Ele ressaltou que o feminicídio não é um problema isolado, mas o resultado de uma cultura de violência que precisa ser enfrentada de maneira estrutural pela sociedade e pelo Estado.
Em um pronunciamento transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão na véspera do Dia Internacional da Mulher, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta contundente sobre a realidade da violência de gênero no país e defendeu a ampliação de políticas públicas voltadas à proteção, autonomia e dignidade das mulheres brasileiras.
Logo no início de sua fala, o presidente chamou atenção para um dado alarmante que expõe a gravidade do problema: “A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Cada feminicídio é resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas e naturalizadas.” Segundo o presidente, a maior parte dessas agressões ocorre dentro de casa, justamente no espaço que deveria representar proteção e segurança para as mulheres. Ele ressaltou que o feminicídio não é um problema isolado, mas o resultado de uma cultura de violência que precisa ser enfrentada de maneira estrutural pela sociedade e pelo Estado.
Lula afirmou ainda que o Brasil não pode aceitar a normalização desse cenário e defendeu uma mobilização nacional contra a violência de gênero. “Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher.”
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Operações contra agressores e pacto nacional
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Entre as medidas anunciadas, o presidente destacou a intensificação das ações do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que reúne Executivo, Legislativo e Judiciário para enfrentar o problema de forma integrada. Uma das primeiras ações será um mutirão coordenado pelo Ministério da Justiça em parceria com governos estaduais para prender mais de 2 mil agressores que ainda estão em liberdade, com a promessa de novas operações nos próximos meses. Além disso, o governo federal pretende ampliar políticas sociais e iniciativas voltadas às mulheres e às famílias brasileiras, incluindo programas como auxílio social, distribuição gratuita de absorventes e outras ações de proteção social.
Trabalho, família e a dupla jornada feminina
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Outro ponto destacado no discurso foi a proposta de acabar com a chamada escala de trabalho 6×1, na qual o trabalhador tem apenas um dia de descanso após seis dias consecutivos de trabalho. De acordo com Lula, esse modelo penaliza principalmente as mulheres, que frequentemente enfrentam a chamada dupla jornada, dividindo-se entre trabalho formal, cuidado da casa e da família. Para o presidente, rever essa estrutura é também uma forma de promover justiça social e melhorar a qualidade de vida das famílias brasileiras.
Proteção digital para crianças e adolescentes
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Durante o pronunciamento, Lula também mencionou o avanço do chamado ECA Digital, conjunto de normas voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.A legislação exigirá que plataformas digitais adotem medidas para prevenir conteúdos ilegais ou prejudiciais, como exploração sexual, violência, assédio e publicidade predatória dirigida a menores.
Posicionamento editorial do Portal Mulher Amazônica
O Portal Mulher Amazônica recebe com respeito e atenção o pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os desafios enfrentados pelas mulheres brasileiras e considera importante reconhecer a relevância dos pontos destacados em sua fala. Ao colocar no centro do debate nacional o enfrentamento ao feminicídio, o presidente demonstra sensibilidade diante de uma realidade que há décadas exige respostas firmes do Estado brasileiro. Reconhecer publicamente que a violência contra mulheres não pode ser naturalizada representa um gesto político importante, sobretudo quando parte da mais alta autoridade do país.
O Portal Mulher Amazônica entende que discursos presidenciais têm força simbólica e capacidade de mobilização social. Ao afirmar que o Brasil não pode se conformar com a morte de mulheres e ao defender o fortalecimento de políticas públicas de proteção, o presidente Lula contribui para ampliar a visibilidade de um problema estrutural que atravessa famílias, territórios e gerações.
Também merece destaque o empenho demonstrado pelo governo federal em fortalecer iniciativas institucionais de enfrentamento à violência de gênero, como o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A articulação entre diferentes esferas de poder para combater esse crime representa um passo necessário para que o país avance na proteção da vida das mulheres. Outro aspecto positivo do pronunciamento foi a atenção dedicada às condições de trabalho e à sobrecarga feminina, tema que dialoga diretamente com a realidade de milhões de brasileiras que enfrentam jornadas múltiplas entre emprego, cuidado familiar e responsabilidades domésticas. Ao trazer esse debate para o centro da agenda pública, o presidente amplia a discussão sobre justiça social e equidade.

Fotos: Reprodução/Google
A Amazônia, em particular, conhece profundamente os desafios enfrentados por mulheres ribeirinhas, indígenas, periféricas e trabalhadoras que muitas vezes permanecem invisíveis nas estatísticas nacionais. Nesse sentido, a fala do presidente Lula representa um estímulo para que o país continue avançando na construção de políticas públicas efetivas, capazes de garantir proteção, dignidade e autonomia para todas as mulheres brasileiras.
Fontes:
Agência Brasil – Pronunciamento presidencial
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/nao-podemos-nos-conformar-com-homens-matando-mulheres-diz-lula
Ministério das Mulheres – Íntegra do discurso
https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/discursos-e-pronunciamentos/pronunciamento-do-presidente-lula-sobre-o-dia-internacional-da-mulher
Brasil de Fato – análise do pronunciamento
https://www.brasildefato.com.br/2026/03/08/lula-destaca-politicas-contra-feminicidio-e-fim-da-escala-6x1-em-pronunciamento-pelo-dia-da-mulher
Correio do Estado – repercussão do discurso
https://correiodoestado.com.br/politica/nao-podemos-nos-conformar-com-homens-matando-mulheres-diz-lula
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