29 de Abril de 2026

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Especial Mulher - 14/03/2026

Menopausa não é demissão: o apagão corporativo de 30 milhões de brasileiras?

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Foto: Reprodução/Google

Mas, fora do palco, no calor de uma sala sem ar-condicionado, quantos ?comitês da diversidade? estariam prontos para acolher uma mulher de 52 anos enfrentando um sintoma da menopausa em plena reunião?

Nas apresentações em PowerPoint, nas planilhas de marketing e nos discursos institucionais, palavras como diversidade, inclusão e ESG se multiplicam como mantras corporativos. Mas, fora do palco, no calor de uma sala sem ar-condicionado, quantos “comitês da diversidade” estariam prontos para acolher uma mulher de 52 anos enfrentando um sintoma da menopausa em plena reunião?

 

A retórica empresarial insiste em colocar as “pessoas no centro”. Na prática, mulheres maduras continuam na periferia, tratadas como “emocionais demais”, “instáveis” ou “em fase de desacelerar”. Uma forma polida de decretar: “não serve mais”. No Brasil, são 17 milhões de mulheres no climatério e 10 milhões já na menopausa. Até 2025, esse contingente chegará a 30 milhões — cerca de 8% da população nacional. Não se trata de nicho, mas de um exército de força de trabalho invisibilizado.

 

Apesar disso, quando a menopausa chega, o mercado recua. Faltam protocolos, diálogos e programas estruturados.

 

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A pesquisa da PlenaPausa revela que:

 

 

 


• 44% das mulheres sentem queda na produtividade — não por incapacidade, mas por sintomas não acolhidos;
• 91% relatam cansaço crônico;
• 84% não dormem bem;
• 85% sofrem lapsos de memória;
• 89% enfrentam instabilidade emocional;
• 82% lidam com ansiedade e depressão.

 

E qual a resposta de muitas empresas? Sessões de mindfulness na sexta-feira. Uma solução estética para um problema estrutural.

 

Vozes silenciadas

 

No livro “Diversa-IDADE”, escrito por Tati Gracia e pela autora deste relato, o cenário é descrito como um beco sem saída. Muitas mulheres fazem parte da “geração sanduíche” — cuidam de pais idosos, de filhos adultos dependentes e ainda precisam provar diariamente que não são obsoletas.

 

A pesquisa da Astellas confirma a lacuna:

 

 

 


• 47% das brasileiras relatam impacto direto da menopausa no trabalho;
• apenas 29% conseguem conversar com seus líderes sobre o tema;
• metade tem medo de ser vista como “frágil”.

 

Fragilidade? Não. Isso é abandono institucional com crachá.

 

O custo do silêncio

 

Ignorar o tema também pesa no bolso:

 

• A perda global de produtividade ligada à menopausa chega a 150 bilhões de dólares por ano;
• Nos EUA, o impacto anual é de 1,8 bilhão de dólares.

 

Ainda assim, campanhas corporativas insistem em retratar “diversidade” com modelos de 25 anos em peças publicitárias cor-de-rosa.

 

Do palco para a vida real

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A menopausa não é um problema. É oportunidade de amadurecimento corporativo. Mas isso exige mais que slogans:

 

• Programas de saúde integrativa;
• Flexibilidade no trabalho;
• Ajuste de métricas de performance;
• Lideranças com escuta empática;
• Políticas que reconheçam o valor da experiência.

 
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Não se trata de mimo. É questão de sobrevivência social e econômica. No fim das contas, a questão vai além da produtividade. Trata-se da saúde de uma cultura inteira que insiste em impor prazo de validade à competência feminina. A menopausa não é ponto final. É vírgula.

 

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