29 de Abril de 2026

NOTÍCIAS
manchete - 20/01/2029

MULHERES NA AMAZÔNIA LEGAL ENFRENTAM AVANÇO DA VIOLÊNCIA NO CAMPO EM MEIO À ESCALADA DOS CONFLITOS

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

O dado revela uma intensificação dos conflitos territoriais. Em comparação com 2024, quando oito mortes foram registradas na região, o número dobrou em apenas um ano.

A violência no campo brasileiro voltou a crescer em 2025, com impacto direto sobre a Amazônia Legal. Mais da metade dos assassinatos registrados no país ocorreu na região, consolidando um cenário de tensão permanente em territórios marcados por disputas fundiárias, exploração ilegal de recursos naturais e ausência do Estado.

 

De acordo com o relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, da Comissão Pastoral da Terra, 16 dos 26 assassinatos registrados no país aconteceram na Amazônia Legal, o equivalente a 61% do total. Os casos concentram-se especialmente nos estados de Pará e Rondônia, com sete ocorrências cada, além do Amazonas, com dois registros. O dado revela uma intensificação dos conflitos territoriais. Em comparação com 2024, quando oito mortes foram registradas na região, o número dobrou em apenas um ano.

 

Veja também 

 

Mulheres da floresta: os saberes que sustentam a bioeconomia na Amazônia

Antes do feminicídio: as muitas formas de apagamento que a sociedade ainda ignora

Mulheres no centro da crise

 

 

 


Embora a violência atinja comunidades inteiras, seus efeitos recaem de forma desproporcional sobre as mulheres. Na Amazônia Legal, mulheres indígenas, ribeirinhas, quilombolas, agricultoras familiares e extrativistas vivem sob múltiplas camadas de vulnerabilidade. Além do risco direto de violência física, elas enfrentam:

 

• Deslocamento forçado após ataques a comunidades
• Insegurança alimentar, com perda de roçados e áreas de coleta
• Rompimento de redes de apoio comunitário
• Sobrecarga de cuidado com crianças, idosos e feridos
• Violência psicológica e intimidação constante
Em muitos territórios, são também as mulheres que assumem a linha de frente na defesa ambiental, denunciando crimes como desmatamento ilegal, grilagem e mineração clandestina. Essa atuação amplia sua exposição a ameaças.

 

Território, poder e disputa

 

 

 


A escalada da violência está diretamente ligada à pressão econômica sobre a Amazônia. A expansão da fronteira agropecuária, a mineração ilegal, a exploração madeireira e a especulação fundiária têm intensificado disputas por terra e recursos. Esse cenário não é novo, mas ganha novos contornos com o avanço de redes organizadas que atuam de forma violenta para consolidar controle territorial.

 

Casos emblemáticos, como o assassinato da missionária Dorothy Stang em 2005, continuam sendo referências de um padrão histórico de violência contra defensores da floresta. Duas décadas depois, o contexto permanece crítico, especialmente para mulheres que ocupam posições de liderança.

 

Violência de gênero e silenciamento

 

 


A violência no campo também carrega uma dimensão de gênero frequentemente invisibilizada. Mulheres lideranças são alvo de estratégias específicas de silenciamento, como:
• Ameaças direcionadas às suas famílias
• Exposição pública e difamação
• Violência sexual como instrumento de intimidação
• Deslegitimação de sua atuação política
Segundo a Human Rights Watch, defensoras ambientais enfrentam riscos mais elevados justamente por desafiarem estruturas de poder historicamente masculinas.

 

Falhas estruturais e ausência do Estado

 


Especialistas apontam que a escalada dos conflitos está diretamente relacionada à fragilidade da presença estatal em áreas remotas da Amazônia. Entre os principais problemas estão:
• Falta de regularização fundiária
• Fiscalização ambiental insuficiente
• Baixa proteção a defensores de direitos humanos
• Lentidão no sistema de justiça
• Impunidade recorrente
Programas de proteção existentes, como o Programa de Defensores de Direitos Humanos, ainda são considerados limitados diante da dimensão do problema.

 

Impactos que atravessam gerações

 

 

 


A violência no campo não termina com o ataque. Seus efeitos se prolongam por anos e atingem toda a estrutura social das comunidades. Crianças crescem em ambientes de medo, mulheres assumem responsabilidades ampliadas após perdas familiares e comunidades inteiras enfrentam processos de desintegração cultural e econômica. Na Amazônia, onde a relação com o território é também identidade, espiritualidade e sobrevivência, perder a terra significa perder muito mais do que um espaço físico.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Diante desse cenário, o Portal Mulher Amazônica afirma que a violência no campo é também uma violação sistemática de direitos das mulheres e precisa ser tratada como prioridade nacional. O portal defende:

 

Reconhecimento da violência territorial como violência de gênero A realidade das mulheres da floresta precisa ser incorporada às políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher. Proteção efetiva às defensoras ambientais É urgente fortalecer mecanismos de proteção com abordagem específica de gênero e territorialidade. Regularização fundiária e garantia de territórios tradicionais A segurança da terra é condição essencial para reduzir conflitos e proteger vidas. Fortalecimento da presença do Estado na Amazônia Fiscalização ambiental, segurança pública e acesso à justiça devem ser ampliados. Autonomia econômica para mulheres do campo e da floresta Investimentos em políticas de geração de renda e apoio à produção sustentável são fundamentais.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.
 

Um cenário que exige resposta imediata

 


O avanço da violência na Amazônia Legal não é um fenômeno isolado, mas o reflexo de um modelo de desenvolvimento que pressiona territórios e populações vulneráveis. Sem ação coordenada e políticas públicas eficazes, a tendência é de agravamento. E, nesse contexto, as mulheres seguem na linha de frente, resistindo, denunciando e defendendo a floresta, muitas vezes à custa da própria segurança.

 

Fontes:
Comissão Pastoral da Terra – Relatório Conflitos no Campo Brasil 2025
Human Rights Watch – Relatórios sobre defensores ambientais
Anistia Internacional – Estudos sobre violência contra defensoras de direitos humanos
Instituto Socioambiental – Dados sobre conflitos territoriais e povos da Amazônia
Conselho Indigenista Missionário – Relatórios sobre violência contra povos indígenas
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.