Para muitas mulheres palestinas, o ato de bordar é uma forma de afirmar a existência, de preservar história em meio a violência e deslocamentos, e de transmitir esperanças e dores através da linha e da agulha.
Na abertura da Assembleia Geral da ONU, a primeira-dama Janja Lula da Silva fez uma escolha simbólica e carregada de significado ao vestir um traje adornado com o bordado Tatreez, tradição palestina confeccionada majoritariamente por mulheres ao longo dos séculos.
O Tatreez é um bordado geométrico que combina pontos variados e cores em padrões simbólicos. Ele é mais do que um enfeite: cada desenho remete a narrativas de comunidade, memória, identidade territorial e resistência. Para muitas mulheres palestinas, o ato de bordar é uma forma de afirmar a existência, de preservar história em meio a violência e deslocamentos, e de transmitir esperanças e dores através da linha e da agulha.
Em seu discurso, Janja ressaltou que os coloridos pontos geométricos do bordado contam a história de um povo que enfrenta ataques reiterados desde o início dos conflitos na Faixa de Gaza, com impacto especialmente sobre mulheres e crianças. Segundo estimativa da ONU Mulheres, divulgada em maio de 2025, desde o começo do conflito em 2023, mais de 28.000 mulheres e meninas foram mortas em Gaza.
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O presidente Lula também fez declarações fortes em relação ao conflito:
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“Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo. Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza. Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes. Ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente.”
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Somando gesto e discurso, o governo brasileiro dá sinal claro de posicionamento pela paz e pela dignidade humana, realçando que todas as pessoas devem poder viver em segurança em seus próprios territórios.
Maria Santana Souza idealizadora do Portal Mulher Amazônica e Ela Podcast, comentou a atitude de Janja ao trazer à cena pública a voz das mulheres palestinas:
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Fotos: Reprodução/Google
“Ver uma mulher brasileira engajada desta forma, usando o bordado palestino como símbolo de resistência, é um gesto que ecoa em nossa própria Amazônia.
Mostra que as mulheres têm poder simbólico, político e cultural para sustentar solidariedades que atravessam fronteiras. A fala de Janja Lula da Silva reforça a importância de ver no gesto não apenas um ato diplomático, mas um ato simbólico que dialoga com mulheres de diferentes partes do mundo, inclusive as que vivem realidades de proximidade com lutas por terra, memória e dignidade”, pontou Maria Santana.
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