30 de Abril de 2026

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Internacional - 20/11/2025

Movimento Black Power: as origens históricas da luta civil contra o racismo

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Foto: Reprodução/Google

Sendo um dos capítulos mais revolucionários da nossa história, conheça com mais detalhes a origem, motivação e luta do Movimento Black Power.

A recente polêmica no BBB 21 envolvendo Rodolffo e João Luiz mostrou como ainda é urgente falar e entender melhor a questão do racismo na sociedade contemporânea. No que diz respeito ao empoderamento e resistência contra a subjugação histórica da comunidade negra, o Movimento Black Power é um dos mais cruciais de todos os tempos.

 
Antes de mais nada, o Black Power vai muito além de um estilo de cabelo chamativo e simbólico. Afinal, esse foi um movimento que, nascido nos Estados Unidos nos anos 60, deu voz ao orgulho negro e possibilitou a criação novas instituições políticas e culturais. Assim, essa, que não é uma história de modismos ou tendência, foi a principal base de um movimento revolucionário que abriu caminho para uma profunda mudança no Ocidente. Desse modo, aqui, conheça com mais detalhes o que foi o Movimento Black Power e o seu papel no combate ao racismo.

 

Grande parte dos países do continente americano que foram ex-colônias tiveram que lidar no século XX com o peso dos resquícios da escravidão. Nesse sentido, o Brasil e os Estados Unidos são os maiores exemplos. Entretanto, nos dois territórios a questão do racismo e da integração da comunidade negra livre se desenrolou de maneiras muito distintas. Os dois países foram os que mais receberam africanos escravizados, tendo apenas proibido a escravidão na segunda metade do século XIX. Até então, as grandes plantações de cana-de-açúcar no Brasil e de algodão nos Estados Unidos se haviam sustentado com a mão de obra escrava.

 

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Ao contrário do Brasil, onde a miscigenação foi comum e o racismo mais dissimulado – ainda que, mesmo assim, muito presente e forte, nos EUA a segregação racial foi uma prática comum até meados do século XX. Não por menos, foi nesse país que o movimento de defesa dos direitos da população negra surgiu com maior força. De lá, viria então a revolucionar o mundo.

 

Segregação Racial

 

 

“Eu tenho um sonho: o de que, um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos e os filhos dos antigos senhores de escravos poderão se sentar juntos à mesa da fraternidade.” (Famoso discurso de Martin Luther King). Em resumo, a segregação racial se baseia na separação entre grupos de indivíduos dentro de uma sociedade por meio da ação do próprio Estado. Nos EUA, a política pública foi segregar a população negra, que viveu por várias décadas marginalizada e limitada pelas restrições então impostas de cima para baixo. As primeiras tentativas de implementar políticas segregacionistas no país seguiram logo após a Guerra Civil americana (1861-865), logo nos finais da década de 1860.


As restrições e leis que passaram a regulamentar a segregação como política oficial do Estado foram apenas enrijecidas e reforçadas com o passar dos anos. Demoraria muito tempo para que essa história começasse a mudar. Afinal, essas práticas começaram a ser mais diretamente contestadas com os movimentos de reivindicação dos direitos civis de negros americanos nos anos 60 e 60. Dentre eles, um dos mais representativos foi o Movimento Black Power.

 

As leis que davam base à segregação

 

 

As chamadas Leis de Jim Crow, como ficaram conhecidas, foram leis estaduais e locais que regiam a segregação racial nos EUA. Elas estiveram em parte ativas até 1965, portanto, quando explodiu o movimento pelos direitos da população negra. Dessa maneira, entre as restrições que duraram por décadas estavam:

 

– a limitação do acesso ao transporte público – os negros só podiam ficar em um vagão específico ou no fundo dos ônibus.

– além disso, banheiros e bebedouros separados para brancos e negros.

– do mesmo modo, entradas diferentes para brancos e negros.


– restaurante e comércios que não aceitavam atender pessoas negras.

– escolas separadas para brancos e negros.

 

Ku Klux Klan – A organização terrorista inspirada nos ideais de supremacia branca

 

 

 

Na mesma altura das primeiras leis segregacionistas foi criada a seita Ku Klux Klan (sigla KKK), em 1865. A organização terrorista surgiu no Tennesse inspirada nos ideais de supremacia branca. O seu principal alvo eram os negros libertos pela 13ª Emenda à Constituição dos EUA. Contudo, atingia inclusive os brancos que os defendiam. A princípio, a polícia nacional buscou controlar as primeiras ações violentas do grupo contra os negros. Todavia, ela voltou com força no início do século XX.

 

Ao ganhar muitos membros e recebendo respaldo por parte do poder público (mesmo que não oficial), a seita seguiu em atividade por muito tempo.  Entre as suas ações se destacam a morte de indivíduos negros por espancamento e enforcamento. O grupo chegou a ter milhões de adeptos no Estados Unidos, o que demonstra como o ódio racial estava disseminado no país. Além disso, ao que o Movimento Black Power estava a se confrontar nos anos 60.

 

Surgimento do Movimento Black Power

 

 

 

Ainda que o termo Black Power se tenha popularizado na década de 60, ele tem várias origens. O primeiro registro do seu uso pode ser rastreado em 1954, quando o autor Richard Wright publicou o livro de não-ficção intitulado “Black Power”. Acima de tudo, o Movimento Black Power enfatizava mais a autoconfiança e a autodeterminação negra do que propriamente a sua integração na sociedade branca. Ou seja, os seus defensores acreditavam que os afro-americanos deveriam assegurar os seus direitos civis, mas principalmente criar organizações políticas e culturais especificamente voltadas para eles (escolas, negócios, etc). Assim, que atendessem a seus interesses.

 

Nesse sentido, o que mais pregavam é que os negros tivessem orgulho de como eram, da sua comunidade, e que não tivessem mais que ser humilhados como até então tinham sido. Em outras palavras, eles se concentraram em combater séculos de humilhação, demonstrando abertamente o autorrespeito e o orgulho racial, bem como celebrando as realizações culturais dos negros em todo o mundo. Com essa finalidade, um dos seus principais fundamentos foi a valorização dos seus atributos físicos e de uma estética própria, onde se incluía com destaque a exposição livre do cabelo natural afro.

 

Grandes figuras do Movimento Black Power

 

 

 

Nas primeiras décadas de existência do movimento negro americano houve personalidades de grande projeção e peso político. Personalidades essas que também se tornaram icônicas para o movimento da população negra em outros países do mundo, como no Brasil. Nesse sentido, três das principais figuras dentro do Movimento Black Power foram Malcom X, Stokely Carmichael e Angela Davis.

 

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Malcom X

 

Martin Luther King (Fotos: Reprodução/Google)

 

Acima de tudo, a principal inspiração por trás de grande parte do Movimento Black Power foi o pensamento e ação de Malcolm X (1925-1965). A partir de então, ele se distanciava do discurso pacifista do pioneiro da luta pelos direitos civis Martin Luther King (1929-1968). Afinal, a análise histórica e os discursos poderosos desse jovem líder impressionaram tanto os apoiadores do movimentos como os seus opositores. Malcom X foi até 1964 o principal porta-voz do grupo Nação do Islã. Foi nesse ano ele viajou para a Meca ano e, desde então, voltou mais determinado sobre as mudanças sociais que os Estados Unidos precisariam, bem como sobre a ação para consegui-las. Ele via o movimento de liberdade afro-americano como parte de uma luta internacional pelos direitos humanos e o anticolonialismo. Apesar do seu assassinato logo em 1965, a sua memória então continuou a inspirar a maré crescente do Movimento Black Power.

 

Fonte: com informações Fashion

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