Trata-se de defender o povo venezuelano, sua dignidade, sua soberania e o direito de não ser novamente submetido à lógica da força e da supremacia internacional.
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, em uma operação realizada em território estrangeiro, abriu um precedente grave nas relações internacionais contemporâneas. Mais do que o destino de um governante controverso, o episódio coloca em xeque princípios fundamentais do direito internacional, da soberania dos povos e do respeito às nações historicamente marcadas por colonização, intervenções externas e exploração econômica.
O Portal Mulher Amazônica se posiciona de forma clara e responsável: não se trata de defender Nicolás Maduro, tampouco o modelo político-econômico que levou a Venezuela a um colapso social profundo. Trata-se de defender o povo venezuelano, sua dignidade, sua soberania e o direito de não ser novamente submetido à lógica da força e da supremacia internacional.
Maduro declarou-se inocente em audiência judicial em Nova York, afirmando ser vítima de sequestro e violação da soberania venezuelana, e declarou-se ainda como “presidente da Venezuela” e “prisioneiro de guerra”. A vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez assumiu interinamente o cargo, com respaldo interno, embora sob grande pressão internacional e interna.
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Uma ação que ultrapassa limites legais e morais

A operação conduzida pelo governo dos Estados Unidos, que resultou no sequestro de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, foi amplamente criticada por especialistas em direito internacional. A Carta das Nações Unidas proíbe expressamente o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado soberano.
A ONU, por meio de seus representantes, alertou que ações dessa natureza fragilizam o sistema internacional, desconstroem mecanismos multilaterais e criam um cenário de instabilidade global. Ainda que existam acusações graves contra líderes políticos, não cabe a um país agir como juiz, promotor e executor fora das instâncias internacionais reconhecidas. Se tal prática fosse aplicada de forma inversa, nenhuma nação, incluindo os próprios Estados Unidos, aceitaria ver seu presidente sequestrado por forças estrangeiras.
Não é Maduro. É o povo. É o país.

O Portal Mulher Amazônica reconhece que o governo de Nicolás Maduro foi responsável por políticas que agravaram a crise econômica, social e institucional da Venezuela. A imposição ideológica, a centralização do poder e a deterioração das condições de vida empurraram milhões de venezuelanos para a pobreza extrema e para o exílio.
Entretanto, o respeito exigido não é ao governante, mas ao povo venezuelano. Povos não podem ser punidos coletivamente nem tratados como peças descartáveis em disputas geopolíticas. A história latino-americana é marcada por colonização, intervenções e exploração. A Venezuela, assim como o Brasil e tantos outros países da região, carrega cicatrizes profundas desse processo. Nenhuma nação é superior à outra. Nenhum povo é menos digno de respeito.
A crise humanitária: fome, infância roubada e sobrevivência

Segundo dados de agências humanitárias internacionais e organismos multilaterais a crise econômica e social na Venezuela é profunda e prolongada. Dados divulgados por instituições internacionais mostram:
Fome e insegurança alimentar
• Cerca de 40% da população experimenta insegurança alimentar moderada a grave e cerca de 4 milhões de pessoas necessitam de assistência alimentar urgente.
• Estima-se que 5 milhões de crianças enfrentam fome ou estão em risco de insegurança alimentar, e quase 4 milhões estão fora da escola.
Relatórios independentes apontam que milhões de venezuelanos perderam peso devido à desnutrição, e o acesso a medicamentos e serviços básicos de saúde está seriamente comprometido, agravado também por migrações em massa de famílias buscando sobrevivência em outros países da América Latina.
Essa realidade complexa e dolorosa decorre de uma combinação de má gestão econômica, políticas internas, sanções internacionais, queda dos preços do petróleo e crise estrutural de governança. O Portal Mulher Amazônica reconhece essas dores sem conflitar com a necessidade de defender o respeito à soberania e ao direito internacional. A fome, a precariedade e o colapso dos serviços públicos não podem ser ignorados e nem instrumentalizados como justificativa para violações do direito internacional.
Cilia Flores: a mulher no centro de uma sentença geopolítica
Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro, é mais do que uma figura simbólica de primeira-dama. Advogada e experiente política venezuelana, Flores foi:
• Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela;
• Procuradora-Geral da República;
• Uma líder influente no movimento chavista muito antes de ser capturada em 2026.

Ela é acusada, juntamente com Maduro, de envolvimento em redes de corrupção, abuso de poder e apoio indireto a atividades ilícitas — acusações que negam veementemente enquanto enfrentam julgamento nos EUA. Embora seja legítimo criticar figuras por má gestão ou corrupção, nenhum líder ou líder internacional pode renunciar ao princípio da soberania e ser alvo de operações militares de outro Estado sem processo legal internacional claro.
Ainda assim, levá-la à força para julgamento em outro país sem mediação internacional levanta uma questão grave: quando mulheres são transformadas em troféus políticos, o julgamento deixa de ser jurídico e passa a ser uma sentença de morte política e simbólica. O Portal Mulher Amazônica entende que justiça não se constrói com sequestros, mas com processos legais reconhecidos internacionalmente.
Posicionamento oficial do Portal Mulher Amazônica
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Maria Santana Souza, jornalista e idealizadora do
Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast
Defender a soberania não significa, em hipótese alguma, legitimar governos autoritários ou silenciar diante de erros, abusos e violações cometidos por lideranças políticas. Significa, antes de tudo, defender povos, territórios, dignidade coletiva e o direito inalienável das nações de existirem sem imposições externas, intervenções militares unilaterais ou ações que desrespeitem o direito internacional.
O Portal Mulher Amazônica repudia qualquer forma de intervenção armada realizada à margem dos organismos multilaterais e reafirma a necessidade do fortalecimento da Organização das Nações Unidas e de seus mecanismos institucionais como instâncias legítimas para a mediação de conflitos globais. Ao mesmo tempo, reconhece o sofrimento histórico e atual do povo venezuelano, marcado por fome, colapso social e restrições de direitos, e rejeita de forma contundente sua instrumentalização política em disputas geopolíticas.
Para o Portal Mulher Amazônica, direitos humanos, soberania nacional e justiça internacional são princípios indissociáveis e não podem ser relativizados conforme interesses econômicos, ideológicos ou estratégicos de qualquer potência. Maria Santana Souza, jornalista e idealizadora do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast, afirma:

Fotos: Reprodução/Google
“Nossa posição é clara: não se trata de defender Nicolás Maduro, mas de defender princípios. Nenhum país tem o direito de sequestrar outro chefe de Estado e tratar um povo inteiro como se fosse inferior. A América Latina conhece bem o peso da intervenção estrangeira. O povo venezuelano já sofre demais com fome, colapso econômico e dor social para ainda ser usado como peça num tabuleiro geopolítico. Soberania não se negocia, e dignidade humana não pode ser relativizada.”
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Fontes: Organização das Nações Unidas (ONU) – Carta da ONU e comunicados oficiais
Agência Brasil – Cobertura internacional e posicionamento diplomático
World Food Programme (WFP) – Dados sobre insegurança alimentar
World Vision – Relatórios sobre infância e crise humanitária na Venezuela
Human Rights Watch – Relatórios de direitos humanos
CNN Brasil – Perfil político de Cilia Flores
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