Filantropa bilionária quer mudar o cenário em que apenas 1% das pesquisas globais em saúde são focadas em condições exclusivas das mulheres
“Quero ver mulheres assumindo poder e influência em todos os níveis da sociedade, desde suas casas até seus locais de trabalho, passando pelo governo e a economia. Mas não há caminho para esse futuro se as mulheres precisarem lutar apenas para ter acesso a cuidados básicos de saúde”, diz Melinda French Gates, filantropa e fundadora da Pivotal Ventures.
Essa convicção motiva seu mais recente esforço, anunciado durante o Forbes Power Women’s Summit: uma parceria de US$ 100 milhões (R$ 538 milhões) entre a sua Pivotal Ventures, fundada para acelerar o progresso social e expandir o poder e acesso das mulheres, e a Wellcome Leap, organização de saúde liderada por Regina Dugan.
Cada uma está destinando US$ 50 milhões (R$ 269 milhões) para pesquisas e desenvolvimento de soluções para a saúde da mulher. O esforço conjunto financiará dois novos programas que devem ser lançados em 2026, focados em doenças cardiovasculares, saúde mental feminina e distúrbios autoimunes, áreas historicamente subfinanciadas, apesar de seu impacto amplo.
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A necessidade é clara. Apenas 1% das pesquisas globais em saúde, além do câncer, são focadas em condições exclusivas das mulheres. Quase 80% das pessoas com doenças autoimunes são mulheres, mas ainda não existem curas. A menopausa afeta metade da população, mas menos de 1% dos estudos sobre envelhecimento consideram esse momento da vida da mulher. O resultado é que elas passam 25% mais tempo de suas vidas em um estado ruim de saúde do que os homens, com consequências que reverberam em famílias, carreiras e economias.
O que torna a colaboração atraente não é apenas sua escala, mas sua estratégia. French Gates já destinou mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,38 bilhões) para expandir o poder das mulheres globalmente, mirando nas barreiras que mais limitam a capacidade feminina de prosperar e liderar. Por mais de duas décadas, ela mobilizou recursos e líderes de diversos setores para manter a saúde das mulheres na agenda global, e este é seu passo mais significativo até hoje por meio da Pivotal.
Dugan, agora CEO da Wellcome Leap, construiu sua carreira eliminando gargalos e entregando resultados em anos, em vez de décadas. Ela foi a primeira mulher a liderar a DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), agência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que financia a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias para aplicações militares, e depois dirigiu equipes de pesquisa avançada no Google e no Facebook. Juntas, French Gates e Dugan acreditam que chegou a hora de tratar o avanço da saúde feminina com a urgência que esse tema merece.
Impacto econômico e social
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impacto econômico é relevante. “As estimativas indicam que fechar a lacuna de saúde entre homens e mulheres adicionaria pelo menos US$ 1 trilhão (R$ 5,38 bilhões) ao PIB global a cada ano até 2040, porque mulheres mais saudáveis participam de forma mais plena das economias e sociedades”, afirma French Gates. “Pense no que esse ‘imposto’ de US$ 1 trilhão sobre o potencial das mulheres significa para as que estão perdendo suas vidas profissionais, familiares e sociais porque estão doentes, com dor, lidando com ansiedade ou depressão, ou gastando tempo e dinheiro buscando respostas que não existem de profissionais que talvez nem acreditem nelas quando descrevem suas experiências.”
Para French Gates, este momento também reflete a urgência da luta mais ampla pelos direitos das mulheres e é profundamente pessoal. “Ouvi histórias sobre como o sistema de saúde está falhando com as mulheres, desde a mulher que viverá o resto da vida à sombra de um natimorto que poderia ter sido prevenido, até a outra que está arriscando tudo para enfrentar legisladores que estão restringindo o acesso a um medicamento que deveria estar disponível em todas as salas de parto.”
Melinda French Gates
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Fotos: Reprodução/Google
Dugan vê essa parceria como uma oportunidade de finalmente mudar essa realidade. “Por muito tempo, as mulheres foram instruídas a suportar o que deveria ser tratável, a aceitar condições como ‘mistérios’ em vez de problemas que valem a pena ser resolvidos”, diz. “Esta é uma chance de corrigir um erro histórico, de fechar uma lacuna que nunca deveria ter existido e de honrar a dignidade de metade da população mundial, fornecendo ciência, medicina e cuidado.”
A iniciativa de US$ 100 milhões (R$ 538 milhões) será um catalisador. A Wellcome Leap foi fundada pelo Wellcome Trust em 2020 para buscar avanços em saúde rapidamente, aplicando um modelo inspirado na DARPA à saúde humana. Sua rede agora abrange 160 instituições em seis continentes, conectando mais de 1,5 milhão de pesquisadores.
Com essa nova parceria, o investimento total da Wellcome Leap em pesquisa de saúde feminina sobe para US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão), enquanto avança em direção à meta de arrecadar US$ 1 bilhão (R$ 5,38 bilhão) em capital filantrópico para acelerar avanços em condições que afetam desproporcionalmente as mulheres. Ao combinar esse motor com o capital e advocacy da Pivotal Ventures, French Gates e Dugan pretendem mostrar que condições negligenciadas podem ser abordadas muito mais rapidamente do que se esperava, e que os benefícios vão muito além das próprias mulheres.
A parceria é um convite. Legisladores, filantropos, investidores e cientistas têm todos um papel a desempenhar no tratamento da saúde das mulheres como algo urgente e essencial. French Gates e Dugan afirmam que o que há muito tempo foi tratado como inevitável e que o custo da demora é algo que a sociedade não pode mais se dar ao luxo de pagar.
Fonte: com informações Forbes
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