30 de Abril de 2026

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Violência contra Mulher - 26/01/2026

Italiana relata como descobriu ter sido vítima de 'revenge porn' do ex-marido: 'Roubou a minha intimidade'

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Foto: Reprodução

Uma mulher que viu seu ex-marido ser condenado pelo crime compartilha sua história a Marie Claire

"Revenge Porn: eu não sabia o que era isso. Então meus amigos começaram a me perguntar o que aquele vídeo pornô estava fazendo na minha página do Facebook: uma farsa clamorosa, criada pelo meu ex-marido. Era sua vingança por um divórcio indesejado, uma forma sutil de violência contra as mulheres. Tudo começou com uma postagem muito banal na minha página: 'Olá, vejam o que estou fazendo na Itália'. O que parecia ser uma das mensagens habituais nas redes sociais estava acompanhado de um vídeo picante de sexo oral que meu ex-marido tinha filmado com o celular na época do nosso casamento — 'uma lembrança sua que vou guardar só para mim', dizia ele enquanto me filmava.

 

A filmagem torta e desajeitada focava na minha boca, naquele movimento íntimo para cima e para baixo que só faz sentido no segredo de um quarto, de uma história a dois. E que, de outra forma, se torna imediatamente pornografia de baixa qualidade. Não conseguia tirar os olhos daquela cena, como se estivesse hipnotizada: ele não aparecia, mas aquela mulher era eu, não havia dúvida, reconhecia os lençóis, o nosso quarto, aqueles gestos tão familiares, mas que agora faziam parte do passado. Há três anos que tinha regressado da Suíça com a nossa filha, fugindo de um casamento que tinha acabado por 'alta traição' — a dele.

 

Até o nome no perfil, os dados, as outras fotos — algumas muito íntimas, embaraçosas — eram meus, até a escolha de filmes e músicas correspondia aos meus gostos. Tudo coerente, perfeito. Só que aquela página não era minha. Era falsa, como me explicaram depois. Tinham roubado a minha intimidade. Quando percebi que aquele vídeo pornográfico poderia ser visto por parentes, amigos e até mesmo pelo meu novo empregador — que, não se sabe como, acabou na lista de 'amigos' —, uma onda de pânico subiu do meu estômago até a cabeça. A sensação de ter sido violada era tão insuportável que caí no chão: por alguns segundos, meu corpo desligou toda conexão com o mundo.

 

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Quando me recuperei, rezei para que fosse um pesadelo, mas aquelas imagens ainda estavam todas lá. Junto com a consciência de que nada mais seria como antes: minha tentativa de recomeçar uma nova vida na Itália depois de deixar um homem que traiu minha confiança — endividando-se com negócios obscuros e hipotecando nossa casa sem meu conhecimento — foi varrida por um mar de lama. E dizer que naqueles anos eu tinha me esforçado ao máximo, apostando no único bem que me restava: minha reputação. Vencendo todas as hesitações residuais — ele, entretanto, tinha esvaziado nosso apartamento, privando-me até mesmo das minhas lembranças de infância —, eu tinha iniciado os trâmites para o divórcio e conseguido restabelecer o contato com os colegas de Milão, retomando minha profissão de fisioterapeuta em um centro médico. Pedi hospedagem temporária à minha irmã, para dar à minha filha Viola a sensação de ter uma família, num momento muito difícil também para ela: nova escola primária, novas amizades, novas figuras de referência (o pai era importante para minha filha, eu sempre tentei protegê-la de nossas brigas).

 

Até minha irmã foi envolvida no pesadelo: entre as informações falsas, dava a entender que estávamos nos prostituindo juntas. Amigos e parentes nos ligavam perplexos para perguntar o que estava acontecendo (as denúncias vinham de todos os lados, até mesmo de conhecidos na Espanha e na França). Até então, eu tinha resistido, apesar da ansiedade devastadora, do alerta por causa das ligações contínuas, dos toques, das ameaças ('se você não voltar para a Suíça, vou te difamar para todo mundo, vou tirar a criança de você, vou até aí e vou cortar seu rosto para que ninguém mais queira você'). E o processo judicial tinha seguido em frente, o divórcio estava a um passo.

 

 

Mas depois do choque de ver meu corpo nu exposto a qualquer um, não aguentei mais. Caí numa depressão daquelas que não perdoam: não saía mais da cama, até levantar um braço, uma perna, era muito difícil, sem falar em cuidar da criança, da casa. Aquele mínimo de estabilidade, de segurança econômica que eu havia conseguido arrancar com unhas e dentes, estava se desintegrando. Por vergonha, eu não saía mais, não comia, havia perdido 10 quilos. Felizmente, minha irmã e meus amigos, os verdadeiros, estavam lá para me manter viva.

 

No final, a dica certa veio de uma colega que havia vivido uma história muito semelhante: foi ela quem me deu o endereço de um centro de primeiros socorros para vítimas de violência em Milão, o Soccorso Rosa. Lá, eles me ajudaram primeiro do ponto de vista médico e psicológico — eu estava em um estado lastimável. Mas, ao mesmo tempo, me proporcionaram assistência jurídica especializada (e gratuita) para bloquear imediatamente aquela perseguição devastadora. O que estava acontecendo comigo — explicaram-me calmamente, depois de vermos juntas aquelas imagens — infelizmente acontece cada vez mais com as mulheres (e às vezes também com crianças vítimas de bullying), tanto que agora tem um nome: revenge porn. Há alguns anos, na Califórnia, um jovem de 28 anos chegou a criar um site especializado nesse tipo de “vingança”, com mais de 10 mil imagens e vídeos postados por ex-namorados em busca de vingança, antes de ser preso e condenado a 18 anos.

 

Mas também aqui existe uma solução: processar imediatamente, mesmo contra desconhecidos. A polícia postal se encarrega de identificar o responsável. No meu caso, não foi difícil: havia todos os elementos para localizar meu ex-marido, que, entretanto, nem mesmo se escondia mais atrás de identidades falsas e enviava minhas fotos diretamente a conhecidos para se vingar da “afronta” de um divórcio ao qual ele tentou se opor com todas as suas forças.

 

Fotos: Reprodução

 

Embora ele não morasse na Itália, a ação judicial contra ele foi iniciada imediatamente. Acredito que as duas polícias tenham conversado, o fato é que, depois de ser chamado pelas autoridades, ele parou de me perseguir de repente. Enquanto isso, o processo na Itália seguiu adiante, até sua condenação a um ano e dez meses, mais uma pequena indenização. Levou tempo para apagar todas as imagens da internet, mas foi novamente a polícia postal que reconstruiu pacientemente os caminhos perversos dessas fotos roubadas e as eliminou, onde quer que elas tivessem chegado. Para apagar a ansiedade que se apegou a mim, acredito que ainda vai demorar bastante: basta um toque do telefone, uma notificação, para eu dar um pulo.

 

Meu novo companheiro está tentando, com muita paciência, me ajudar a reconquistar a confiança em um homem, devo dizer. É que qualquer gesto afetuoso, qualquer momento íntimo, na minha cabeça, eu vejo passando no YouTube. É mais forte do que eu: não consigo deixar de me observar como espectadora. Estou trabalhando nisso com a psicóloga, mas decidimos que devo levar o tempo que for necessário.

 

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Meu próximo desafio é não transmitir à minha filha essa ansiedade sutil, que nunca desaparece. Ela tem quase treze anos, está começando a ter seus primeiros flertes, mensagens no celular, redes sociais. Mas há uma coisa que vou lhe dizer assim que ela estiver um pouco mais velha, com toda a delicadeza possível: nunca brinque de tirar fotos sensuais. Nem mesmo o maior amor tem o direito de roubar seus momentos de intimidade com uma foto. 'Seu corpo é algo precioso', minha mãe me dizia quando eu tinha a idade de Viola. Hoje, sinto que posso dizer que a imagem também é."

 

Fonte: Com informações Revista Marie Claire 

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