A solução para os obstáculos enfrentados pela mulher na busca por mais igualdade e respeito na sociedade envolve fundamentalmente a questão da violência
Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o percentual de domicílios chefiados por mulheres no Brasil dobrou nos últimos 25 anos, saltando de 25% em 1995 para 50% em 2020. Estes números mostram que, por meio de seus próprios esforços, as mulheres conquistam cada vez mais o seu espaço profissional.
O que seria ótimo se o desafio fosse somente mostrar competência e capacidade. Entretanto, infelizmente, não se trata apenas disso. A dinâmica é mais complexa e envolve outros fatores que permeiam diuturnamente o universo feminino. Estamos falando não só das jornadas de trabalho que se estendem além do horário comercial e continuam dentro de casa, mas também dos desafios que a mulher enfrenta no dia a dia para ser valorizada e reconhecida, como discriminação, desigualdade de salários e oportunidades, além de todo tipo de desrespeito e violência.
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Violências
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A solução para os obstáculos enfrentados pela mulher na busca por mais igualdade e respeito na sociedade envolve fundamentalmente a questão da violência que ela é submetida em todos os lugares: nas ruas, no transporte público, no ambiente de trabalho, nas escolas e dentro de casa. Para se ter uma ideia, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de feminicídios em 12 estados do país aumentou 22% entre março e abril de 2020, em relação ao ano interior.
Só em Minas Gerais, de acordo com números fornecidos pela Polícia Civil, mais de 289 mil mulheres foram vítimas de violência dentro de suas casas e por parte de familiares. Situação que foi agravada por conta do isolamento social causado pela pandemia, que fez crescer o percentual de violência doméstica contra a mulher. Para a Dra. Kátia Cilene Moreira, ginecologista e obstetra, cooperada da Unimed-BH, especialista ouvida pelo Bem Viver Em Minas, a mulher, além das múltiplas funções que sobrecarregam o seu cotidiano, ainda são tomadas pelo medo das agressões a que estão expostas.
“Não é só a violência física, mas também a violência psicológica, a moral, a sexual, a opressão, enfim, os vários tipos de violências que as mulheres sofrem no dia a dia, tanto em casa, por meio dos cônjuges, quanto nas ruas ou no ambiente de trabalho”, analisa. Segundo a especialista, além de identificar e denunciar a violência aos órgãos de segurança e autoridades competentes, é necessário que haja também uma rede de apoio para as vítimas. “As mulheres precisam contar com o apoio de familiares, amigos e colegas de trabalho que possam acolhê-la e ajudá-la na resolução do problema, evitando que se chegue à agressão ou algo pior”.
Mercado de trabalho
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Fotos: Reprodução/Google
Outro especialista ouvido, o Dr. Virgílio de Queiroz, que também é ginecologista e obstetra, cooperado da Unimed-BH, lembrou da luta das mulheres por reconhecimento e valorização no mercado de trabalho e chamou atenção para a existência e o cumprimento da legislação que garante direitos femininos no ambiente profissional. “Existem normas que regulamentam, por exemplo, horários para amamentação e até disponibilização de creches, de acordo com a proporção de mulheres empregadas”, diz. Para o médico, por medo de sofrer represálias ou até mesmo perder o emprego, muitas mulheres acabam adiando ou deixando de lado o sonho de ser mãe.
“É preciso que as mulheres conheçam a lei, para que ela possa ser aplicada no sentido de normalizar a natureza feminina no mercado de trabalho”. Além disso, segundo o especialista, é necessário que as empresas transgridam o modelo centrado no perfil masculino para que haja de fato uma igualdade de oportunidades. “As mulheres humanizam as empresas e qualificam o atendimento. Elas têm valores maravilhosos para partilhar. Mas é preciso entender que o feminino traz a maternidade junto. Oferecer uma estrutura para abrigar e proteger essa mãe que trabalha é fundamental para melhorar a relação de trabalho e os resultados do negócio”. A CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, garante direitos que amparam as mulheres que trabalham como proteção à maternidade e estabilidade após o parto, além de outras normas.
Fonte: com informações Uol
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