29 de Abril de 2026

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Violência contra Mulher - 07/02/2026

Feminicídio cresce no Amazonas e revela tolerância social à violência contra mulheres, alerta pesquisador

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Foto: Reprodução/Google

Em passagem pelo Amazonas, escritor e professor Daniel Guimarães critica a falsa percepção de redução da violência contra mulheres e aponta prevenção e diálogo como caminhos para enfrentar o problema

“Não consigo entender como as pessoas dizem que existe uma redução do feminicídio se, mesmo com uma lei que vai completar 20 anos, os crimes só aumentam”, relatou o escritor e professor Daniel Guimarães, que possui amplo estudo no Brasil sobre casos de violência doméstica contra mulheres e também sobre crimes contra a dignidade sexual de crianças. Em passagem pelo Amazonas, o educador destacou, com exclusividade ao A Crítica, dados locais e nacionais sobre crimes contra o público infantil e feminino.

 

“Temos vivenciado um aumento vertiginoso no número de feminicídios. O Amazonas está entre o terceiro e o quarto lugar no ranking nacional desse tipo de crime. E, por mais que o Governo Federal tenha implantado programas de prevenção e redução, a sociedade ainda apresenta certa tolerância, fruto do machismo patriarcal que dominou o país por cerca de 300 anos. Uma lei com 20 anos não consegue, sozinha, derrubar esse tipo de situação”, disse Guimarães.

 

Segundo ele, os brasileiros são criados sob a pedagogia da violência, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a punição física ainda é recorrente. “Crescemos ouvindo frases como: ‘você vai levar uma surra para aprender’. Isso está enraizado no nosso cotidiano desde a infância e, por isso, infelizmente, o Brasil é o terceiro país com mais casos de violência contra crianças”, afirmou o pesquisador.

 

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Herdeiros da colonização

 

 

 


Guimarães também pontua que a colonização portuguesa foi trágica para a história brasileira, pois incentivou guerras contra etnias como os Mura, Munduruku e Sateré-Mawé, deixando inúmeras vítimas e promovendo atrocidades contra meninas e mulheres. “Passei um período estudando essas guerras e essas etnias. Estive recentemente em Parintins, que era habitada por indígenas que retaliavam os portugueses. Desde a colonização, nossos rios viram muito sangue na Amazônia”, destacou o professor.

 

Prevenção

 


O professor e escritor explica que o único caminho para reduzir os casos de feminicídio é a prevenção, por meio do diálogo com jovens e adolescentes, já que, cada vez mais cedo, meninas estão sendo assassinadas por seus primeiros namorados. “Tenho desenvolvido pesquisas no Norte e Nordeste sobre meninas/adolescentes assassinadas, principalmente por integrantes de facções criminosas, que não aceitam separação ou o término de relacionamentos. Temos vivenciado e visto, no Amazonas e em Roraima, assassinatos de meninas. São crimes bárbaros e cruéis, com decapitação e esquartejamento. Precisamos tentar reduzir isso por meio da prevenção e do diálogo”, comentou.

 

Daniel Guimarães ressaltou que vem escrevendo livros, entre eles “A luta contra a violência doméstica no Brasil: Um panorama histórico e atual” em parceria com Vitória Vieira, voltados à conscientização e levando informações a professores e aos profissionais da segurança pública, como policiais militares e civis, que precisam ser capacitados para lidar com esse tipo de violência.

 

“Já realizei palestras em Parintins e em Roraima. Também retornarei no período do Carnaval para desenvolver um trabalho em municípios como Maués, Tabatinga, entre outros, onde os casos de violência doméstica têm aumentado”, frisou.Números Conforme informações do professor Daniel Guimarães, somente em Manaus, no último ano, foram registradas mais de 10 mil solicitações de medidas protetivas de urgência para mulheres (número confirmado pela Polícia Civil do Amazonas, que chega aos dados de 12 mil casos desta natureza).

 

“É um número muito alto para uma metrópole. No interior do estado, houve um aumento superior a 36% nos casos de violência contra a mulher. A violência doméstica não tem classe social: temos acompanhado casos envolvendo policiais e advogados, profissionais que deveriam combater esse tipo de crime, que cometeram violência e hoje estão no sistema prisional do Amazonas”, informou.

 

Machismo

 

 

Foto: Reprodução/Google

 

Para Guimarães, o sentimento de posse, a falta de diálogo, empatia e o machismo são fatores determinantes para os casos de feminicídio e violência contra mulheres no ambiente familiar.   “Existe uma frase que sempre uso em minhas palestras: ‘Onde não há diálogo, há violência’. Em qualquer relação, intrafamiliar, afetiva, casamento ou namoro, independentemente de gênero, se não houver diálogo, haverá violência. É no diálogo que se vencem as diferenças. Essa violência é o ápice do machismo e do egoísmo, quando as pessoas acreditam que podem dominar o corpo da mulher. Durante 300 anos, isso esteve presente nos livros de história e na escravidão, marcada por extrema violência”, afirmou.

 
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Cárcere privado

 

Entre os estudos realizados por Daniel Guimarães em Roraima, o pesquisador identificou crimes graves de cárcere privado e abusos sexuais contra mulheres venezuelanas. “Minha primeira ida a Roraima foi há 15 anos, quando já desenvolvia trabalhos sobre violência doméstica. O estado sempre esteve entre os que apresentam altos índices de violência sexual contra crianças e adolescentes, mas a imigração venezuelana trouxe situações ainda mais graves, como a exploração sexual de mulheres venezuelanas mantidas em situação de trabalho forçado, cárcere privado e abusos dentro de lares de criminosos”, concluiu. 

 

Fonte: com informações Acrítica

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