29 de Abril de 2026

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Internacional - 01/03/2026

GUERRA NO IRÃ: Governo Brasileiro descarta transição tranquila no Irã como ocorreu na Venezuela

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Foto: Mohammed Huwais/AFP

Manifestação em homenagem ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei, organizada por houthis do Iêmen, na capital Sanaa

Para o governo brasileiro, o cenário de potencial mudança de regime que se desenha no Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei se assemelha mais ao do Iraque do que o da Venezuela. Na avaliação de funcionários do Planalto e do Itamaraty, é baixa a possibilidade de uma transição tranquila como está se dando em Caracas após os Estados Unidos capturarem o ditador Nicolás Maduro no início do ano.

 

Milhares de pessoas participam de manifestação em área urbana com montanhas ao fundo. A multidão segura bandeiras de diferentes países e cartazes com imagens e textos em árabe, ocupando uma ampla avenida. A chance de instalar no poder alguém de dentro do regime iraniano que possa ser influenciado pelos EUA, que mantenha o canal de Horrmuz desimpedido e que abra o setor de petróleo e gás para empresas americanas é vista como remota —na Venezuela, a líder interina Delcy Rodríguez tem colaborado com Washington e foi até elogiada por Donald Trump, embora afirme que nenhum agente externo lhe dá ordens.

 

A análise no governo brasileiro é que há maior probabilidade de uma situação de caos social e guerra civil como a que se seguiu à invasão dos Estados Unidos no Iraque em 2003. No Irã, o grupo que está no poder, entre lideranças religiosas e da Guarda Revolucionária, é muito mais ideológico e hostil aos americanos e israelenses do que a Venezuela. Segundo esse raciocínio, seria muito mais difícil achar alguém como Delcy Rodriguez, a vice-presidente venezuelana que assumiu o poder como presidente interina após a captura de Maduro e vem seguindo as demandas americanas, principalmente em relação à exportação e exploração de petróleo e compra de produtos americanos.

 

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Na visão de um funcionário do governo brasileiro, a intervenção americana e israelense ainda vai causar grande destruição no país, uma vez que várias lideranças do regime teocrático ainda podem ser alvejadas. O processo de sucessão de Khamenei e substituição das lideranças mortas está em curso, mas a aposta é que EUA e Israel também tentarão matar os líderes escolhidos.

 


Neste domingo (1º), houve uma intensificação nos bombardeios contra Teerã e foram atingidas várias estruturas das Forças Armadas, da Guarda Revolucionária, além de setores como inteligência, TV estatal e complexos residenciais de militares.

 

 

 

Nas palavras de uma autoridade brasileira que acompanha a situação, Washington e Tel Aviv estão eliminando as lideranças da Guarda Revolucionária, que é o centro do poder político, econômico e militar do regime. Sobrariam 300 mil homens armados, sem liderança —o quem, nas palavras dessa autoridade, seria um ingrediente para o caos, como no Iraque.

 

 
 
 
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Fotos: Reprodução/Google

 

Também é visto como improvável que a população iraniana consiga tomar o poder, como sugere Trump em seus pronunciamentos. Embora parte dos iranianos mantenha certo otimismo com possíveis mudanças, após anos de repressão e crise econômica, não há uma oposição organizada.

 

Fonte: com informações Folha de São Paulo

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