O que deveria ser um tratamento acabou se tornando um pesadelo que atravessou décadas.
A história de Lana Ponting, hoje uma senhora que ainda luta para reconstruir partes da própria identidade, revela um dos capítulos mais obscuros da Guerra Fria. Em 1958, quando tinha apenas 16 anos, ela foi enviada por determinação judicial ao Instituto Memorial Allan, antigo hospital psiquiátrico de Montreal, no Canadá. O que deveria ser um tratamento acabou se tornando um pesadelo que atravessou décadas.
No local, Ponting tornou-se uma participante involuntária de experimentos secretos conduzidos pela CIA, no âmbito do MK-Ultra — um programa clandestino criado para estudar técnicas de manipulação mental e controle comportamental. Pesquisadores testaram em seres humanos drogas psicodélicas como o LSD, métodos agressivos de eletrochoque e procedimentos de “desprogramação” mental, todos aplicados sem consentimento informado.
Ponting lembra que os efeitos foram devastadores: perda de memória, traumas duradouros e impactos psicológicos que permaneceram após sua alta. “Os efeitos desses testes me marcaram para toda a vida”, afirma. Décadas mais tarde, ela transformou a própria dor em mobilização. Hoje, é uma das autoras de uma ação coletiva que reúne vítimas canadenses submetidas ao mesmo programa. A iniciativa busca responsabilização institucional e reparação pela violação sistemática de direitos humanos ocorrida no Memorial Allan.
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Na quinta-feira, 13/11, a disputa judicial ganhou novo fôlego: um juiz rejeitou o recurso apresentado pelo Hospital Royal Victoria, permitindo que o processo avance. Para Ponting e outras sobreviventes, a decisão reacende a esperança de finalmente terem suas histórias reconhecidas e julgadas.

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O caso traz à tona a urgência de revisitar episódios apagados da Guerra Fria, expor práticas ilegais realizadas sob o pretexto de segurança nacional e garantir que violações semelhantes jamais se repitam.
Fonte: com informações BBC Brasil
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