19 de Abril de 2026

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- 10/02/2022

Fiocruz: 80% dos profissionais da saúde vivem em situação de desgaste

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Foto: Reprodução

Um estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que 80% dos trabalhadores da saúde, de nível técnico e auxiliar, vivem situação de desgaste devido ao estresse psicológico, à ansiedade e ao esgotamento mental.

 

A pandemia da Covid-19 agravou ainda mais o quadro dos trabalhadores “invisíveis e periféricos”. A pesquisa, coordenada pela socióloga Maria Helena Machado, analisou 21.480 profissionais, de 2.395 municípios, em todas as regiões do país.

 

Conforme o levantamento, apesar de já atuarem há dois anos na linha de frente do combate à pandemia de Covid-19, muitos deles nem sequer possuem “cidadania de profissional de saúde”.

 

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“As consequências da pandemia para esse grupo de trabalhadores são muito mais desastrosas. São pessoas que trabalham quase sempre cumprindo ordens de forma silenciosa e completamente invisibilizadas pela gestão, por suas chefias imediatas, pela equipe de saúde em geral e até pela população usuária que busca atendimento e assistência”, diz Maria Helena.

 

A socióloga analisou que os coletados mostram que esses profissionais são desprovidos de cidadania social, técnica e trabalhista.

 

“Falta o valioso pertencimento de sua atividade e seu ramo profissional. A pesquisa evidencia uma invisibilidade assustadora e cruel nas instituições. O resultado é o adoecimento, o desestímulo em relação ao trabalho e a desesperança”, lamenta Maria Helena Machado.

 

Resultados 

 

De acordo com o levantamento, pelo menos 53% dos “invisíveis da saúde” não se sentem protegidos contra a Covid-19 no trabalho. Dentre os motivos mencionados, estão o medo generalizado de contaminação; a falta, escassez e inadequação de EPIs; e a ausência de estruturas necessárias para efetuar o trabalho.

 

As exigências físicas e mentais às quais esses trabalhadores estão submetidos foram consideradas muito altas por 47,9% deles. Além disso, 50,9% admitiram excesso de trabalho.

 

Mulheres representam 72,5% do total de trabalhadores escutados. Mais da metade dos profissionais (52,6%) trabalha em capitais e regiões metropolitanas. O estabelecimento de atuação predominante são os hospitais públicos (29,3%), seguidos pela atenção primária em saúde (27,3%) e por hospitais privados (10,7%).

 

Os resultados da pesquisa também apontam que 85,5% possuem jornada de trabalho de até 60 horas semanais, e 25,6% necessitam de outro emprego para sobreviver.

 

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“Muitos deles declararam fazer atividade extra, como pedreiro, ajudante de pedreiro, segurança ou porteiro de prédio residencial ou comercial, mototaxista, motorista de aplicativo, babá, diarista, manicure, vendedor ambulante etc. É um mundo muito desigual e socialmente inaceitável”, explica a coordenadora do estudo.

 

Fonte: Portal Metrópoles

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