29 de Abril de 2026

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Elas nos inspiram - 21/02/2026

Juliana Villegas fatura 2 milhões por ano com calcinhas absorventes

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Foto: Reprodução/Google

Com a Somos Martina, a empresária colombiana une sustentabilidade para combater a pobreza menstrual e o impacto ambiental derivado do descarte de resíduos

Desde a infância, sustentabilidade sempre foi um tema que chamou a atenção de Juliana Villegas. À frente da Somos Martina, sua trajetória com o empreendedorismo começou justamente a partir de um desconforto pessoal com o descarte massivo de absorventes. Hoje, além de vender calcinhas impermeáveis, ela atua com a implementação delas nos uniformes escolares com o projeto “The Period Uniform”.

 

No entanto, foi apenas por volta de 2012, enquanto cursava Línguas e Estudos Culturais na Univerdidad de Los Andes, em Bogotá que ela percebeu o real impacto dos absorventes no meio ambiente. Segundo levantamento feito pelo Instituto Akatu, ONG brasileira que atua com o consumo consciente, uma só pessoa pode descartar até 15 mil produtos ao longo de sua vida e acumular cerca de 200 quilos de resíduos, que possuem plástico em 90% da composição e demoram 500 anos para se decompor.

 

“Tentei usar o coletor menstrual e nunca me adaptei. Mas, eu sabia que os produtos tradicionais eram muito poluentes e comecei a pensar que na Colômbia precisávamos de uma mudança para produtos ecológicos, pelo impacto que isso tem no mundo”, relembra. Já inserida no segmento de moda com a fundação da Delirium Jackets , em 2016, ela se mudou para Barcelona, em 2018, para cursar pós-graduação em gerenciamento de produtos de moda na IED (Istituto Europeu de Design).

 

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Lá, Juliana teve o estalo definitivo em uma aula de moda sustentável: criar uma marca para mulheres que, como ela, buscavam uma menstruação consciente sem abrir mão da praticidade.

 

O boom da pandemia

 

Ao retornar para a Colômbia, Juliana começou a pesquisar mais sobre o tema em um contexto em que não existia praticamente nenhuma alternativa no mercado e os fabricantes locais sequer compreendiam o conceito de uma roupa íntima capaz de absorver fluxos sem vazamentos. Enquanto o mercado ainda engatinhava na América Latina, no dia 8 de março de 2019 ela fundou oficialmente a Somos Martina, no Dia Internacional da Mulher, com um único modelo, de cor preta e fluxo médio.

 

No primeiro ano, a marca vendia cerca de 15 unidades por mês, mas o cenário mudou drasticamente com a chegada da pandemia em 2020, quando as mulheres começaram a testar a tecnologia na segurança de suas casas. “A pandemia foi ótima para a Somos Martina porque as mulheres que queriam testar a calcinha, mas tinham medo de vazamentos na rotina, pensaram: ‘Ok, este é o momento de tentar porque estou em casa'”, relembra. O resultado foi um crescimento exponencial e um fenômeno de “boca a boca” que esgotou os estoques em semanas, elevando a operação para a venda de 900 a 1.400 unidades por mês em vários países, incluindo o Brasil. Com mais de 118 mil seguidores nas redes sociais, hoje, a Somos Martina possui um faturamento anual de aproximadamente 400 mil dólares, cerca de 2 milhões de reais.

 

Sustentabilidade e propósito

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Sediada em Bogotá, que serve tanto de loja física quanto de centro comunitário, a marca expandiu seu portfólio para incluir desde roupas íntimas para fluxos leves a pesados até biquínis absorventes, boxers masculinos para incontinência e uma linha especial para adolescentes e mulheres no período de menopausa. Com uma equipe de sete mulheres liderando áreas que vão da sustentabilidade à logística, a empresa comercializa tamanhos que abrangem do XXS ao XXL e utiliza algodão com selo BCI, produzidos de forma sustentável, e eliminou as costuras que marcam a roupa.

 

“Sempre tentei misturar moda com sustentabilidade, porque se as pessoas falam sobre calcinhas menstruais, a primeira coisa que vem à mente é aquela calcinha de vovó horrível. Não é o caso da Somos Martina”, conta. Recentemente, a marca alcançou a certificação B Corp, um selo que atesta que a empresa opera com 100% de sustentabilidade, não apenas nos materiais, mas em todas suas práticas sociais e internas.

 
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O desafio com a pobreza menstrual

 

Outro pilar do trabalho de Juliana é a pobreza menstrual, uma barreira silenciosa para a educação, não só na Colômbia como no mundo. Um levantamento feio pelo Instituto de Pesquisa Locomotiva, aponta que 52% das mulheres no Brasil já sofreram com pobreza menstrual e 35% afirmam que a compra de itens de higiene pessoal pesa na renda. Com esse pensamento, ela estruturou um programa de impacto social que vai além da doação: a marca ensina mulheres em situação de vulnerabilidade a costurar seus próprios absorventes reutilizáveis, fornecendo conhecimento técnico que pode vir a se tornar uma fonte de renda.  

 

Fonte: com informações IstoÉ

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