05 de Maio de 2026

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Mulher em pauta - 05/04/2025

Márcia Abrahão: "Os homens acham que nós não sabemos o que estamos fazendo"

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Foto: Reprodução/Google

Segundo a pesquisa, os principais desafios enfretados por mulheres no ambiente de trabalho pelo fato de ser são: discriminação por gênero

A expressão "teto de vidro" ou "glass ceiling", usada pela primeira vez pela norte-americana Marilyn Loden na década de 1970, faz referência aos obstáculos que impedem que mulheres cheguem aos cargos de liderança onde trabalham independentemente das suas qualificações. Uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) sistematizou os principais obstáculos enfrentados por mulheres para ocupar cargos da alta gestão na administração pública federal. O estudo entrevistou 70 mulheres que ocupam ou já ocuparam esses postos.

 

Segundo a pesquisa, os principais desafios enfretados por mulheres no ambiente de trabalho pelo fato de ser são: discriminação por gênero (160 menções), assédio moral (120 menções) e a sobrecarga de trabalho doméstio (mais de 120 menções). Já em relação aos fatores que dificultam a ascenção a um cargo de chefia, as mulheres citaram a discriminação por gênero, dificuldades em conciliar o trabalho com a maternidade e a sobrecarga de trabalho doméstico.

 

Essa demora para uma mulher ser promovida a cargo de lideranças é notada na história da Universidade de Brasília, tendo em vista que a primeira reitora da instituição, a professora e pesquisadora Márcia Abrahão, foi eleita em 2016. Ela ocupou o cargo durante dois mandatos, sendo o último finalizado em 2024. Segundo a docente, ocupar o cargo máximo da universidade foi uma consequência natural. Ela também credita essa conquista ao trabalho desempenhado na universidade

 

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A relação de Márcia com a UnB é desde 1982, quando ingressou no curso de geologia. Durante esse período, a professora intercalou as atividades acadêmicas — fez mestrado e doutorado na UnB — com as administrativas. Ao longo de sua trajetória profissional e acadêmica, enfrentou frequentemente o machismo, até mesmo como reitora. "Como eu sou geóloga e fui a primeira diretora do Instituto de Geociências (IG) eleita, eu já estava acostumada com o mundo dominado por homens e para homens."

 

A ex-reitora relata que a sociedade lida de várias maneiras com as mulheres que atravessam o chamado "teto de vidro". Há quem branda com a conquista — e, segundo ela, isso abre portas —, mas também existe uma cobrança maior quando se comparado a homens que ocupam a mesma posição. "Não é fácil ser mulher em cargos de poder. Os homens acham que nós não sabemos o que estamos fazendo. O tempo inteiro você é observada, avaliada, e se nós formos mais assertivas, somos chamadas de muito grosseiras. Já os homens, se eles são mais assertivos, são vistos como firmes", pontua.

 

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Sobre a importância da presença feminina em cargos de liderança, ela ressalta o exemplo que fica para outras meninas "mostrando para as mulheres onde elas podem chegar". Ela também chama atenção para o fato de que essa presença não "necessariamente significa que a mulher vai fazer uma gestão que honre as mulheres". Entre as diversas ações voltadas à equidade intuídas em sua gestão, Márcia destaca a criação de uma creche e da sala de amamentação na universidade e a ampliação do tempo de pós-graduação. "Eu me orgulho bastante de todo esse legado e espero que tenha continuidade." 

 

Fonte: com informações Correio Braziliense

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