04 de Maio de 2026

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Especial Mulher - 27/04/2025

MULHER AMAZÔNICA: Um olhar Feminino sobre as coisas do Mundo

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Foto: Divulgação/Portal Mulher Amazônica

Se pararmos para pensar nas representações femininas simbolizadas nas coisas, vamos nos deparar com o feminino sendo exaltado em tudo que exprime criação, origem e vida.

A vida no mundo não tem sido fácil para nós, mulheres. Seja no lado ocidental ou no lado oriental, há um certo desprezo pelas nossas conquistas e mesmo pela nossa humanidade. Essa conduta social revela uma contradição fundamental, já que as mulheres são partes intrínsecas da construção de tudo que existe; são sujeitos históricos, com carne, alma, sangue e suor.

 

Se pararmos para pensar nas representações femininas simbolizadas nas coisas, vamos nos deparar com o feminino sendo exaltado em tudo que exprime criação, origem e vida.

 

A Terra é um planeta de etimologia feminina e sua representação se irradiou para significados profundos na arte, na cultura e nos mais variados estudos científicos. Nas cosmogonia indígena, Terra é mãe, é a mulher cuja vagina se abre para o nascimento do filho ou filha (planta), a partir de uma semente plantada no seu útero. A planta logo se torna adulta e se transformará numa árvore, nome também feminino.

 

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Se o nosso planeta não tivesse esse nome feminino, poderia se chamar Água, dada a sua composição. Dois terços do planeta Terra é tomado pelas águas. Mas água é também um nome feminino. E o que seria da vida se não tivéssemos água? Simplesmente, não existiria, não haveria vida. Água também é mãe.

 

 

 

São tantas as coisas do mundo que incorporam nos seus signos a força da mulher na criação, na origem e na vida de tudo que existe, mas também são tantas as incompreensões, opressões e desmandos que tentam desqualificar a nossa importância como seres humanos dotados de pleno amor, solidariedade e fraternidade.

 

 

 

Esse desprezo não é natural. Ele foi construído socialmente, para manter uma divisão sexual do trabalho opressiva e massacrante, sendo a mulher sua principal vítima. Nossa marca feminina é a da criação e da vida. Somos mães por natureza e nos tornamos mulheres por resistência.

 

 

 

Somos a Amazônia. Sim, a Amazônia é uma bela mulher, cobiçada, agredida, roubada e exposta como troféu. Ela também resiste, como resiste a mulher mãe, a mulher operária, a mulher trabalhadora, a companheira solidária.

 

 

 

Resiste porque a Amazônia tem milhões de outras mulheres, indígenas, ribeirinhas, extrativistas, pescadoras, ao seu lado ou dentro dela, como filhas no seu ventre.

 

 

 

A vida não tem sido fácil para as mulheres no mundo

 

 

Todos os dias temos que derrubar muros, muralhas, transpor barreiras, cuidar das coisas, sorrir, lutar, resistir. Somos parte de tudo. Somos criação, vida e amor. E assim vamos nos construindo e nos fazendo ouvir por quem ainda ousa nos calar. Continuaremos a caminhada, dura, pedregosa, mas firme, sem claudicar, sem perder a ternura.

 

 

 

Somos também poesia. Queiram ou não, a poesia é uma moça inquieta, romântica, inadequada, singela e provocante. Ela está nos dedos que manuseiam uma caneta ou que clicam no computador. Podem ser dedos femininos ou masculinos, mas a poesia é uma mulher, pronta para se tornar um poema de protesto ou de amor, mas o poema terá nascido da poesia.

 

 

 

A inspiração pode ser uma musa do Olimpo, uma indígena apurinã, uma cunhantã do Careiro da Várzea ou uma cabocla voluptuosa do beiradão. Todas são mulheres de alma, sangue, suor e história.

 

 

 

'Eu-Mulher
Conceição Evaristo

Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.

 


Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes – agora – o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo."

 

 
Fotos: Reprodução/Portal Mulher Amazônica
 
 
 
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Maria Santana Souza é Jornalista, sob o nº 001487/AM, diretora-presidente do Portal Mulher Amazônica e apresentadora do podcast Ela.

 

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