas gerações de amazonenses a reconhecerem o poder que nasce quando mulheres ocupam, lideram e transformam os espaços decisórios do Brasil.
Portal Mulher Amazônica
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.