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Elas nos inspiram - 19/12/2025

Fundada por uma mulher: a universidade mais antiga do mundo nasceu na África e mudou a história do conhecimento

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Foto: Reprodução/Google

Sua origem rompe narrativas tradicionais da história acadêmica: ela foi fundada por uma mulher, a muçulmana Fatima al-Fihri.

Muito antes de Bolonha, Oxford ou Paris se tornarem referências globais do ensino superior, o mundo já assistia ao florescimento de uma instituição dedicada ao saber no norte da África. No ano de 859, na cidade de Fez, atual Marrocos, surgia a Universidade de al-Qarawiyyin, reconhecida por organismos internacionais como a mais antiga instituição de ensino superior em funcionamento contínuo no planeta. Sua origem rompe narrativas tradicionais da história acadêmica: ela foi fundada por uma mulher, a muçulmana Fatima al-Fihri.

 

Fatima era filha de um comerciante próspero, originário da região da atual Tunísia, que se estabeleceu em Fez durante um período de intensa efervescência cultural e intelectual no mundo islâmico. Após a morte do pai, Fatima decidiu investir sua herança na construção de uma mesquita que também funcionasse como centro de ensino, aberta à comunidade e dedicada à formação intelectual, espiritual e científica. Nascia assim a Mesquita de al-Qarawiyyin, que rapidamente se consolidaria como um espaço estruturado de produção e transmissão do conhecimento.

 

Desde seus primeiros séculos, al-Qarawiyyin já reunia elementos que hoje definem uma universidade: ensino sistemático, continuidade institucional, reconhecimento de saberes e certificação de estudantes. O currículo incluía estudos religiosos, direito islâmico, gramática, lógica, matemática, astronomia e medicina, atraindo estudiosos do Norte da África, da Península Ibérica e do Oriente Médio. Ao longo do tempo, o local tornou-se um dos grandes polos intelectuais do mundo medieval, influenciando inclusive a formação do pensamento europeu.

 

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O reconhecimento contemporâneo de al-Qarawiyyin como a universidade mais antiga do mundo em funcionamento contínuo é sustentado por instituições como a UNESCO e pelo Guinness World Records. Embora o conceito moderno de universidade só se consolidasse séculos depois na Europa, historiadores destacam que al-Qarawiyyin cumpria funções acadêmicas equivalentes muito antes disso, o que desafia a ideia eurocêntrica de que o ensino superior organizado teria nascido exclusivamente no Ocidente.

 

Outro elemento que torna essa história ainda mais significativa é o apagamento histórico da figura de Fatima al-Fihri. O fato de uma mulher muçulmana, no século IX, ter fundado uma instituição que atravessou mais de mil anos de história revela como gênero, religião e geografia influenciaram quais narrativas foram valorizadas ou silenciadas na construção do cânone acadêmico global. Recontar essa trajetória não é revisionismo, mas correção histórica diante de evidências documentais consolidadas.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Atualmente, a Universidade de al-Qarawiyyin integra o sistema educacional do Marrocos, preservando seu caráter religioso e histórico, além de manter uma das bibliotecas mais antigas do mundo, com manuscritos raros que testemunham séculos de produção intelectual. Seu legado ultrapassa fronteiras e períodos históricos, reafirmando que o conhecimento humano sempre foi plural em suas origens.

 

Reconhecer que a universidade mais antiga do mundo foi fundada por uma mulher africana não é apenas um dado curioso. É um convite a repensar quem construiu as bases do saber, quem foi autorizado a ser lembrado e quais histórias ainda precisam ser plenamente contadas.

 
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Fonte:
UNESCO – História e patrimônio da Universidade de al-Qarawiyyin
https://www.unesco.org

 


 

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