29 de Abril de 2026

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Saúde da Mulher - 14/03/2026

Incontinência urinária e constipação são comuns na menopausa, dizem especialistas

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Foto: Reprodução/Google

Alterações hormonais do climatério afetam o assoalho pélvico e o funcionamento do intestino

Cerca de 30% a 50% das mulheres na menopausa podem apresentar incontinência urinária, segundo especialistas ouvidos pela Folha e estimativas de estudos internacionais. Alterações hormonais dessa fase também estão associadas a constipação intestinal, outra queixa frequente nos consultórios.

 

Apesar de serem comuns, esses problemas ainda são cercados de vergonha e muitas vezes não são mencionados nem mesmo em consultas médicas. Quando presentes, porém, as alterações urinárias e intestinais podem ter impacto significativo na qualidade de vida das mulheres na menopausa, fase já marcada por ondas de calor, insônia, alterações de humor e outras mudanças hormonais.

 

Muitas deixam de praticar atividade física, evitam beber líquidos antes de sair de casa e até se privam de relações sexuais ou de atividades sociais por medo de perder urina em público. No caso da constipação, sintomas como distensão abdominal, cólicas e desconforto também afetam o bem-estar e a autoestima.Durante o climatério, período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher, que costuma ocorrer entre os 40 e os 65 anos e inclui a perimenopausa, a menopausa e a pós-menopausa, essas alterações urinárias e intestinais estão associadas à queda dos hormônios estrogênio e progesterona.

 

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Uma revisão sistemática publicada em 2024 na Cureus Journal of Medical Science, do mesmo grupo da revista Nature, mostrou que aproximadamente 63% das mulheres na pós-menopausa enfrentam perdas involuntárias de urina. Pesquisa publicada em 2025 no European Journal of Obstetrics and Gynecology and Reproductive Biology encontrou prevalência de 30,8% do problema entre mulheres na menopausa. Um outro estudo apresentado pela The Menopause Society no ano passado aponta que sintomas digestivos são muito frequentes durante a transição para a menopausa.

 

Na pesquisa conduzida no Reino Unido com quase 600 mulheres entre 44 e 73 anos, 94% relataram algum problema gastrointestinal, sendo os mais comuns distensão abdominal (77%), constipação (54%), dor de estômago (50%) e refluxo ácido (49%). A maioria afirmou que os sintomas surgiram ou pioraram na perimenopausa ou na menopausa e mais da metade relatou impacto significativo na qualidade de vida.Rogério Felizi, ginecologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que os hormônios femininos ajudam a manter a elasticidade e o funcionamento dos tecidos da região pélvica. Na menopausa, a queda dessas substâncias provoca a chamada síndrome geniturinária da menopausa, caracterizada por atrofia e ressecamento da região genital, o que pode comprometer o suporte da bexiga e favorecer episódios de perda urinária.

 

Ele explica que existe uma associação entre o número de gestações da mulher e a incontinência urinária, mas que mesmo pacientes que nunca tiveram filhos e outras levam uma vida mais saudável, com atividades físicas, por exemplo, podem apresentar perda de xixi.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Membro da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), a ginecologista Rita de Cássia Dardis afirma que a constipação intestinal também pode contribuir para episódios de incontinência urinária."A bexiga, a uretra e o reto ficam muito próximos dentro do assoalho pélvico, que é a musculatura que sustenta esses órgãos. Quando a mulher tem constipação crônica, o reto pode ficar distendido, aumentando a pressão dentro do abdome e comprimindo a bexiga. Isso pode alterar o esvaziamento da bexiga e favorecer perdas urinárias", explica. Segundo ela, o esforço repetido para evacuar também sobrecarrega essa musculatura.

 
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Dardis acrescenta que outros fatores comuns nessa fase da vida também podem agravar o problema, como o ganho de peso, especialmente na região abdominal, a tosse crônica e a prática de atividades físicas de alto impacto. A constipação pode ser um problema prévio ao climatério, mas também pode surgir ou se intensificar nessa fase. Isso ocorre porque a mulher passa por mudanças metabólicas que também afetam o funcionamento do sistema gastrointestinal, explica Felizi. 

 

Fonte: com informações Folha de São Paulo

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