Presidente brasileiro e primeiro-ministro vietnamita exaltam parcerias bilaterais firmadas e intenção de estreitar relações em evento com empresários dos setores de bioenergia, proteína animal, alimentos e aviação
“Essa é a viagem mais produtiva e mais importante que o Brasil faz ao Vietnã. É o marco de uma nova fase de cooperação”. Com essas palavras no encerramento do Fórum Econômico Brasil-Vietnã, neste sábado, em Hanói, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu a importância da visita de Estado ao país asiático que, entre outras conquistas, resultou na abertura do mercado do Vietnã à carne bovina produzida no Brasil.
“É importante que o Vietnã tenha no Brasil um parceiro de confiança e que a gente aprofunde as discussões comerciais para que a gente encontre similaridades entre nossos países e possa estabelecer uma política de trocas mais robusta. A abertura do mercado vietnamita à carne bovina brasileira é o primeiro passo nessa direção. A negociação de um acordo Mercosul-Vietnã, que o Brasil pretende lançar ao assumir a presidência do bloco, também contribuirá para esse objetivo.
O Brasil será a porta de entrada do Vietnã para a América Latina”, ressaltou o líder brasileiroTambém presente ao evento, o primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chính, endossou as palavras de Lula. “O Vietnã constitui a porta de entrada para o Brasil. Estamos dispostos a facilitar essa entrada de mercadorias brasileiras no mercado da Ásia. Queremos agradecer ao Brasil por constituir a porta de entrada para produtos vietnamitas no mercado do Mercosul. O Vietnã já abriu o caminho para a entrada da carne bovina do Brasil e o Brasil para os nossos produtos agrícolas”, afirmou.
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Economia de mercado
Esta é a segunda visita de Lula ao Vietnã. Desde a primeira viagem ao país, 17 anos atrás, houve forte crescimento do comércio entre as duas nações, que passou de 534 milhões de dólares em 2008 para 7,7 bilhões em 2024, um recorde na série histórica, com saldo positivo brasileiro de US$ 405 milhões. A meta conjunta é chegar a 15 bilhões de dólares em 2030.
Sinergias
Para Lula, isso é a prova de que mesmo países tão distantes podem encontrar sinergias e oportunidades. “Quando o protecionismo ameaça desorganizar as cadeias globais de valor, somos aliados na luta por um comércio internacional mais justo e baseado em regras multilateralmente acordadas. A decisão de reconhecer o Vietnã como economia de mercado, que tive a honra de anunciar ontem, é consequência da maturidade do nosso relacionamento econômico”, destacou LulaOportunidades
O presidente citou que as oportunidades de parceria têm potencial de se aprofundar para campos como a educação, a ciência e a cultura. "É importante que a gente aprofunde a relação entre os nossos especialistas e pesquisadores. É preciso que as nossas universidades conversem mais. É preciso aprofundar a relação cultural, porque o Vietnã tem uma cultura muito rica e o Brasil tem uma cultura muito rica. É preciso que a gente possa aprofundar a nossa relação no esporte", listou o presidente.
Embraer

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Depois de o Brasil assegurar a venda de 15 jatos da Embraer para a All Nippon Airways (ANA), maior empresa aérea do Japão, com possibilidade de aquisição de mais cinco aeronaves, num negócio de quase R$ 10 bilhões em investimentos, Lula vislumbra que o mesmo caminho pode ocorrer no mercado vietnamita. “A empresa está pronta para fornecer à Vietnam Airlines aeronaves ideais para a ampliar a conectividade no Sudeste Asiático. A oferta inclui a instalação de centro de treinamento e de manutenção no Vietnã. A assinatura do Memorando de Entendimento em Cooperação de Defesa, em 2023, abriu caminho para parcerias no setor. As aeronaves multimissão C-390 Millennium da EMBRAER também podem atender perfeitamente às necessidades da Força Aérea vietnamita”.
Energias renováveis
Outro ponto destacado pelo presidente brasileiro refere-se às possibilidades de parceria no campo das energias renováveis. “A descarbonização não é uma escolha, é uma necessidade e uma oportunidade. Temos décadas de experiência em biocombustíveis, que são alternativas de baixo custo para os setores automotivo e de aviação, e mesmo para a geração de energia elétrica. Há potencial de cooperação em energia éolica e solar, bem como em hidrogênio verde. O setor privado tem importante papel a desempenhar na redução de emissões e no financiamento climático”, afirmou Lula.
Fonte: com informações Gov
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