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Especial Mulher - 07/01/2025

Eunice Paiva: Conheça a história da mulher que lutou contra a Ditadura Militar que ganha Vida no Cinema com Fernanda Torres

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Foto: Reprodução

Eunice cresceu no bairro do Brás, em São Paulo, em uma família de origem italiana

Eunice Paiva, nascida Maria Lucrécia Eunice Facciolla em 7 de novembro de 1929, em São Paulo, foi uma figura emblemática na luta pelos direitos humanos no Brasil, especialmente durante e após o período da ditadura militar.

 

Eunice cresceu no bairro do Brás, em São Paulo, em uma família de origem italiana. Desde cedo, cultivou o gosto pela leitura e, determinada a estudar, passou em primeiro lugar no vestibular para Letras na Universidade Mackenzie aos 18 anos. Foi amiga de grandes escritores, como Lygia Fagundes Telles, Antônio Callado e Haroldo de Campos.

 

Casou-se com Rubens Paiva, engenheiro civil e político brasileiro, com quem teve cinco filhos. Rubens Paiva foi uma figura ativa na política brasileira, tendo seu mandato de deputado federal cassado após o golpe militar de 1964.

 

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Rubens Paiva e sua mulher, Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva,

mais conhecida por Eunice Paiva, quando jovens.

 

Em 20 de janeiro de 1971, agentes do regime militar invadiram a residência da família Paiva no Leblon, Rio de Janeiro, e levaram Rubens para interrogatório. Ele nunca mais foi visto por seus familiares. Sua morte sob tortura foi confirmada anos depois, mas seu corpo jamais foi encontrado.

 

Após a prisão de seu marido, Eunice também foi detida e submetida a interrogatórios pelos militares. Além dela, sua filha Eliana, então com 15 anos, também foi presa. Eunice enfrentou a repressão enquanto cuidava de seus cinco filhos menores, desassistidos após a prisão do pai.

 

Mudança para São Paulo e Formação em Direito

 

 

 

Após a tragédia familiar, Eunice mudou-se para São Paulo e decidiu estudar Direito, formando-se em 1977 pela Universidade Mackenzie. Conciliou a vida de mãe e pai de cinco filhos com a rotina acadêmica, tornando-se uma advogada respeitada e uma voz ativa na defesa dos direitos humanos.

 

Eunice dedicou-se intensamente à causa indígena, atuando contra a violência e a expropriação indevida de terras sofridas pelas populações indígenas.

 

 

Em 1983, coassinou o artigo “Defendam os Pataxós”, um marco na luta indígena brasileira. Em 1987, fundou o Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (IAMA), que atuou até 2001 na defesa da autonomia dos povos indígenas. Foi também consultora de pautas indígenas na Assembleia Nacional Constituinte de 1988, contribuindo para a promulgação da Constituição Brasileira. 

 

Reconhecimento da Morte de Rubens Paiva

 

 

 

Eunice desempenhou um papel central na busca por informações sobre o paradeiro de seu marido, liderando campanhas para abrir arquivos sobre as vítimas do regime militar. Sua militância resultou no reconhecimento oficial da morte de Rubens Paiva pelo Estado brasileiro em 1996, 25 anos após seu desaparecimento.

 

Eunice Paiva faleceu em 13 de dezembro de 2018, em São Paulo, devido a complicações da doença de Alzheimer. Seu legado permanece vivo, especialmente na defesa dos direitos humanos e na luta pelos direitos dos povos indígenas no Brasil.

 

 

O filme “Ainda Estou Aqui” dirigido por Walter Salles que retrata a vida de Eunice Paiva, interpretado por Fernanda Torres, papel que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama em 2025. Em entrevista, Salles afirmou que “Ainda Estou Aqui” fala da reconstrução da memória de uma família e da memória de um país.

 

À esq., foto de família com Eunice, Rubens e Babiu (filha caçula)

no Rio em 1970 (à dir., cena do filme)

 

A escolha de Fernanda Torres para o papel de Eunice Paiva foi inicialmente inesperada, já que ela não era a primeira opção do diretor. No entanto, sua performance foi amplamente elogiada, com Salles comentando: “Senti Eunice Paiva ali”. O filme estreou no Festival de Veneza em 2024, onde recebeu aclamação da crítica e venceu o prêmio de Melhor Roteiro. Posteriormente, foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2025 na categoria de Melhor Filme Internacional.

 
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A atuação de Fernanda Torres não apenas lhe rendeu o Globo de Ouro, mas também a colocou como uma forte candidata ao Oscar, potencialmente tornando-se a segunda atriz brasileira a ser indicada, após sua mãe, Fernanda Montenegro. “Ainda Estou Aqui” destaca-se como uma obra cinematográfica que revisita um período crucial da história brasileira, trazendo à tona questões de memória, justiça e resistência, temas que continuam relevantes na sociedade contemporânea.
 

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