Nos últimos dias a fumaça já podia ser vista em vários pontos de Manaus
"Crianças e idosos são os mais vulneráveis, pessoas que têm problemas respiratórios, quadro de asma e bronquite ou outro problema mais grave é agravado neste cenário", afirma o epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, chefe do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (Legepi) sobre os problemas causados sobre a intensa fumaça e qualidade do ar na capital amazonense.
Na noite de sábado, 10, o APP Selva (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) registrou níveis elevados entre 133,7 e 165,4 µg/m3 na qualidade do ar da capital amazonense, ou seja, um nível classificado como péssimo.
Pela manhã deste domingo, 11, o APP Selva registrou nível péssimo no bairro Aleixo (126,3 µg/m3), enquanto no bairro Coroado (118,7 µg/m3) e o Distrito Industrial (113,2 µg/m3) registraram o nível muito ruim.
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Mesmo após madruga chuvosa desta última noite, a fumaça em Manaus não se dissipou
(Foto: Divulgação/SES-AM)
Segundo Orellana, as situações relacionadas à péssima qualidade do ar causam problemas no ressecamento de vias aéreas, relacionados a conjuntivite e em casos mais extremos saem da questão física e vão para a saúde mental.
"Os problemas podem ser de crise de ansiedade em algumas pessoas ou preocupação excessiva com essa fumaça e toda essa crise que estamos vivendo agora em relação ao clima e a seca extrema, então, são aspectos que precisamos ficar atentos, pois além de causar esses efeitos diretos de saúde física e mental da população esse tipo de problema acaba sobrecarregando o sistema de saúde", disse o pesquisador da Fiocruz.
Jesem Orellana explica que a qualidade do ar vem sendo detectada em diferentes sensores em Manaus e outros municípios há alguns dias. De acordo com ele, toda problemática vem refletindo os efeitos das queimadas criminosas, que estão associadas ao período de estiagem.
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A qualidade do ar da capital pela parte da tarde deste domingo, 11 (Foto: Aplicativo SELVA)
"Não estamos falando de fatos isolados, que nós não sabíamos, não tínhamos conhecimento, pois existe uma sequência de três anos de secas sérias, graves e severas, seguidas de incêndios e ações criminosas. Estamos precisando de maior conscientização da população e dos empresários, além da maior efetividade nas ações do poder público", enfatizou.
A médica veterinária Gabriella Maués pontua que as aves silvestres são afetadas com a péssima qualidade do ar.
"Esses animais também ficam com problemas respiratórios e tem uma sensibilidade grande durante este período", comenta Maués. Conforme ela, os gatos também sofrem com a péssima qualidade do ar, pois são muito sensíveis e estão propensos a sinusites, rinites, tosse e em casos extremos apresentam sangramentos no nariz.
"Neste momento que estamos vivendo caso seja observado qualquer anormalidade no animal, o tutor deve levar para o atendimento clínico", concluiu.
Fonte: com informações de A Crítica
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