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A Copa do Mundo de 2026 ainda está distante, mas uma crise silenciosa já pode comprometer seu sucesso: as políticas migratórias mais rígidas adotadas sob o novo governo de Donald Trump estão preocupando especialistas do setor turístico e autoridades políticas. A competição, que será sediada em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá, corre o risco de ter arquibancadas menos cheias do que o esperado — não por falta de paixão pelo futebol, mas por barreiras de entrada cada vez mais altas para estrangeiros.
Temor generalizado entre turistas e atletas
O alerta veio de Washington: o senador democrata Ron Wyden, do estado do Oregon, enviou no final de abril uma carta às principais autoridades federais, pedindo que o governo “reconsidere as medidas que estão impactando negativamente o turismo internacional”. O parlamentar citou eventos esportivos de grande escala, como a Copa do Mundo, as Olimpíadas de Los Angeles (2028) e a Copa Interclubes de 2025, como áreas de atenção.
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No ofício enviado ao secretário de Estado Marco Rubio e à Secretária de Segurança Interna Kristi Noem, Wyden foi enfático:
“As medidas transformaram viagens comuns em uma provação desnecessariamente exaustiva para turistas, viajantes a negócios, residentes permanentes legais e até cidadãos norte-americanos”.
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A preocupação é sustentada por dados. A empresa Tourism Economics revisou em abril sua perspectiva para 2025, projetando uma queda de 9,4% nas chegadas internacionais aos Estados Unidos, comparado ao ano anterior. Os números preliminares do Escritório Nacional de Viagens e Turismo indicam que, somente em março, houve redução de 11,6% nas visitas ao país em relação ao mesmo mês de 2024.
Nos primeiros três meses do ano, 7,1 milhões de visitantes estrangeiros chegaram aos EUA — 3,3% a menos que no mesmo período de 2024. A consequência direta? A Tourism Economics prevê que os gastos de turistas internacionais encolham em US$ 9 bilhões em 2025, o equivalente a mais de R$ 50 bilhões.
Repercussões no esporte internacional

Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Carlos Cordeiro, chefe da candidatura
dos EUA a sede da Copa do Mundo de 2026
O clima de incerteza já começa a afetar diretamente o setor esportivo. A atacante Deyna Castellanos, da seleção da Venezuela e atleta da liga feminina dos EUA, optou por não se juntar à equipe nacional em partidas recentes, temendo não conseguir reentrar nos Estados Unidos. A seleção feminina de Zâmbia, por sua vez, deixou de convocar quatro jogadoras que atuam nos EUA para compromissos na China. O receio? Repressão imigratória e dificuldade de retorno, especialmente diante da instabilidade jurídica do atual cenário.
Impacto nos brasileiros ainda é discreto

Apesar da onda de insegurança global, o mercado brasileiro mostra resiliência — ao menos por enquanto. De acordo com Siderley Santos, vice-presidente do grupo Arbaitman, a demanda de viagens dos brasileiros aos EUA segue em alta.
“Os números recentes demonstram que ninguém deixou de voar para os Estados Unidos, pois as viagens de negócios ou por lazer já estavam planejadas com antecedência, até antes da vitória de Trump”, afirma o executivo.
Um risco real para a imagem dos EUA

Fotos: Reprodução/Google
A Copa do Mundo representa muito mais do que um torneio esportivo: é uma vitrine global. Com três países-sede e dezenas de cidades envolvidas, o evento mobiliza investimentos, turistas e equipes de mais de 30 nações. A possibilidade de que visitantes evitem os Estados Unidos por medo de tratamento hostil — ou até deportações arbitrárias — representa um risco não apenas financeiro, mas também diplomático e reputacional.
A política migratória de Donald Trump não é uma novidade — mas seus efeitos em 2025 já são visíveis e potencialmente devastadores para setores que dependem da confiança internacional, como o turismo e o esporte. A menos que haja mudanças de postura, os EUA correm o risco de transformar a Copa do Mundo em um evento esvaziado em casa, enquanto México e Canadá colhem os frutos de uma imagem mais acolhedora.
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