03 de Maio de 2026

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Especial Mulher - 26/08/2025

Hulda Clark e o parasita que ela dizia causar o câncer: mito ou ciência em evolução?

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Foto: Reprodução/Google

Clark defendia que praticamente todas as doenças graves, incluindo o câncer, eram causadas por parasitas, toxinas ou poluentes, e propôs métodos de limpeza interna com tinturas antiparasitárias e aparelhos de baixa frequência, como o chamado Zapper.

Na década de 1960, a pesquisadora alternativa Hulda Clark lançou uma frase que ecoou entre críticos e seguidores: “Onde há câncer, há parasitas”. Na época, foi duramente rejeitada pela medicina tradicional, acusada de charlatanismo e sem respaldo científico.

 

Clark defendia que praticamente todas as doenças graves, incluindo o câncer, eram causadas por parasitas, toxinas ou poluentes, e propôs métodos de limpeza interna com tinturas antiparasitárias e aparelhos de baixa frequência, como o chamado Zapper.

 

Apesar da popularidade em nichos alternativos, suas ideias foram consideradas pseudociência por autoridades médicas e agências regulatórias, como a FDA (Food and Drug Administration) e a FTC (Federal Trade Commission), que chegaram a processar empresas ligadas às suas práticas por propaganda enganosa e promessas infundadas de cura.

 

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Avanços científicos recentes

 

 

 

Mais de meio século depois, a ciência voltou os olhos para a relação entre parasitas e câncer — mas em bases muito diferentes das propostas por Clark. Pesquisas recentes, publicadas no International Journal of Cancer e analisadas pela American Cancer Society, sugerem uma possível ligação entre o parasita Toxoplasma gondii — encontrado em carnes malcozidas, água contaminada e fezes de gatos — e o risco aumentado de desenvolver gliomas, tumores cerebrais agressivos.

 

Um grande estudo conduzido com dados de coortes nos Estados Unidos e na Noruega identificou que pessoas com glioma tinham maior prevalência de anticorpos contra o parasita, indicando infecção anterior. Apesar disso, os pesquisadores destacam:

 

• A relação observada é associativa, não causal.
• O risco absoluto permanece baixo.
• São necessários estudos adicionais para entender se o parasita desempenha um papel direto no desenvolvimento dos tumores ou se apenas acompanha processos inflamatórios que favorecem o câncer.

 

Entre o mito e a ciência

 

 

 

Enquanto Clark atribuía a todos os cânceres uma origem parasitária, a ciência atual aponta para algo muito mais complexo: uma interação entre genética, ambiente, estilo de vida e agentes infecciosos. O Toxoplasma gondii pode ser um fator de risco em alguns tipos de câncer, mas não é — e nem pode ser considerado — o “único culpado” pela doença.

 

Especialistas alertam também para os riscos de “curas milagrosas”: o uso de tinturas ou dispositivos sem comprovação científica pode atrasar tratamentos eficazes e colocar vidas em risco.

 

O que dizem os especialistas

 

 

 

• American Cancer Society: “Embora esses resultados sejam intrigantes, eles não provam que T. gondii cause gliomas. Mais estudos são necessários para confirmar a relação” (ACS).
• McGill Office for Science and Society: “Os métodos de Clark foram classificados como pseudociência e não têm respaldo na medicina baseada em evidências” (McGill).
• Swiss Cancer League: “Não há provas de eficácia nas práticas propostas por Clark, que podem oferecer riscos à saúde pública” (Ligue Cancer).

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A frase de Hulda Clark ressurge como provocação histórica: será que a ciência, enfim, começa a confirmar parte de sua intuição? A resposta, até agora, é não totalmente. Se por um lado a pesquisa moderna sugere que parasitas podem desempenhar um papel no surgimento de alguns tumores, por outro lado não existe nenhuma evidência de que todos os cânceres sejam causados por parasitas ou que se curem com métodos alternativos sem base científica.

 
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O que a ciência mostra é que a luta contra o câncer exige investigação séria, métodos validados e prudência para não cair em soluções simplistas diante de um problema tão complexo.
 

 

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