Procurado, Peter Liu alegou que a vítima seria funcionária de sua ex-esposa e negou manter contato recente. No entanto, fotos anexadas aos autos do processo contradizem essa versão e foram consideradas relevantes para a formação do convencimento dos magis
A Justiça do Trabalho reconheceu a existência de trabalho escravo contemporâneo no caso envolvendo o influenciador digital Peter Liu, conhecido nacionalmente por conteúdos sobre medicina chinesa, bem-estar e práticas integrativas. Com mais de 3 milhões de inscritos no YouTube, Liu foi condenado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, com sede em Campinas, por manter uma mulher em condições análogas à escravidão por mais de três décadas.
De acordo com a decisão judicial, a vítima trabalhou por mais de 30 anos para a família Liu. Inicialmente contratada como babá, passou a acumular funções domésticas e atividades ligadas à clínica do influenciador, sem registro em carteira, com salários irregulares e em situação de dependência total. O processo aponta ainda que houve promessas recorrentes de regularização do vínculo empregatício, jamais cumpridas.
A mulher, hoje com 59 anos, teria deixado de receber qualquer remuneração após a mudança da família para o interior de São Paulo. Para o colegiado do TRT, ficaram configurados elementos característicos do trabalho escravo contemporâneo, como violação de direitos fundamentais, submissão prolongada, exploração e supressão da autonomia da trabalhadora.
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Procurado, Peter Liu alegou que a vítima seria funcionária de sua ex-esposa e negou manter contato recente. No entanto, fotos anexadas aos autos do processo contradizem essa versão e foram consideradas relevantes para a formação do convencimento dos magistrados.
O caso reacende o debate sobre a persistência do trabalho análogo à escravidão no Brasil, especialmente em ambientes domésticos e familiares, onde a fiscalização é mais difícil e a exploração costuma ocorrer de forma silenciosa e prolongada. Também chama atenção para o envolvimento de figuras públicas, cuja visibilidade contrasta com práticas que ferem frontalmente a legislação trabalhista e os direitos humanos.

Foto: Reprodução/Google
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, milhares de pessoas ainda são resgatadas todos os anos no país em condições degradantes, jornadas exaustivas ou situações de servidão por dívida, inclusive em centros urbanos e residências particulares. Especialistas destacam que o reconhecimento judicial desses casos é fundamental para romper ciclos históricos de exploração e reforçar a mensagem de que trabalho doméstico também é trabalho, devendo ser protegido pela lei, com direitos assegurados e dignidade preservada.
Fontes:
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas)
https://www.trt15.jus.br
Ministério Público do Trabalho
https://www.prt15.mpt.mp.br
https://www.mpt.mp.br
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