A proposta nasce com diagnóstico claro: o dinheiro existe, mas precisa ser redirecionado com vontade política, governança eficiente e reformulação das regras que regem o sistema financeiro mundial.
O plano apresentado conjuntamente pelas presidências da COP29 (Azerbaijão) e COP30 (Brasil) ficou conhecido como Mapa do Caminho de Baku a Belém, documento que estabelece uma rota para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 em financiamento climático destinado especialmente a países em desenvolvimento. A proposta nasce com diagnóstico claro: o dinheiro existe, mas precisa ser redirecionado com vontade política, governança eficiente e reformulação das regras que regem o sistema financeiro mundial.
O texto defende transformações estruturais, como impostos sobre grandes fortunas, jatinhos, artigos de luxo e atividades intensivas em carbono, além de conversão de dívidas externas em aportes ambientais — modelo visto como chave para destravar recursos e ampliar a capacidade fiscal de nações vulneráveis. O plano também sugere fortalecer bancos multilaterais, ampliar crédito acessível e atrair capital privado para projetos de mitigação, adaptação, preservação florestal e transição energética.
O Mapa se organiza em cinco frentes prioritárias até 2035: financiamento concessional e de baixo custo; equilíbrio fiscal e sustentabilidade da dívida; estímulo a capital privado transformador; gestão articulada de portfólios climáticos em escala; e revisão das estruturas que conduzem fluxos globais de capital. Para o curto prazo, o documento apresenta ainda 15 ações voluntárias para governos, instituições financeiras e setor corporativo.
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A recepção foi positiva entre representantes da sociedade civil, que destacaram a criação de um grupo técnico para aperfeiçoar os cálculos até 2026 e o espaço dedicado ao debate sobre dívida externa e clima. Organizações ambientais, porém, alertaram para lacunas importantes: o texto não propõe a eliminação dos subsídios a combustíveis fósseis, medida considerada essencial para liberar orçamento público e acelerar a transição energética justa. Críticas também apontam falta de mecanismos que garantam entrega real, enfatizando que o plano avança em governança, mas ainda carece de instrumentos obrigatórios de mobilização financeira.

Fotos: Reprodução/Google
Mesmo com limitações, o Mapa do Caminho é reconhecido como um movimento diplomático robusto, capaz de reposicionar o financiamento climático no centro da geopolítica internacional. Para o Brasil, o resultado tem peso estratégico: abre espaço para ampliar investimentos na Amazônia, apoiar comunidades tradicionais e consolidar o país como agente protagonista de uma nova arquitetura financeira verde.
Se implementado com ritmo e convergência internacional, o roteiro poderá redesenhar o fluxo de capital global e transformar o enfrentamento à crise climática em política econômica de longo prazo — não mais promessa, mas execução.
Fontes:
COP30 – Apresentação oficial do Mapa de Baku a Belém
COP30 – Detalhamento das frentes de financiamento e cronograma
Agência Gov – Estrutura e objetivos do plano para 2035
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