Taboca Mineração, adquirida por empresa chinesa, e BBX do Brasil, subsidiária de empresa australiana, saem à frente na exploração de minerais raros no Estado
Em fase de estudos internos ou licenciamento, a exploração de terras raras no Amazonas já nasce sob controle estrangeiro. A empresa BBX do Brasil, subsidiária da australiana BBX, lidera um projeto mineral que avança em Apuí, no sul do estado. Já a mineradora Taboca, em Presidente Figueiredo, região metropolitana de Manaus, foi vendida em 2024 para a chinesa CNMC e possui estudos iniciais voltados à exploração de terras raras na região.
A BBX está em processo de licenciamento para a atividade por meio do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). A estimativa é que a exploração inicie em 2027. A Taboca, que já atua na produção de estanho e ligas de Nióbio e Tântalo, tem estudos internos que apontam a ocorrência de terras raras na Mina de Pitinga. Uma nota técnica do governo estadual coloca o Amazonas como o segundo estado com mais reservas de terras raras identificadas, atrás apenas de Minas Gerais.
A presença de investimento estrangeiro no setor não é uma exclusividade do Amazonas. Diretor da Divisão de Minerais Críticos e Estratégicos da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mariano Laio afirma que a maioria dos projetos no país segue a mesma linha.
Veja também

Sejusc recebe Selo Ouro em Transparência e Ouvidoria no Prêmio da Qualidade da Gestão Pública
Ageman aplica R$ 3,3 milhões em multas contra Águas de Manaus nos três primeiros meses de 2026
.jpg)
Foto: Reprodução/Google
“A gente já identificou mais de 60 projetos que estão em andamento, e muitos deles com empresas estrangeiras participando, aportando recursos. Nao posso dar um percentual exato agora, porque todo dia descobrimos projetos novos, mas posso dizer que a maioria é de capital estrangeiro”, disse Mariano Laio para A CRÍTICA. Doutor em Geografia Humana, Marcos Castro avalia que a forte presença de empresas estrangeiras no setor mineral reproduz um comportamento que já se desenvolve há séculos.
“Uma das formas de obtenção de riqueza por parte de uma determinada nação é justamente se instalar em um país para extrair o que tem de riquezas. E sempre com aquele argumento da geração do emprego, da geração de impostos para o país, enquanto se extrai as riquezas dali”, diz. Ele afirma que a China faz muitos negócios com outros países na área econômica, incluindo mineração. A tática também ajuda a explicar como a nação se tornou a segunda maior potência mundial, atrás dos Estados Unidos, que faz o mesmo. “O estabelecimento de empresas em outros países é um tônus geopolítico de dominação”, acrescenta.
Para o geógrafo, o cenário atual de maior interesse pelas terras raras coloca o Brasil e a Amazônia no centro da disputa mundial. “Temos uma briga entre China e Estados Unidos e o nosso país é um dos palcos disso”. No caso do Amazonas, a BBX prevê exportação de terras raras para os norte-americanos, europeus e, talvez, chineses, como registrou A CRÍTICA em reportagem anterior. Já a Taboca, que tem um projeto menos avançado neste campo, não tem informações públicas sobre futuros mercados, mas é controlada por capital chinês.
Fonte: com informações Acrítica
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.